O povo pernambucano contribuiu para a vacina da dengue do Instituto Butantan
Vacina tetravalente contra doença, a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
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O Brasil deu um passo histórico no combate à dengue em novembro de 2025. A vacina tetravalente contra a doença, a Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esse avanço não é apenas um marco para a ciência nacional, mas também um impulso decisivo na luta contra uma das doenças mais preocupantes da saúde pública mundial.
Em 2024, o Brasil enfrentou uma grave epidemia de dengue, que resultou em mais de 6 mil mortes, evidenciando a força destrutiva dessa doença. Apesar de uma queda de 72% nos casos em 2025, a dengue ainda causou cerca de 1.700 óbitos, o que reforça a necessidade urgente de estratégias mais eficazes de controle.
O crescimento urbano desordenado, as mudanças climáticas e o armazenamento inadequado de água intensificam as condições favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus. Além disso, os quatro sorotipos do vírus, circulando simultaneamente, aumentam a vulnerabilidade da população brasileira. Nesse cenário crítico, a vacina Butantan-DV se apresenta como uma ferramenta poderosa. Diferentemente da vacina da farmacêutica Takeda, atualmente disponível pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), a Butantan-DV exige apenas uma dose, o que facilita a logística de distribuição e aumenta a adesão da população à vacinação.
A Fiocruz Pernambuco foi um dos 16 centros de pesquisa do país que participaram da fase 3 dos estudos clínicos da Butantan-DV, envolvendo cerca de 1.200 participantes pernambucanos, com idades entre 2 e 59 anos. Durante oito anos de estudo, desafios como a pandemia de Covid-19 foram superados com determinação. E os esforços valeram a pena: a vacina demonstrou 75% de eficácia geral contra a dengue e mais de 90% de proteção contra as formas graves da doença, que demandam hospitalização.
Pernambuco, terra de riquezas culturais, história e simbolismo, faz jus ao seu legado de superação e inovação. Lar do famoso encontro dos rios Capibaribe e Beberibe, que "formam o oceano Atlântico", o estado agora comemora sua contribuição para o avanço científico que levou ao desenvolvimento da primeira vacina dose única contra a dengue no mundo. Uma conquista que reforça o orgulho pernambucano e destaca o papel essencial do Brasil na luta contra essa grave ameaça à saúde pública global.
Com a aprovação pela Anvisa, o Instituto Butantan planeja a entrega de 1 milhão de doses já prontas ao PNI, no início de 2026. Adicionalmente, mais 30 milhões estão programadas para serem entregues no segundo semestre, em parceria com uma farmacêutica chinesa. O Butantan também avança na expansão da produção nacional, com o objetivo de aumentar a abrangência vacinal e posicionar o Brasil entre os protagonistas no combate global à dengue.
*Rafael Dhalia,Membro da Academia Pernambucana de Ciências, Pesquisador da Fiocruz Pernambuco e Diretor do Plátano Centro de Pesquisas Clínicas