Mundo | Notícia

Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, é nomeado novo líder do Irã, diz mídia estatal

Aiatolá que comandava o país desde 1989 foi morto nos ataques feitos por EUA e Israel; assembleia de clérigos escolheu sucessor neste domingo (8)

Por Estadão Conteúdo Publicado em 08/03/2026 às 20:46

Clique aqui e escute a matéria

Mojtaba Khamenei, o segundo filho do aiatolá Ali Khamenei, foi nomeado o novo líder supremo do Irã, segundo informações da mídia estatal do país. O nome já vinha sendo ventilado desde as primeiras horas deste domingo.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar mais retaliações se o nome escolhido não tivesse a sua aprovação prévia.

"Se não tiver nossa aprovação, não vai durar muito tempo", afirmou Trump, ao canal americano ABC News.

Questionado se estaria disposto a aprovar alguém com ligações ao antigo regime, Trump respondeu: "Sim, para escolher um bom líder eu aprovaria. Há inúmeras pessoas que poderiam se qualificar".

Quem é Mojtaba Khamenei?

Mojtaba Hosseini Khamenei, filho de 56 anos do líder supremo iraniano Ali Khamenei ganhou influência após ajudar a organizar a repressão aos protestos da "Onda Verde" em 2009, ligados às eleições contestadas que mantiveram Mahmoud Ahmadinejad no poder.

Considerado linha-dura, sua eventual liderança indica pouca ou nenhuma mudança política no país. Israel já afirmou que qualquer novo líder iraniano poderá se tornar alvo militar.

Assim como o pai, ele é um aiatolá, ou seja, um clérigo de alto escalão dentro do islamismo xiita. Ele serviu o exército iraniano na Guerra Irã-Iraque, entre 1980 e 1988.

Mojtaba já era cotado como possível sucessor do pai antes mesmo do início da atual guerra no Oriente Médio. Havia, porém, preocupações de que a transferência do poder para um descendente de Khamenei pudesse ser controversa. A revolução islâmica no Irã foi travada, em parte, contra o regime hereditário do Xá do Irã.

Ali Khamenei foi o segundo líder supremo do Irã após a Revolução Islâmica de 1979 e ficou no cargo de junho de 1989 até a sua morte.

A escolha do novo líder supremo ocorreu sob pressão da Guarda Revolucionária Islâmica (GRI), da qual Motjaba Khamenei fez parte e com quem ainda mantém laços, segundo o veículo Iran International. A Guarda Revolucionária é uma das instituições mais poderosas do Irã. O grupo tem como missão preservar o regime e a República Islâmica e conta com grande poderio militar.

É uma entidade considerada conservadora entre os iranianos e, recentemente, passou a ser designada como terrorista por Estados Unidos, Israel, Argentina, Austrália, entre outros países comandados por governos conservadores.

A GRI estaria preocupada com a possibilidade de que, na ausência de um líder nomeado no lugar de Ali Khamenei, manifestantes em diversas partes do país saíssem às ruas, desencadeando uma nova onda de protestos.

Mojtaba estudou com religiosos da elite do país em Qom e lecionou em um seminário xiita na mesma cidade, onde estabeleceu conexões com lideranças islâmicas e conquistou respeito, em parte graças à posição de seu pai, de acordo com o jornal americano New York Times (NYT).

Ele se casou com Zahra Haddad Adel, filha de Gholam-Ali Haddad Adel, um político conservador iraniano. O casamento fortaleceu seus laços com a elite política conservadora do país.

Embora filho do líder supremo do Irã, Mojtaba atuava nos bastidores. Ele começou a aparecer na mídia iraniana apenas em anos recentes.

Em 2005, após a eleição do candidato conservador Mahmoud Ahmadinejad para a presidência, reformistas acusaram Khamenei de trabalhar com líderes religiosos e a GRI para garantir a vitória de Ahmadinejad, um candidato relativamente desconhecido, diz o NYT.

Um dos adversários de Ahmadinejad criticou Khamenei naquele ano, acusando Mojtaba de interferir nas eleições.

O New York Times diz que, em 2024, a Assembleia dos Guardiões do Irã se reuniu para planejar a sucessão do líder supremo. O aiatolá Khamenei teria afirmado na ocasião que seu filho deveria ser excluído da disputa.

A razão do posicionamento de Khamenei era que a escolha do filho poderia causar desconforto no Irã, uma vez que a Revolução Islâmica de 1979 depôs o xá e, com ele, a sucessão dinástica do poder, substituindo-a pelo governo de clérigos.

A nomeação do filho de Khamenei para o cargo que antes pertencia a seu pai teria o potencial, portanto, de irritar os iranianos, que foram às ruas em protestos recentes em todo o país, iniciados pela frustração com as más condições econômicas. As manifestações depois se transformaram em pedidos de mudança de regime.

Observadores internacionais afirmam que a escolha por Mojtaba passa a mensagem de que a ala linha-dura do regime, ligada à GRI, permanece no poder, sugerindo que pouca coisa deve mudar em breve.

Além do pai, a esposa e um filho de Mojtaba foram mortos nos ataques do fim de fevereiro, de acordo com o governo iraniano.

Compartilhe

Tags