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BC decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno e Pleno DTVM, ex-Voiter

Autoridade monetária reforçou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais

Por Estadão Conteúdo Publicado em 18/02/2026 às 8:54 | Atualizado em 18/02/2026 às 17:48

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O Banco Central decretou, na manhã desta quarta-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, com extensão do regime especial à Pleno DTVM. Em agosto do ano passado, o próprio BC aprovou a transferência do controle societário do banco Voiter, que fazia parte do conglomerado do Master, para Augusto Lima, passando a operar sob o nome de Banco Pleno.

De acordo com a autarquia, o conglomerado do Pleno é de pequeno porte, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, com 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

"A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil", informou o BC.

A autoridade monetária reforçou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais, o que pode levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes. Além disso, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos administradores da instituição objeto da liquidação decretada.

ROMBO DO FGC

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno ampliará o "rombo" do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para mais de R$ 50 bilhões, ao se juntar ao processo de reembolso de credores do Master e do Will Bank. Em comunicado divulgado após o anúncio do Banco Central (BC), o FGC informou que o Pleno tinha uma base estimada de 160 mil credores elegíveis ao pagamento de garantia, que totalizam R$ 4,9 bilhões.

O valor se somará aos R$ 40,6 bilhões de investidores do Master e aos R$ 6,3 bilhões dos clientes do Will Bank, a um total de R$ 51,8 bilhões.

A cifra não inclui as linhas emergenciais mobilizadas pelo FGC ao longo do ano passado, quando os problemas de liquidez do conglomerado Master ficaram mais claros.

Pelos dados mais recentes, o FGC tinha cerca de R$ 160 bilhões em patrimônio, dos quais aproximadamente R$ 125 bilhões estariam disponíveis para uso imediato.

Conforme mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada, o Conselho do Fundo concordou com um plano de recomposição que prevê o adiantamento inicial do equivalente a cinco anos de contribuição pelos bancos. Em 2027, haveria mais uma antecipação de 12 meses de repasses e, em 2028, outros 12 meses, o que levaria a um total de sete anos de contribuições adiantadas.

O plano incluiria um aumento extraordinário de 30% a 60% no valor pago mensalmente pelas instituições ao FGC, segundo relatou uma fonte a par das discussões. Os bancos também querem a possibilidade de redirecionar recursos de compulsórios bancários para ajudar na reconstrução do Fundo, mas essa proposta demanda aval do Banco Central, que ainda não se manifestou.

Até a semana passada, o FGC já havia pago R$ 37 bilhões em garantias aos credores do Master, mais de 90% do total.

O Fundo também decidiu antecipar o pagamento de investidores do Will Bank que tinham até R$ 1 mil a receber, a um custo de R$ 200 milhões. O restante dos investidores terão que esperar até que o liquidante consolide a base total dos credores. O Will Bank fazia parte do conglomerado do Master, mas teve liquidação decretada só em janeiro. O Pleno havia sido vendido em 2025 para um ex-sócio do Master, portanto não integrava mais o grupo.

 

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