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Endividamento das famílias recifenses recua levemente, mas ainda tem cartão de crédito como vilão

O levantamento ainda mostra que a maior parte das famílias da capital pernambucana mantém dívidas por um período médio de oito meses

Por JC Publicado em 17/10/2025 às 12:56

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A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, com recorte local feito pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE), apontou que 79,8% das famílias recifenses estavam endividadas em setembro de 2025. O índice apresenta pequena redução em relação ao mês anterior (80%) e também ao mesmo período de 2024 (82%). Entre os endividados, 25,7% possuem contas em atraso, e 14% afirmaram que não terão condições de pagar suas dívidas nos próximos meses.

O cartão de crédito permanece como o principal tipo de endividamento, citado por 89,5% das famílias. Em seguida aparecem os carnês de loja (27,7%) e o financiamento de automóveis (7%). O comprometimento médio da renda familiar com dívidas alcançou 29,2%, e o tempo médio de atraso nas contas foi de 64 dias.

Para o presidente da Fecomércio-PE, Bernardo Peixoto, os resultados refletem o cenário atual do consumo: “A Fecomércio acompanha com atenção o comportamento do consumidor, pois ele é espelho da dinâmica do comércio e dos serviços. Embora haja uma leve melhora nos indicadores, a taxa de juros ainda elevada restringe o acesso ao crédito e inibe o consumo. Nosso papel é continuar orientando e apoiando o setor produtivo para que manter os bons resultados”, afirmou.

EMPREGO AJUDA PAGAR DÍVIDAS

O levantamento ainda mostra que a maior parte das famílias mantém dívidas por um período médio de oito meses, e cerca de um terço tem compromissos superiores a um ano. Esses dados reforçam a importância da educação financeira como instrumento de equilíbrio no consumo e no acesso ao crédito.

O economista da Fecomércio-PE, Rafael Lima, destacou alguns dados. “O saldo positivo de 12 mil empregos formais em agosto, segundo o Caged, tem contribuído para a manutenção da renda e para o pagamento de dívidas. Ainda assim, a taxa Selic elevada mantém o crédito caro, principalmente para financiamentos de imóveis e automóveis, o que reduz a capacidade de reendividamento e impõe um comportamento mais prudente nas decisões de consumo”, explicou.

 

 
 

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