Chacina de Camaragibe: Justiça marca interrogatório dos 12 policiais réus por assassinatos
Depoimentos estão marcados para os dias 4 e 11 de junho, no Fórum de Camaragibe. Depois, juíza vai decidir se militares serão levados a júri popular
Clique aqui e escute a matéria
Os 12 policiais militares acusados de participação na sequência de assassinatos que ficou conhecida como a chacina de Camaragibe, ocorrida em setembro de 2023, sentarão no banco dos réus nos dias 4 e 11 de junho.
Por decisão da juíza Marília Falcone Gomes, titular da 1ª Vara Criminal de Camaragibe, nessas datas ocorrerão os interrogatórios dos acusados, finalizando a fase de audiências de instrução e julgamento do caso.
Na sequência, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), responsável pela acusação, e os advogados de defesa dos réus terão um prazo para apresentação das alegações finais. Após isso, a magistrada decidirá se os militares serão levados a júri popular.
A chacina teve início na noite de 14 de setembro de 2023, quando o soldado Eduardo Roque Barbosa de Santana, 33, e o cabo Rodolfo José da Silva, 38, foram acionados para o bairro de Tabatinga, em Camaragibe, onde houve uma denúncia de disparos de arma de fogo.
Ao chegarem no local, os militares foram mortos pelo vigilante Alex da Silva Barbosa, durante uma troca de tiros. Uma vizinha do atirador, Ana Letícia Carias, que estava grávida, também foi vítima de bala perdida. Ela faleceu semanas depois, mas a bebê sobreviveu.
A partir daí houve a caçada a Alex, classificada pelo MPPE como uma "operação vingança". Policiais militares de vários batalhões teriam se reunido não só para encontrar o vigilante, como também para matar parentes dele.
As primeiras vítimas foram três irmãos de Alex. Ágata Ayanne da Silva, 30, Amerson Juliano da Silva e Apuynã Lucas da Silva, ambos de 25, foram executados a tiros na mesma noite.
Ágata, inclusive, chegou a transmitir ao vivo pelo Instagram a chegada dos assassinos e o momento em que os tiros foram disparados.
Os 12 policiais militares são réus justamente pelo triplo homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e sem chance de defesa das vítimas).
Na lista estão:
Fábio Roberto Rufino da Silva, na época comandante do 20º Batalhão da PM;
Marcos Túlio Gonçalves Martins Pacheco, que ocupava o segundo posto de comando da inteligência da PM;
João Thiago Aureliano Pedrosa Soares, 1º tenente;
Paulo Henrique Ferreira Dias, soldado;
Leilane Barbosa Albuquerque, soldado;
Emanuel de Souza Rocha Júnior, soldado;
Dorival Alves Cabral Filho, cabo;
Fábio Júnior de Oliveira Borba, cabo;
Diego Galdino Gomes, soldado;
Janecleia Izabel Barbosa da Silva, cabo;
Eduardo de Araújo Silva, 2º sargento;
Cesar Augusto da Silva Roseno, 3º sargento.
Fábio Rufino e Marcos Túlio são apontados pelo MPPE como os mentores da operação de caçada a Alex. Diálogos obtidos em celulares de alguns dos réus descrevem a comemoração depois doa assassinatos de vítimas: "Tô feliz, tem que ser assim".
Atualmente, todos os réus estão respondendo ao processo em liberdade. As defesas negam que eles tenham participado dos assassinatos.
MORTES DE MÃE E ESPOSA DE ALEX AINDA SEM CONCLUSÃO
No dia seguinte às mortes dos policiais e dos irmãos de Alex, também foram encontrados os corpos da mãe do vigilante, Maria José Pereira da Silva, e da esposa dele, Maria Nathalia Campelo do Nascimento, 27. Estavam num canavial no município de Paudalho, Mata Norte do Estado.
A Polícia Civil e o MPPE, até hoje, não conseguiram concluir quem foram os autores dos assassinatos. O inquérito segue em andamento.
Já Alex foi morto, na mesma manhã, após uma intensa troca de tiros com policiais militares no bairro de Tabatinga. Esse processo foi arquivado, porque a investigação concluiu que houve legítima defesa.
POLICIAIS TAMBÉM SÃO RÉUS POR TORTURA
Os mesmos PMs acusados de triplo homicídio também respondem pelo crime de tortura na Vara de Justiça Militar.
Essa ação diz respeito à investigação de violência sofrida por uma cunhada de Alex e por um motorista de aplicativo que a levava para casa, no bairro de Tabatinga, na noite dos crimes. Eles teriam ameaçados, sob violência física e mental, a passar informações sobre o paradeiro do atirador.
Em paralelo, os PMs respondem a processos administrativos disciplinares da Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS), sem prazo para conclusão.

