Religião | Notícia

Limitações de Deus

Deus pode fazer qualquer coisa, mas não faz, não age irresponsavelmente e a sua liberdade de poder fazer o que quer está atrelada a só fazer o bem

Por JC Publicado em 13/09/2026 às 0:00

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REV. MIGUEL COX

“Pois quem jamais resistiu à sua vontade”? (Romanos 9:19).


Dizia o renomado teólogo protestante R. C. Sproul: “Se em todo o universo existir uma insignificante molécula fora de lugar e Deus não sabe, Deus não é Deus”! Com essa frase ele estava provando que Deus controla todas as coisas, conhece tudo e exerce o seu poder incomensurável sobre todas as coisas visíveis e invisíveis. Então, se é assim, por que tantas coisas ruins acontecem? Seria ele incompetente? Ou estaríamos exagerando o conceito de Deus, que no afã de promovê-lo, conferimos a ele atributos extremos e absolutos? Ou seria mais sensato admitir controle parcial de Deus? Existe algum limite para o Verdadeiro e Todo-Poderoso Deus?


Existe, sim. Existe limites que Deus impôs a si próprio. A sua integridade não o permite cometer injustiças, agir por impulso e destruir tudo aquilo que ele não gosta. Ele tem o poder para fazer isso instantaneamente, mas não o faz. A sua justiça é perfeita e é aliada ao seu amor. A sua misericórdia não tem fim e anda de mãos dadas com a sua graça. A bondade de Deus nunca prescreve, bem como a sua benignidade. Na sua ira, ele lembra da sua misericórdia. A paciência de Deus aguarda a ocasião do nosso arrependimento. São limites que atuam em nosso benefício.


Deus pode fazer qualquer coisa, mas não faz. Não age irresponsavelmente e a sua liberdade de poder fazer o que quer está atrelada a só fazer o bem. A sua essência é o amor na mais pura expressão da palavra. O mal será punido, sim, pois onde há luz as trevas desaparecem. Deus ousou nos gratificar com a liberdade, porque sem ela o amor não existiria. A algema do amor é a livre decisão de amar.


Mas, há algo mais prático que desejo registrar aqui. O perigo do livre arbítrio que Deus nos deu e, por isso, as consequências do mau uso recaem sobre nós. Há inúmeras coisas em nós que Deus não controla, porque é da nossa alçada fazê-lo. Ele não controla a nossa língua ferina; o nosso comportamento irresponsável; a nossa rebeldia; as nossas finanças; a nossa ansiedade; a nossa teologia; os nossos pensamentos maus; e assim por diante… Desta forma ele nos responsabiliza pelo que fazemos com aquilo que nos concedeu para o nosso bem, se usamos para o mal. Ou agimos no que é bom e edificante, ou destruímos pelo mau uso. Não podemos depois reclamar das consequências da nossa desobediência.


Grande parte do que sofremos ou desfrutamos nesta vida pode ser consequência de decisões do passado. Não temos o direito de atribuir culpa a Deus pelas coisas que deram erradas, uma vez que estavam sob a nossa responsabilidade decidir bem ou mal. O próprio Deus se limita intervir e nos deixa à mercê da nossa rebeldia. Gostamos de ser absolutos e tomar o rumo imperativo da nossa vida. Dizemos: “ninguém tem nada com isso, eu quero assim e pronto”! Deus se limita a nos ouvir e nos deixa caminhar no caminho que escolhemos.


Portanto, convidemos o SENHOR para habitar conosco no território das nossas decisões. Ele sempre tem o melhor para todos nós. Diz a sua palavra: “O que me der ouvidos habitará seguro, tranquilo e sem temor do mal” (Provérbios 1:33). O limite de Deus é do tamanho do acesso que damos a ele.

Rev. Miguel Cox é mestre em Teologia e membro fundador da Academia Pernambucana Evangélica de Letras(APEL)

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