Alagoano
O Brasil conheceu três lendários pegadores de pênalti: Batatais, Oberdan e Dida. Tive a honra e o prazer de jogar com Manga, um monstro.
Clique aqui e escute a matéria
Estão dizendo - quando não têm o que fazer inventam - que o goleiro russo Safonov do Paris Saint-Germain, pegou quatro pênaltis do Flamengo porque tinha anotado num papelzinho ao lado da barra, onde os jogadores rubro-negros iam bater. É fantasia, isso não existe. Os franceses criaram a estória para disfarçar a frustração de não terem vencido a partida e a prorrogação.
Na década de 40, o Botafogo da Bahia era um time bom, formando entre os grandes com Bahia, Vitória e Ypiranga. O center-half era um crioulo de pernas arqueadas, calmo e sereno, sempre com um gorro alvirrubro na cabeça, de apelido Alagoano, que nunca perdeu pênalti. No torneio início, o Botafogo jogava sempre pelo empate, confiando nas batidas de Alagoano, que decidiam o jogo.
Safonov disse que anotou em que canto os jogadores adversários iam chutar. Conversa fiada. Queria ver ele adivinhar em que lado Alagoano chutava. Alagoano pegava a bola e devagar e frio, botava na marca penal. Depois recuava três passos, parava, fixava os olhos no goleiro, caminhava em linha reta pra bola, o goleiro nunca sabia com que pé ele ia bater porque tanto chutava com a direita quanto com a esquerda. Esperava o goleiro cair num lado e colocava no outro. Bola na rede.
Numa partida decisiva de cobranças alternadas contra o Escrete Universitário do Estado do Rio, treinado por Zizinho, Mainha fez 33 gols seguidos de pênalti, pelo Selecionado pernambucano universitário. Amaro, volante do América bateu 33, perdeu 1, o último. E o Rio foi desclassificado. Pênalti é competência, muito treino e cabeça. Quem quer ser campeão mundial não pode perder 4 pênaltis seguidos. Esse russo não é grande goleiro. Ele e sua comissão técnica armaram essa palhaçada para desviar o foco do fracasso dos 90 minutos de bola rolando.
O Flamengo provou ser o melhor time do mundo. Note-se que o jogo foi no Catar. No Maracanã, o Flamengo ganharia. Queria ver Safonov pegar pênalti de Perácio, Quarentinha, Jair Rosa Pinto, Lelé e Eliézer. O maior goleiro de todos os tempos foi o Yashin, o Aranha Negra, rei dos pênaltis, com quase dois metros de altura, único arqueiro a receber a Bola de Ouro. A melhor escola de goleiros da América do Sul é a dos argentinos. Carrizo era excelente. O Brasil conheceu três lendários pegadores de pênalti: Batatais, Oberdan e Dida. Tive a honra e o prazer de jogar com Manga, um monstro.
Arthur Carvalho, torcedor do E. C. Ypiranga, 10 vezes campeão baiano.