Não chores
Afirmamos que o mundo precisa de consolo uma observação de que, em meio a desafios, perdas e incertezas há uma necessidade humana de paz e empatia
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VALTEMIR RAMOS
GUIMARÃES
A priori afirmamos que “o mundo precisa de consolo”. Isso reflete a observação comum de que, em meio a desafios, conflitos, perdas e incertezas diárias, há uma necessidade humana universal de conforto, paz e empatia. A frase que temos em nosso tema, trata de um momento de grande aflição por parte de uma mãe, a qual chorava a morte de seu único filho. Ela vinha com o povo carregando o féretro para se despedir para sempre do seu filho. Todavia, naquele momento Jesus ia chegando, e um milagre aconteceu.
Essa história de choros e aflições, tem-se repetido na vida de muitas mães pelo mundo afora. Atualmente ficamos extasiados com as notícias que a mídia nos traz sobre a dor que acomete muitas mães, pelas perdas de seus filhos que são mortos pela grande violência que se abate em nossa nação e no mundo, seja nas grandes cidades, como também nos campos, deixando um rastro de dor e lástima no coração das mães e suas famílias.
A história que aqui iniciamos, foi relata no Evangelho de Lucas, quando diz: “Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo o enterro do filho único de uma viúva; e uma grande multidão da cidade estava com ela. Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: "Não chore". Depois, aproximou-se e tocou no esquife, e os que o carregavam pararam. Jesus disse: "Jovem, eu lhe digo, levante-se!"(Lc 7:12-14). O contexto dessa passagem mostra que isso ocorreu em Naim, uma aldeia, alguns estudiosos chamam de vilarejo, o qual distava a 10 km de Nazaré e 40 km de Cafarnaum.
O texto diz que o “cortejo fúnebre se aproximava da porta de cidade” – eis que era levado morto, um filho único de sua mãe e era viúva, e grande multidão com ela (v.12). À parte da tragédia de ser um filho único, também era viúva. A morte do filho significava a perda do único meio de sustento da mulher. Numa sociedade altamente machista, uma viúva era como um órfão (naquele tempo não havia previdência social). Por isso, temos referências bíblicas sobre o cuidado de Deus para com os órfãos necessitados, os pobres e as viúvas, como segue: Êx 22:22-24; Is 1:17; Sl 68:5; Sl 146:9; Zc 7:9-10; I Tm 5:3; Tg 1:27. Como diz o Sl 68:5: “Pai para os órfãos e defensor das viúvas é Deus em sua santa habitação”.
Em continuidade dessa linda e emocionante história, é dito que “Jesus viu aquela mãe aflita”.
Pelo contexto histórico-cultural, as viúvas trajavam-se de modo especial, ou seja, apropriado à sua condição social (Gn 38:14-19), elas despojavam-se de seus ornamentos normais, e vestiam-se de saco, tendo um manto especial, não se penteavam nem ungiam o rosto. Sobre esse contexto, podemos, ver em Judite 10:3 – “Tirou o pano de saco e o vestido de viúva, tomou banho, passou perfume caro, penteou os cabelos, colocou um turbante na cabeça e se vestiu com a roupa de festa, que usava enquanto seu marido Manassés era vivo”. Esse “ver” de Jesus, o faz sentir íntima compaixão daquela mulher. O termo compaixão nas escrituras vem do original grego splagchinízomai, que indica um abalo ou impacto no intestino; e esse abalo, o faz tomar uma atitude, de forma que ele fala para ela: “não chores”, e adiantando-se, tocou o esquife (grego soros, mas o termo mais completo seria klínë, originalmente, leito ou cama). Era uma espécie de maca, conforme Champlin (1995), era feito de vime trançado (espécie de vara ou haste de vimeiro, sobre o qual o defunto jazia envolto e faixas e panos.
Assim, ao parar o cortejo, Jesus, com seu eterno amor e compaixão, age, como segue: “E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. E o que fora defunto assentou-se, e começou a falar. E entregou-o à sua mãe” (Lc 7:14,15). Diante desse grande milagre, todo o choro e dor daquela mãe cessou imediatamente, e a alegria foi imensa. Ela não podia acreditar o que seus olhos estavam vendo. Concluindo, precisamos dizer que esse amor e compaixão de Jesus, continuam a operar na vida da humanidade. Ele continua dizendo: “Não chores”!
Valtemir Ramos Guimarães é pastor da Igreja Pentecostal Assembleia de Deus -PE- Membro da Academia Pernambucana Evangélica de Letras- Graduado em Física pela UFRPE e Mestre em Ciências da Religião-8199948-1289