‘É a hora do arrocha’, diz J. Eskine após emplacar o hit do Carnaval em 2025
Baiano de 25 anos foi responsável pelo viral 'Resenha do Arrocha', misturando refrãos de pagodão com o ritmo do arrocha: 'É um movimento que cresceu'

O hit do Carnaval de 2025 veio da Bahia, mas não foi um axé. O cantor J. Eskine, de 25 anos, foi o dono do sucesso "Resenha do Arrocha", uma faixa peculiar que compilou diversos refrãos do pagodão baiano, já conhecidos em Salvador, no ritmo do arrocha.
Esse mistura de gêneros musicais, inclusive, causou uma certa confusão na cabeça de parte do público, que acreditava que "Resenha do Arrocha" se tratava de uma banda ou grupo do ritmo.
No fim das contas, a faixa acabou "caindo como uma luva" para o contexto dos virais do Instagram e do TikTok, pois cada refrão viral da mesma música parecia uma nova faixa lançada.
Celebridades e influenciadores digitais, de Virgínia Fonseca a Gabriel Medina, entraram na onda. O nome de J. Eskine permaneceu em alta durante todo o verão, com diversas "trends" nas redes. Mais de 1 milhão de Reels foram criados utilizando a "Resenha". No Spotify, são mais de 94 milhões de plays.
'O movimento cresceu', diz J. Eskine
"Todas as músicas da faixa já existiam. São músicas do pagodão que já rodavam aqui em Salvador. Eu fiz uma releitura colocando a melodia do arrocha, que é uma parada gostosa de ouvir", explicou Eskine, em entrevista ao JC.
"No pagodão, essa prática de reunir vários refrões em uma música só se chama 'bloquinho'. Hoje em dia, o pagode é uma parada muito pout-pourri mesmo. Eles cantam uma parte, fazem um refrão, depois já tem outro refrão, e assim por diante. É uma febre em Salvador".
Após esse sucesso, ele acredita que o arrocha "está sendo consolidado nacionalmente". "Acho que é a hora do arrocha. Muitos artistas de outros estilos estão flertando com o ritmo, como sertanejo, forró, piseiro, trap e funk. Isso mostra que o movimento cresceu".
'Gângster do Arrocha'
Apesar de apostar em um ritmo ainda visto como "regional" em parte do país, Jonathan começou no rap/trap, integrando a banda Eskine, de onde herdou o nome artístico. Após vários lançamentos no trap, migrou para o arrocha em 2024 com "Naquela Noite" e viu sua música ganhar mais espaço.
"Escrevi uma música que, na minha cabeça, sabia que daria muito certo como arrocha. Chamei o produtor, que me ajuda até hoje, o Alef Donkin. Quando a soltei, notei mais portas abertas do que no trap. Acho que pela região, também, o arrocha hoje é muito forte na Bahia e no Nordeste", diz.
Apesar dessa mudança, o artista acredita que ainda carrega traços estéticos do trap. "As linhas melódicas continuam. Eu usava muito do R&B no meio do trap e trouxe isso para o arrocha. Além dessa própria identidade que criei, o 'Gangsta do Arrocha', que vem muito do trap. Pelo meu estilo ser mais de periferia, de rua, adotamos esse nome".
Pós-carnaval
J. Eskine agora traça o seu caminho após o furor do verão e do Carnaval. Ele conta com a parceria da HITLAB, gravadora e produtora que faz "gerenciamento 360º" de artistas nordestinos de selos brega, arrocha e música urbana.
"Estamos com um planejamento de carreira, para lançar projetos que me consolidem ainda mais no mercado. Graças a Deus já estou conseguindo bater metas com outras músicas, como 'Mãe Solteira'."