JESUS acalma o mar
Diante das tempestades da nossa vida é preciso confiar, pois na hora do tormento pode vir a ideia de estarmos próximos a perecer, fracassar
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PADRE BIU DE ARRUDA
O evangelista Mateus, no capítulo 14, narra o fato da barca que estava com os discípulos em alto mar, em plena noite, e que era sacudida pela tempestade. Uma imagem forte que lembra o barco da nossa vida , assim como a Igreja nos mares deste mundo. Os discípulos estavam distante da beira mar. O autor bíblico faz questão de afirmar que o Divino Carpinteiro não se encontrava na barca. Para muitos, esse fato revela mais de Jesus do que dos discípulos. Foi justamente, nesse cenário, que houve a ação salvadora em tríplice circunstância para que o milagre acontecesse.
Primeiro, os discípulos estavam em alto mar, com dificuldade em receber algum auxílio. Segundo a ventania era contrária à barca, não auxiliava em nada. E para agravar a situação, as ondas eram altas a ponto de colocar a vida deles em risco. Terceiro, a escuridão inviabilizava uma solução rápida e prática. Um cenário que desafiava a paciência e a fé dos discípulos. Foi nessa situação adversa que o milagre aconteceu. Entrou em cena o Divino Carpinteiro, transformando o ambiente de medo em esperança.
Diante das tempestades da nossa vida, é preciso confiar e tirar boas lições. Na hora do tormento, pode vir a ideia de que estamos próximos de perecer, fracassar. É justamente no momento das fortes ventanias, que precisamos manter a calma. Não podemos duvidar nunca da presença de Jesus, ainda que seja imperceptível. Dessa cena, podemos tirar a lição de que Jesus estava ausente para fazer resplandecer a sua ação salvífica. E para complicar a situação, quando o Divino Carpinteiro estava andando sobre as águas, eles pensaram que era um fantasma. Geralmente, quando passamos por provação, a nossa mente é fértil na criação de dificuldades.
Presente na barca estava Pedro, como aquele que sinalizava a unidade do grupo. E por ser líder, pede para ir andando sobre as águas ao encontro do Divino Carpinteiro. Ainda sob o impulso do medo, começa a caminhar e logo afunda. Uma realidade difícil; talvez a maior tempestade não era o mar revolto, mas a falta de confiança na providência divina. Isso pode acontecer com o cristão que passa por provações. Por essa razão, é necessário fixar o olhar sempre no Divino Carpinteiro.
Essa é a nossa história rumo ao Reino dos Céus. Durante o percurso, podem acontecer cedo ou mais tarde, provações que abalem a nossa confiança e mexam com a nossa fé. O cristão precisa perseverar, confiar. Na forte cena do mar bravo, o Divino Carpinteiro estendeu a mão a Pedro ao perceber que ele ia afundar. Naquele instante, aconteceu o encontro palpável da criatura com o seu Criador. A salvação veio ao encontro de Pedro e o acalentou. Em outras palavras, disse assim: “calma, sou Eu, Pedro, estou contigo”. Ele faz assim conosco também nas nossas noites escuras.
O bonito de tudo é que o Divino Carpinteiro, na companhia de Pedro entra na barca e logo aconteceu uma grande calmaria. Aquietou-se tudo. O medo é afugentado para longe. A confiança é retomada. Qual não foi a alegria e confiança dos discípulos depois de uma noite escura, enfrentando o mar revolto, ter a presença do Divino Mestre? Assim também acontece conosco quando colocamos nossa confiança no Senhor. Por essa razão, siga firme, persevere, independente da sua noite escura, o Divino Carpinteiro não será indiferente às suas lágrimas. Ele acalma o nosso mar revolto com a sua presença.
Padre Biu de Arruda é da Arquidiocese de Olinda e Recife e pároco da Paróquia de Santa Luzia