Do papel à inteligência artificial: a virada estrutural da saúde pública em Pernambuco
Criação da REDS e renovação do parque tecnológico impulsionam o uso de IA, fortalecem o cuidado e a eficiência dos serviços de saúde em Pernambuco
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A inteligência artificial (IA) ocupa hoje um papel central nas discussões sobre inovação em saúde, envolvendo aplicações, implicações éticas e legais e seu impacto no presente e no futuro. Ferramentas como análises preditivas, processamento de imagens e sistemas de apoio à decisão prometem transformar o cuidado, o diagnóstico, a gestão clínica e diversos processos dos serviços de saúde.
Na saúde pública, o potencial da IA é ainda mais relevante, oferecendo ganhos de eficiência, previsibilidade e suporte qualificado para decisões estratégicas e formulação de políticas públicas. Porém, para que esses benefícios se concretizem, é necessário contar com dados estruturados, boa infraestrutura e governança de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) — condições inexistentes na Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco em janeiro de 2023.
Naquele período, o cenário era marcado por orçamento insuficiente, graves falhas de conectividade, parque tecnológico ultrapassado e hospitais sem infraestrutura adequada para uso efetivo de prontuários eletrônicos. Persistia o uso de papel e as bases de dados eram isoladas, sem interoperabilidade, muito abaixo do necessário para uma rede do porte da estadual, à época, composta por 64 unidades entre hospitais, UPAs e UPAEs.
Diante disso, Pernambuco reposicionou estrategicamente sua Saúde Digital, priorizando a modernização dos processos e dos serviços, mas sobretudo a reestruturação da infraestrutura de informática. Triplicamos o orçamento anual para saúde digital, permitindo ampliar a conectividade, renovar o parque tecnológico, reestruturar redes lógicas dos hospitais e implantar o prontuário eletrônico, eliminando o papel nos seis maiores hospitais da rede.
Um marco histórico foi a criação da Rede Estadual de Dados em Saúde (REDS), plataforma de interoperabilidade que integra dados das unidades básicas de saúde, hospitais, UPAs e UPAEs, reunindo atualmente mais de 10,5 milhões de atendimentos. Essa base permitirá análises preditivas, identificação ativa de populações com condições crônicas, além do fortalecimento do cuidado integral, com histórico clínico completo para os profissionais de saúde.
A Secretaria vem consolidando parcerias com universidades e startups de health tech por meio de programas de inovação do Governo, como o Cientista Arretado e o Desafios.Gov, impulsionando o uso de tecnologias emergentes para fortalecer essa transformação. O uso de IA agora está presente em diversas iniciativas na instituição, seja para automação e otimização de processos como na Central de Regulação Estadual, seja para melhoria do cuidado com o cidadão nos hospitais, como no Hospital da Restauração, que implantou serviço para segurança do paciente na análise de prescrições.
Entretanto, importante frisar que os investimentos nestas novas tecnologias tem como diretriz otimizar o trabalho de nossos profissionais, que representam o maior ativo desta instituição na busca pelo cuidado das pessoas, com empatia, seriedade e responsabilidade na redução de iniquidades.
Zilda Cavalcanti é secretária de Saúde de Pernambuco, médica geriatra e paliativista; Rodrigo de Melo Brennand é diretor-geral de Informatização e Inovação em Saúde do Estado