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Feminicídio

É lamentável que o feminicídio tenha tomado dimensão abissal na sociedade, uma verdadeira praga que tolhe a mulher e até levam à morte

Por JC Publicado em 11/01/2026 às 0:00

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PADRE BIU DE ARRUDA
É lamentável que o feminicídio tenha tomado uma dimensão abissal na sociedade; uma verdadeira praga que tolhe a vida da mulher. Diante de tal fato, ninguém pode ficar indiferente, afinal, por causa da cultura machista muitas mulheres já foram mortas. É preciso dizer que foram mortas também, pelo fato de ser mulher, isso é desolador. Como é triste também, perceber que alguns homens tratam a mulher como se fosse objeto de posse, de propriedade, podendo assim, alienar, negociar a qualquer momento; pois não aceitam a separação, o fim do relacionamento e, vendo que a mulher não deseja mais voltar ou começou a construir uma nova relação, pretendem puni-la. É como se fosse uma arma de vingança: “se não é minha, não será mais de ninguém”. Urge acabar com essa nefasta cultura!


O homem que age assim com a mulher pode demonstrar um ciúme patológico, doentio, pois abduzido por esse desejo é capaz de tudo, até mesmo de matar a mulher, pensando que ela seja seu objeto de posse ou de uso. A mulher nunca foi e nunca será objeto de posse de homem algum. Ela deve ser respeitada e amada na sua integridade e dignidade de ser mulher, que carrega em si, o dom de gerar a vida. Isso sim! E, portanto, urge um esforço de todos por uma cultura da vida, onde a mulher – como filha de Deus – se sinta acolhida, amada e respeitada.

É preciso “gritar” para todos que o feminicídio não é fruto de um acaso, que acontece de uma hora para a outra. Não! Antes da vida da mulher ser tolhida, ela já vinha sofrendo abusos calada, talvez, por se achar a parte hipossuficiente da relação pelo fato de ser mulher. E não é, de jeito nenhum, uma vez que carrega a dignidade de ser filha de Deus. Antes do feminicídio, a mulher já suportava há tempo, o sofrimento dentro de um relacionamento abusivo, com a presença da violência psicológica, física, e também, sexual; porque, lamentavelmente, alguns homens ainda enxergam a mulher como objeto de prazer erótico e somente isso. Talvez, aprenderam isso quando eram crianças, vendo a maneira como o pai se relacionava com a mãe.


É de notar também que, por trás de tanta violência contra a mulher, há fatores que favorecem a essa terrível realidade; como por exemplo: o álcool. O álcool, além de destruir a vida de quem ingere, acaba também com a da mulher e de toda a família. Sei muito bem o que é isso, pois acompanho de perto e com muito zelo, um grupo do AA que usa as dependências da paróquia, onde exerço o meu ministério. Existe uma luta tremenda para se libertar do etilismo. Outro fator nefasto tão quanto o ora mencionado, é a miserável da droga. Essa é terrível! Por onde passa, deixa o rastro de destruição; a terra fica totalmente seca, sem frutificar. E lastimavelmente, ainda há alguns que alimentam o desejo de legalizar as drogas. Quem assim pensa desconhece o que é ter um filho dominado pela droga.
Outro fator que pode impulsionar o crescimento do feminicídio é a banalização da violência contra a mulher. Percebe-se que comportamento dessa natureza, só tende a agravar mais essa situação.

Consequentemente, é necessário reagir, pois o mal não pode ser banalizado. É necessário dar as mãos, todos por um e um por todos. O Estado não pode ficar inerte a essa situação. Precisa oferecer os meios possíveis para mudar essa cultura nefasta do feminicídio, acolhendo essas mulheres – que sofrem violências – em lugares dignos, dando condição para que elas se livrem de tal situação, pois algumas dependem emocional e financeiramente do agressor, infelizmente.


Em consideração derradeira, faz-se necessário criar uma cultura de valorização da mulher como um ser amado e querido por Deus, conscientizando a criançada e a juventude nas escolas, clubes, na Igreja etc. É preciso mobilizar toda a sociedade para estancar essa terrível sangria, com a prevenção, pois é triste abrir um jornal ou escutar um programa policial e a matéria de capa ser, constantemente, o feminicídio. Não podemos tolerar essa situação. Sem olvidar que a violência contra a mulher não escolhe classe social.


Pe. Biu de Arruda é pároco da Arquidiocese de Olinda e Recife, na paróquia de Santa Luzia – na Estância

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