Carnaval 2026: Galo Gigante reúne arte, educação ambiental e inclusão social
Obra do Instituto Leopoldo Nóbrega aposta em materiais reutilizados e reúne dezenas de profissionais em um processo coletivo de cocriação
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A escultura do Galo Gigante, um dos maiores símbolos do Carnaval do Recife, ganha forma este ano a partir de uma proposta que une arte, sustentabilidade, inclusão social e inovação.
Assinada pelo Instituto Leopoldo Nóbrega, a obra reúne experimentações criativas com materiais reutilizados e envolve dezenas de profissionais em um processo coletivo de cocriação.
Segundo o artista Leopoldo Nóbrega, o projeto aposta no reaproveitamento de resíduos e em técnicas diversas para construir uma narrativa que dialoga com o meio ambiente e com a cidade.
“Esse galo, ele traz um manancial de experimentações criativas com materiais descartados, com técnicas e tecnologias de inovação, porque a gente traz desde a robótica a serviço da arte quanto à própria artesania dessa coisa feita à mão”, afirmou.
Materiais utilizados
Entre os materiais utilizados estão redes de arrasto, conchas, lonas, tampinhas, CDS, DVDs e sobras de cenografia, todos integrados após passarem por um laboratório criativo.
Parte da inspiração da escultura parte da relação entre o mangue e o mar, especialmente visível nos pés do Galo, que incorporam elementos recolhidos e reutilizados.
“A experiência, por exemplo, de trazer conchinhas do mar como parte desse repertório de materiais e as redes de arrasto também, que são sobras e materiais descartados, é uma forma de trazer esse foco para os resíduos que chegam tão próximos, às vezes, do próprio mar. Não as conchinhas como maléficas para o meio ambiente, mas as próprias redes e tudo isso que chega lá e impacta nessa questão das águas. Então, do mangue ao mar, foi uma relação que a gente trouxe de inspiração para os pés do galo, que traz esses materiais.”
Processo de criação
O processo de criação também teve caráter formativo e inclusivo. O Instituto promoveu um chamamento público que reuniu cerca de 15 artesãos e produtores culturais, além de oficinas com moradores em situação de rua ou vulnerabilidade social.
As atividades, realizadas em parcerias com centros de apoio da Prefeitura do Recife e com a Traços – Estudos em Arteterapia, utilizaram descartes plásticos para a produção de mosaicos.
‘É uma obra que é inclusiva, que traz metodologias de participação, de cocriação, de inovação criativa, fala sobre sustentabilidade, fala sobre a importância da saúde mental, o cuidado com a saúde mental. É um aspecto muito forte dessa escultura trazer a importância da arteterapia como uma ferramenta de acesso e de autoconhecimento, de autocontrole”, explicou Leopoldo.
Homenagem a Dom Helder Câmara
Como parte da programação simbólica, a escultura receberá um coração em homenagem a Dom Helder Câmara e à ideia de fraternidade.
Na próxima terça-feira (10), às 18h, um cortejo com bloco lírico e parceiros sairá da Igreja de Santo Antônio, na Rua do Imperador, em direção à Ponte Duarte Coelho, onde o coração será instalado. A montagem do Galo será concluída na quarta-feira seguinte (11).
Sobre o Galo
Com cerca de 32 metros de altura, aproximadamente oito toneladas e a participação direta de cerca de 100 pessoas, a escultura permanecerá montada até o domingo após o Carnaval.
“Estamos aí, fazendo a escultura, fazendo história, reutilizando esses materiais. Todos os materiais são fruto de uma reutilização, de uma política de olhar para descartes como possibilidades para que isso seja uma ferramenta de educação. Então, o projeto Galo, a escultura gigante, é um projeto simbólico, é um projeto de transformação social”, ressaltou o artista.
Para a secretária de Cultura do Recife, Milu Megale, a subida do Galo já se consolidou como um marco que anuncia oficialmente o início da folia. Segundo ela, a movimentação da escultura para a ponte Duarte Coelho começa no dia 7.
“O folião recifense já sabe que quando o galo sobe, a folia começa. Não quero mais saber de nada, só de carnaval. Então, a gente preparou um dia mais especial para isso”, afirmou.
Para Milu, a imagem do Galo erguido mexe com o imaginário coletivo da cidade. A expectativa é que, mais uma vez, o Galo Gigante reúna multidões e reforce o espírito de criatividade, inclusão, fraternidade e inovação que marca o Carnaval do Recife.
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