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Em defesa do centro do Recife

A APC mais uma vez protesta contra o abandono do centro e ao mesmo tempo se coloca à disposição para colaborar na requalificação........

Por EDVÂNIA TORRES, JOSÉ ANTÔNIO ALEIXO E MARIANA ZERBONE Publicado em 11/12/2025 às 0:00 | Atualizado em 11/12/2025 às 14:37

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A cidade do Recife e seus bairros centrais vivenciam paradoxos que confrontam valores relativos à sua importância cultural, arquitetônica, histórica e ambiental com o elevado nível de "abandono", "descaso" e "ausência de políticas públicas", que se intensificam ao em sucessivas gestões. É fala corrente dos que lá circulam, independentemente dos motivos, nível social, gênero, escolaridade, trabalhadores, ou turistas que Recife não merece essa forma de violência patrimonial e social. Edifícios sem manutenção, mobiliários pichados, emaranhados de fios e postes que ameaçam transeuntes, calçadas em péssimas condições de circulação, tudo aliado à ausência de segurança, pessoas em situação de rua, falta de paradas de ônibus dignas, de lixeiros, de sinalização, são algumas das evidências mencionadas nas falas recorrentes.

Quem conhece um pouco a legislação sabe que cabe ao poder público, no caso o município, zelar pela cidade e promover as condições para uma vida digna nesses espaços por meio da gestão de seus serviços e equipamentos. Este cuidado deve ser para além de festas e eventos, precisa implicar um planejamento que conceba espaços tanto no presente quanto para o futuro, considerando o patrimônio e suas formas de conservação e fiscalização. Neste ritmo de obsolescência programada, ao invés de se ter um plano de requalificação dos espaços centrais de responsabilidade pública, aparece uma "suposta saída", representada pela figura da concessão, por meio de leilão. Essa prática predatória aniquila a história e implica numa transferência de responsabilidade do poder público, que, por não realizar a sua competência de gestão e manutenção, adentra em soluções alegóricas de "venda da cidade". A manutenção dos equipamentos urbanos é uma função essencial, e vai para além de reparos inefetivos em todos os setores, e sim um investimento necessário para se prolongar a viabilidade do espaço urbano em suas coexistências. A cidade é feita de pessoas, de cultura, de história e precisa cumprir a sua função social. Planejar exige cuidado e respeito com o povo e o erário público e pode evitar interrupções dispendiosas.

Neste sentido, a Academia Pernambucana de Ciências promoveu um espaço de diálogo no dia 10.08.2024, no Museu da Cidade do Recife, para debater o abandono e os projetos para reestruturação do Centro do Recife, com os palestrantes Zeca Brandão, arquiteto idealizador do Mercado dos Mascastes (Camelódromo) e os acadêmicos José Antônio Aleixo da Silva (UFRPE) e Edvânia Torres (UFPE) que apresentaram históricos e propostas para o Centro de Recife. A prefeitura do Recife participou com um diretor do Instituto Pelópidas Silveira que se pronunciou afirmando que trataria do assunto na Prefeitura e daria um retorno a APC, o que não aconteceu até o presente momento. O Camelódromo foi pauta do debate apresentado o histórico da criação e seus objetivos iniciais que foram modificados sem o mínimo planejamento e sem escuta dos arquitetos autores do projeto. Tem sido esta a prática, os projetos e planos surgem surpreendendo e sem discussões. Seguimos buscando espaços e colocando as evidências em pauta na defesa da memória, da vida e do protagonismo à altura dos 500 anos vividos e do futuro que contemple a todos da cidade. Desta forma, a APC vem mais uma vez protestar contra o abandono do centro do Recife e ao mesmo tempo se coloca à disposição da Prefeitura e do Governo de Pernambuco para colaborar na requalificação do Centro do Recife antes que o prejuízo causado até o presente momento seja irreversível.

Edvânia Torres, doutora em Geografia UFPE e Academia Pernambucana de Ciências

José Antônio Aleixo da Silva, doutor em Ciência Florestal UFRPE e Academia Pernambucana de Ciências

Mariana Zerbone, doutora em Geografia UFRPE

 

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