Trump e Petro conversam após ameaças de intervenção militar na Colômbia
Tensão entre Bogotá e Washington intensificou-se após a captura de Maduro e o anúncio de Trump de que a Venezuela sobre exclusividade comercial
Clique aqui e escute a matéria
Em um movimento para reduzir a escalada de tensões diplomáticas, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizaram a primeira conversa telefônica oficial desde que Washington sugeriu uma possível ação militar em solo colombiano. O contato ocorre em um cenário de crise regional, agravado pela recente operação americana que resultou na detenção do líder venezuelano Nicolás Maduro.
O aceno diplomático
Apesar do silêncio inicial do Ministério das Relações Exteriores da Colômbia sobre os detalhes da chamada, Donald Trump utilizou sua plataforma, Truth Social, para confirmar o diálogo e sinalizar um encontro presencial na Casa Branca.
"Foi uma grande honra conversar com o Presidente Gustavo Petro, que telefonou para explicar a situação das drogas e outras divergências que temos tido", escreveu Trump.
Segundo o republicano, os preparativos para a reunião oficial já estão sendo coordenados pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo chanceler colombiano.
A aproximação marca uma mudança brusca de tom em relação aos últimos dias. Antes da ligação, a retórica entre as duas nações havia atingido níveis críticos. A bordo do Air Force One, Trump chamou Petro de "homem doente" e o acusou, sem apresentar provas, de fabricar cocaína para exportação. Ao ser questionado sobre uma incursão militar na Colômbia semelhante à ocorrida na Venezuela, o americano respondeu que a ideia lhe parecia "boa".
O presidente colombiano, ex-guerrilheiro do M-19, reagiu duramente às ameaças. Em suas redes sociais, Petro chegou a declarar que, embora tenha jurado abandonar as frentes de combate, estaria disposto a "pegar em armas pela pátria" diante de uma eventual invasão.
Contexto regional
A tensão entre Bogotá e Washington intensificou-se após a captura de Nicolás Maduro e o anúncio de Trump de que a Venezuela deverá comprar exclusivamente produtos "Made in USA" com recursos do petróleo. O governo colombiano vê com cautela a postura intervencionista de Washington no Caribe, enquanto Trump busca consolidar sua política de "lei e ordem" na América Latina como um dos pilares de sua gestão em 2026.
O encontro na Casa Branca, ainda sem data definida, deve focar no combate ao narcotráfico e na estabilidade política da região, pontos centrais de atrito entre os dois mandatários.