Santa Dulce dos Pobres
Santa Dulce dos Pobres é um sinal inequívoco de que, quando a pessoa abraça por inteiro a causa do Evangelho, os milagres acontecem
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PADRE BIU DE ARRUDA
O nome de Pia é Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. Por trás desse nome, estava aquela que ficaria guardada no coração do povo baiano, como o Anjo Bom da Bahia. O legado que deixou para a Igreja é incalculável. Uma história de fé e caridade que teve o seu bojo bem antes de entrar no Convento, uma vez que era de família cristã católica. Os olhos baianos viram e dão testemunho de uma vida dedicada ao Evangelho do Divino Carpinteiro. Santa Dulce dos Pobres encarnou de cheio o capítulo 25, do Evangelho de São Mateus, que assim preceitua: “Tive fome e me deste de comer, estava nu e me vestiste, estava doente e cuidaste de mim, estava preso e me visitaste…”
Santa Dulce dos Pobres incomodou e foi incomodada. No seu anelo de seguir as lições insuperáveis do Evangelho, viu a sua obra de caridade sofrer perseguição, quando desejou juntar os seus pobres em um lugar digno na cidade de Salvador e ser expulsa por incomodar os visitantes, no dizer das autoridades civis. Depois de recorrer a tantos outros lugares sem muito apoio, só lhe restou o galinheiro do convento, depois de convencer a Madre Superiora que necessitava daquele humilde espaço para acolher os pobres. Fala-se até que ela fez uma canja das galinhas para os famintos, e, a partir daquele instante, os amados de Deus tinham um lugar definitivo. Sem olvidar que desde jovem, já acolhia os pobres na casa dos seus pais.
Santa Dulce dos Pobres é um sinal inequívoco de que, quando a pessoa abraça por inteiro a causa do Evangelho, os milagres acontecem. Milagres a ela já foram atribuídos, no dia 13 de outubro de 2019, por ocasião da sua canonização. A Igreja já reconheceu que aquela pobre e frágil freira é digna das honras dos altares. Tudo isso é maravilhoso aos olhos do Senhor! Contudo, o maior milagre realizado por Santa Dulce dos Pobres foi transformar um galinheiro num grande hospital em Salvador; para acolher, socorrer e amparar os pobres. Quantos e tantos milagres já aconteceram naquele hospital pela intercessão de Santa Dulce dos Pobres!?
Santa Dulce dos Pobres é uma santa genuinamente brasileira. Sentia na pele a dor e o sofrimento dos pobres esfomeados de Salvador. Por isso, ainda que fosse frágil fisicamente, encontrava força na Palavra de Deus para seguir com a missão de fazer o Reino dos Céus acontecer. Quem não se lembra daquela franzina religiosa com o seu inconfundível hábito azul e branco nos alagados de Salvador, acolhendo os abandonados e carentes de um aconchego de um lar? Com alpargatas inconfundíveis, entrava nos fétidos becos e nas estreitas ruelas à busca de quem precisava de um consolo.
Por causa dessa missão tão nobre e humana, não apenas deixou um legado imensurável, mas recebeu a admiração de todos os cristãos, como também de pessoas sem religião, pois viveu para servir. Por labor missionário tão grande, recebeu as honras dos altares, sendo canonizada. Consumiu-se no acolhimento aos pobres. Com certeza, as suas mãos frágeis de fina pele, acolheram, acalentaram e acariciaram tantos pobres fétidos e feridos que encontraram no seu abraço, o amor que não encontravam nas madrugadas frias da grande metrópole. E por tudo que fez pelos mais carentes, recebeu do povo baiano o título de o Anjo Bom da Bahia. Santa Dulce dos Pobres, intercedei por nós.
Pe. Biu de Arruda – é pároco da Paróqiia de Santa Luzia – Arquidiocese de Olinda e Recife