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"O futuro do agronegócio é a agricultura regenerativa", diz presidente da Abrafrutas

Convidados do Debate da Super Manhã destacam inovação, exportações e logística como desafios e oportunidades do agro em Pernambuco

Por JC Publicado em 10/03/2026 às 17:37 | Atualizado em 10/03/2026 às 20:44

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O futuro do agronegócio brasileiro passa por inovação tecnológica, sustentabilidade e ampliação de mercados internacionais. O tema foi discutido nesta terça-feira (10) durante debate na Rádio Jornal, no programa Super Manhã, que reuniu representantes dos setores de fruticultura, sucroenergético e pecuária para analisar desafios e perspectivas do setor no país e em Pernambuco.

Presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), Guilherme Coelho afirmou que a tendência mundial é a adoção de práticas sustentáveis e tecnológicas no campo. “O futuro do agronegócio é a agricultura regenerativa”, afirmou. Segundo ele, o modelo prioriza a saúde do solo e se soma ao avanço da agricultura de precisão, que utiliza drones, sensores e satélites para monitorar plantações e melhorar a produtividade.

Coelho também destacou a força da fruticultura brasileira no mercado internacional. De acordo com ele, o Brasil é responsável por grande parte do suco de laranja consumido globalmente. “A cada dez copos de suco de laranja tomados no mundo, sete são feitos com laranja do Brasil”, disse. O dirigente ainda ressaltou que a fruticultura é uma das atividades que mais geram empregos no campo.

Outro ponto abordado foi o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado há mais de duas décadas. Para Coelho, a redução gradual de tarifas sobre frutas brasileiras pode ampliar a competitividade do país no mercado europeu. “Quando esses impostos caírem, a tendência é aumentar a produção e as exportações”, afirmou.

Presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha destacou o potencial do setor sucroenergético em novos mercados ligados à transição energética. Ele citou a Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, como um marco para ampliar o uso de combustíveis de baixo carbono.

Entre as oportunidades, Cunha apontou a produção de combustível sustentável de aviação, biometano e alternativas para o transporte marítimo. “A cana hoje tem uma variedade de aplicações que ganhou muito espaço”, afirmou. Segundo ele, Pernambuco pode se beneficiar dessas iniciativas devido à proximidade das usinas com o Aeroporto Internacional do Recife e à infraestrutura logística do Porto de Suape.

O dirigente também destacou a importância da estabilidade nas regras do comércio internacional para garantir segurança aos produtores. Para ele, acordos comerciais e previsibilidade regulatória são fundamentais para ampliar a presença brasileira no mercado global.

No setor de proteína animal, o diretor de exportação e de mercado interno da Masterboi, Marcio Rodrigues, ressaltou o crescimento das exportações brasileiras de carne e o papel das exigências sanitárias e ambientais na abertura de novos mercados.

De acordo com Rodrigues, o Brasil tem ampliado sua presença internacional graças à combinação de qualidade, preço competitivo e rastreabilidade da produção. Ele destacou que frigoríficos e produtores precisam seguir critérios rigorosos de controle sanitário, ambiental e trabalhista para acessar mercados externos.

Durante o debate, os participantes também abordaram desafios logísticos para o desenvolvimento do agronegócio em Pernambuco. Coelho apontou que a melhoria da infraestrutura rodoviária é essencial para reduzir perdas na fruticultura, já que produtos frescos são mais sensíveis ao transporte.

O dirigente ainda mencionou a importância de fortalecer a logística portuária do estado. De acordo com ele, produtores do Vale do São Francisco exportam atualmente cerca de 15 mil contêineres de frutas por ano, mas grande parte da carga é embarcada por portos de outros estados, como Pecém e Salvador.

Os convidados também ressaltaram a importância de investimentos públicos e privados para ampliar a competitividade do setor. Iniciativas voltadas à segurança hídrica, apoio à produção no semiárido e modernização da infraestrutura foram apontadas como fundamentais para garantir o crescimento sustentável do agronegócio pernambucano.

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