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Coragem com Jesus

É tempo de comemorar o ano que se finda de refletir sobre o que fizemos, sobre o que ainda podemos fazer e de celebrar o nascimento de Jesus

Por JC Publicado em 14/12/2025 às 0:00

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Gustavo Machado


Mais um dezembro se inicia e, com isso, diversos encontros e confraternizações se realizam. É tempo de comemorar o ano que se finda, de festejar e, ao mesmo tempo, refletir sobre o que fizemos e sobre o que ainda podemos realizar no ano porvir. Mas é, sobretudo, tempo de celebrar o nascimento de Jesus. Tempo de nos conectarmos aos ensinamentos e à essência de tudo quanto Ele fez, viveu e ainda faz e intercede em favor da humanidade.


É tempo de, a partir de nossas autoanálises, permitir que renasça em nós o homem novo e a mulher nova. Tempo de deixar que brilhe a nossa luz; afinal, nos disse Jesus: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:16).


A partir dessa reflexão, constantemente me vem à mente que este é momento de coragem, tal qual as palavras de Guimarães Rosa, em “Grande Sertão: Veredas”: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”


Há frases que atravessam o tempo e tocam profundamente aqueles que se permitem, ainda que às vezes, silenciar diante do correr cotidiano. Essa, de Guimarães Rosa, é uma delas. Diante do frenesi dos dias, da aparente instabilidade do mundo e da travessia do mar da vida, o escritor mineiro nos lembra que a existência, em sua essência, é movimento. Esquenta e esfria, aperta e afrouxa, e é justamente nessa oscilação, nesse vai e vem, que aprendemos. O que a vida quer de nós não é perfeição, nem sucesso, tampouco performance, mas coragem.


À luz do Espiritismo, essa coragem ganha um sentido ainda mais profundo. Não se trata apenas da bravura diante das dores, da resistência às dificuldades externas ou da luta interna, que, em certa medida, já é expressão da fé, mas da fidelidade ao propósito reencarnatório. Cada existência é um capítulo da jornada do espírito imortal em busca do aperfeiçoamento moral e intelectual.

Reencarnamos tantas vezes quantas forem necessárias para aprender e evoluir. Para tanto, é preciso coragem: a coragem de olhar para dentro, de reconhecer sombras e luzes, de não fugir de si mesmo.
A vida moderna, com sua pressa, tecnologia e exigências incessantes, nos empurra para fora de nós. Somos convocados a reagir rápido, produzir sempre, responder tudo, competir continuamente. Nesse turbilhão, afastamo-nos de nossa essência espiritual, do eixo interior que sustenta o verdadeiro sentido da existência, do ponto sereno onde a alma respira Deus. O resultado, não raro, é exaustão emocional, ansiedade e um profundo vazio existencial.


Ter coragem, portanto, é também parar e escutar a voz interior; reencontrar o sentido da vida não nas distrações exteriores, mas na certeza íntima de que cada desafio tem uma razão de ser; que cada prova é convite ao crescimento; que, mesmo quando tudo parece confuso, a vida segue conduzida por Leis Divinas de sabedoria e amor. E que Jesus caminha perto de nós.


Não há receita pronta para recuperar essa essência. Cada um deve encontrar seus próprios meios. Às vezes, o silêncio e a calma são o caminho mais profundo de reconexão consigo mesmo e com Deus, através de Seus mensageiros.


A coragem que a vida nos pede é, talvez, a coragem da consciência espiritual: a coragem de compreender que o correr da vida “embrulha tudo”, mas nada se perde. Tudo educa, tudo transforma. E, se permanecermos fiéis ao propósito da alma, descobriremos que a travessia, embora difícil, é sempre progressiva, porque conduz, ainda que lentamente, à luz.


Que este dezembro nos encontre firmes no propósito de renascer por dentro, com a coragem serena que nasce da fé e do Cristo que caminha conosco. Porque, como lembra Guimarães Rosa, a vida “embrulha tudo”, mas é justamente nesse embaralhar que Deus nos educa, fortalece e ilumina. E, se a vida quer de nós coragem, que a ofereçamos com o coração posto em Jesus.


Gustavo Machado – trabalhador da Fraternidade Espírita Franscisco Peixoto Lins (Peixotinho).

 

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