José Edson F. Mendonça: Saber viver
Somos seres mutantes pois oscilamos, mudamos de humor, deixamo-nos levar pelas emoções, sem saber ainda controlá-las e vive de forma equilibrada
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Somos seres mutantes! Oscilamos, mudamos de humor, deixamo-nos levar pelas emoções, sem saber ainda controlá-las! Como viver de forma equilibrada, se ainda somos bastante imperfeitos, instáveis, vacilantes? Como conseguir nos manter bem conosco, durante um dia, uma hora, um momento que seja? Como estabelecer uma linha de conduta coerente e estável? Como nos posicionar diante de tantas mudanças, apelos, influências e situações que, não mais que de repente, nos tomam conta e transformam radicalmente a nossa vida?
Em nosso auxílio, e em exaltação de rara precisão e beleza, a poetisa goiana Cora Coralina, (1889-1985), nos ilumina magistralmente no poema “Saber Viver”, que reflete toda beleza e elevação do espírito dessa criatura tão amável e sensível.
- Não sei... se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira e pura...
Nesse contexto, a filosofia espírita, na lição “O Homem no Mundo”, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII: 10, esclarece que para sermos virtuosos, não é necessário vivermos uma vida mística, que nos conserve fora das leis da sociedade onde estamos condenados a viver, mas, sim, vivamos com os homens da nossa época, como devem viver os homens; somos chamados a manter contato com seres humanos de naturezas diferentes, de caracteres opostos; no entanto, não choquemos a ninguém.
Sejamos joviais, alegres, mas, que esse estado de espírito seja consistente com uma consciência reta, limpa; a verdadeira virtude não consiste em assumirmos rigoroso e estranho aspecto, em repelirmos os prazeres que a nossa condição humana nos permite, não! Basta, reportemos todos os atos da nossa vida ao Pai Criador; basta que, ao começarmos ou acabarmos uma atividade, elevemos a Ele o pensamento e lhe peçamos confiantes, a Sua proteção, para que obtenhamos êxito, e O reconheçamos, após a concluirmos. Em tudo, louvemos ao Senhor!
Ademais, vale muito, refletir sobre a bela mensagem “Receita de Viver”, do notável pensador Pedro Bloch, (1914-2004): - Viver é expandir, é iluminar. Viver é derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender... Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal, única.
Um profundo respeito humano. Acredito nos homens, até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade... Por respeito a cada ser humano, em todos os cantos da terra, e por gostar de gente, é que encontro em cada indivíduo o reflexo do universo... A gente só é o que faz aos outros. Somos consequências dessa ação... Enquanto o homem não marcar um encontro consigo mesmo, verá o mundo por um prisma deformado e construirá um mundo em que a lua terá prioridades. Um mundo mais lua do que luar.
Concluindo, saberemos realmente viver, quando aprendermos a exercitar, habitualmente, o amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos, consoante o lema “Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial”. Mt 5:48. Continuemos a praticar o Bem, e, um dia, seremos Espíritos puros!
José Edson Furtado de Mendonça colabora com o movimento espírita, como escritor, palestrante e trabalhador, no Instituto Espírita Gabriel Delanne, rua São Caetano, 220, Campo Grande - Recife/PE