Quem é Diosdado Cabello, o número 2 do chavismo após a prisão de Maduro
Diosdado Cabello é ministro de Interior, Justiça e Paz, número 2 do chavismo e primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela
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O chavismo, ideologia política centrada na figura do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, é incerto após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos neste sábado (3).
Maduro era o principal nome associado ao ex-presidente Hugo Chávez, que governou o país de 1999 até 2013, e estava no poder há 11 anos, em uma trajetória que foi construída desde movimentos sindicalistas até reeleições questionadas na Venezuela.
Agora, uma das figuras mais influentes do país deve ganhar destaque: Diosdado Cabello, ministro de Interior, Justiça e Paz, número 2 do chavismo e primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Com 62 anos de idade, Diosdado Cabello foi militar venezuelano e foi acusado de participação na tentativa de tomada do poder liderada por Chávez em 1992. Ele passou 22 meses preso, mas foi anistiado pelo presidente Rafael Caldera.
Nas redes sociais, se descreve como "político venezuelano comprometido com a construção do Socialismo, a defesa dos direitos do povo e do legado do Comandante Chávez".
O número 2 do chavismo já ocupou diversos cargos de destaque no governo venezuelano, como a direção da Comissão Nacional de Telecomunicações, o Ministério da Secretaria da Presidência e e chegou a exercer interinamente a função de presidente por algumas horas, quando o então presidente Hugo Chávez quase foi derrubado, em 2002.
Assim como Maduro, Cabello também é acusado pelos Estados Unidos de envolvimento no narcotráfico com o Cartel de los Soles. Já sofreu sanções da União Europeia, da Suíça e do Panamá, sendo denunciado por lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e financiamento da proliferação de armas.
O chavista mantém sua liderança e consolida sua imagem frente ao programa de televisão “Con el mazo dando” (Batendo com a marreta, em português), utilizado para atacar políticos da oposição, contar piadas e reforçar a posição do governo Maduro.
Em uma primeira declaração após a prisão do presidente venezuelano, Cabello falou sobre o ataque sofrido pelos Estados Unidos.
“Confiem na liderança do alto comando político e militar, na situação que enfrentamos. Aqui temos um povo organizado, um povo que sabe o que tem que fazer”, afirmou.
O ministro declarou, ainda: “O país está completamente calmo. O que eles tentaram com as bombas e mísseis que lançaram, conseguiram apenas parcialmente. E digo parcialmente porque esperavam que o povo talvez agisse de forma imprudente, covarde. Não. Covardes são coisa do passado”.