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Pernambuco, uma grande sala de aula

Estudar o nosso passado é manter acesa a inapagável lâmpada votiva que alumia a solidão da História por um Pernambuco cada vez mais Pernambuco.

Por ROBERTO PEREIRA Publicado em 08/02/2026 às 0:00 | Atualizado em 10/02/2026 às 10:17

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A história de Pernambuco é uma das mais ricas e diversificadas do cenário brasileiro, assinalada por protagonismos político-libertários e por um fascínio que se estende aos cometimentos culturais de quem dela se ocupa.

A história de Pernambuco agora é matéria obrigatória na Rede Estadual de Ensino.

Essa iniciativa da governadora Raquel Lyra, aprovada pelo Conselho Estadual de Educação, é digna de todos os encômios. É preciso, desde as séries iniciais, levar às crianças e aos jovens os fatos e feitos do nosso Estado, uma construção marcada pela bravura e pelo irredentismo.

Os aprendizes das aulas ligadas à história do nosso Estado certamente serão tocados pelo sentimento de amor ao chão pátrio. É preciso conhecer para amar, um preceito que remonta a Santo Agostinho, o sábio da Igreja Católica.

Estudar a história de Pernambuco nas escolas estaduais é de fundamental importância para a sedimentação da identidade cultural dos educandos e para o fortalecimento do sentimento de pertencimento à terra-berço.

Ao tomar conhecimento de suas raízes, de suas origens, dos movimentos sociais, da resiliência de seus ancestrais, da bravura de tantos quantos se deram à ingente tarefa de consolidar o Estado nos patamares da independência e da liberdade, no ideário democrático, bem como da contribuição dos povos indígenas, africanos e europeus, os alunos passam a ter melhor dimensão da rica diversidade cultural.

Esse cabedal de conhecimentos valoriza a cultura local, as tradições, as manifestações artísticas e os personagens históricos que ajudaram a construir o Estado, estimulando o respeito e o orgulho pela própria história, por seu passado de antecipações político-libertárias.

Além disso, o ensino da história de Pernambuco contribui para a formação crítica e cidadã dos estudantes.

É também um incentivo aos adolescentes a participação consciente e proativa na construção de um futuro mais humano, socialmente equânime e justo, democrático e comprometido com a preservação da memória e dos valores do passado.

Esta é a escola cidadã, cognitiva, pensante em um futuro que saiba sedimentar, por meio da argamassa da cultura, os valores humanos ligados à ética, à solidariedade fraterna e ao espírito de pernambucanidade - esse conjunto de tudo quanto se encontra no tempo tríduo: passado, presente e futuro, três momentos em um só instante.

Que Pernambuco seja uma grande sala de aula. Como não receber lições, por exemplo, nos Montes Guararapes, onde, segundo Gilberto Freyre, foi escrito o endereço certo do Brasil?

Guararapes teve como essência o sentimento de unidade, que garantiu, em dias difíceis - os da ocupação holandesa -, uma unidade maior: a do Brasil, desafiado pela cobiça em uma guerra, a do açúcar, que o diplomata Evaldo Cabral de Mello, no livro Olinda Restaurada, pôs em relevo, sem esquecer que esse capítulo, também de uma sociedade escravocrata e patriarcal, registra, para honra nossa, o heroísmo das três raças na expulsão do invasor. Heroísmo que plasmou a nacionalidade brasileira.

Tudo o mais, em Pernambuco, em 1817 e 1824, foi a defesa desse patrimônio sagrado e eterno.

Citar e visitar - também vivenciando as nossas manifestações populares - o nosso patrimônio é educar a todas e a todos nos propósitos da preservação de tudo quanto possa falar do nosso patrimônio material e imaterial.

O folclore de Pernambuco e as nossas manifestações populares formam um caleidoscópio artístico-cultural, um descortínio dos saberes que emanam da nossa gente. Preservar esse patrimônio imaterial é manter acesa a chama da nossa ancestralidade e das nossas raízes.

Os monumentos, associados aos feitos de cada herói e de cada artista, estão em nossas praças à espera de serem identificados e cultuados.

Pernambuco, por meio da Junta de Goiana e da Convenção de Beberibe (05/10/1821), autônomo onze meses antes da Independência Nacional, constitui uma página de beleza cívica a ser contada e estudada.

Os livros de história do Brasil são quase omissos ou tratam Pernambuco com um desdém que fere a importância do Leão do Norte, desconhecendo o fato de que o território pernambucano teve papel central na formação do Brasil colonial, notadamente por causa da economia açucareira, da presença estrangeira e das inúmeras revoltas que moldaram sua identidade histórica.

Ler os livros que falam do nosso Estado é uma fascinante viagem pelos destinos dos tempos de antigamente, tendo sempre por foco os fatos e os feitos da nossa gente varonil. Percorrer esses destinos é refazer caminhos: os caminhos da nossa pernambucanidade.

Aguarda-se uma dinâmica no processo de ensino-aprendizagem. Visitar, de forma presencial ou virtual, os nossos museus, o Teatro de Santa Isabel -, onde, segundo Joaquim Nabuco, ganhou-se a causa da libertação dos escravos - os fortes e as igrejas são iniciativas que despertam o interesse dos educandos.

O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano está entre os que mais têm defendido, no presente e no passado, a grande página nacional, que é a História de Pernambuco. Página nacional - diga-se bem alto e bem claro - pelo que significa a expulsão dos holandeses de Pernambuco: a poderosa lição da unidade brasileira, que tem nos Guararapes - repita-se - o seu cenário maior.

Vivenciar a Academia Pernambucana de Letras é sedimentar conhecimentos que formam o lastro da inteligência pernambucana. Aquela instituição é guardiã do nosso idioma e dos legados de escritores e poetas, estes consagrando o Recife como capital brasileira da poesia.

Estudar o nosso passado é manter acesa a inapagável lâmpada votiva que alumia a solidão da História, nas noites de vigília e de luta por um Pernambuco cada vez mais Pernambuco.

Roberto Pereira, Cadeira 35 da  Academia Pernambucana de Letras

 

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