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Conversas entre advogados e presos são gravadas em presídio do Ceará; Pernambuco não diz se adotará medida

Justiça autorizou instalação de equipamentos em parlatório de unidade de segurança máxima do Ceará para evitar que ordens de facções sejam repassadas

Por Raphael Guerra Publicado em 20/01/2026 às 10:32

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Na tentativa de evitar que ordens de facções criminosas sejam repassadas, o governo do Ceará instalou equipamentos de gravação nos parlatórios de uma penitenciária estadual de segurança máxima. Na prática, com autorização judicial, todas as conversas entre advogados e presos passaram a ser monitoradas.

A medida tem recebido críticas da Ordem dos Advogados do Brasil - seccional Ceará (OAB-CE), que impetrou pedido de liminar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que fosse determinada a retirada de todos os equipamentos.

A entidade alegou que a autorização judicial viola o sigilo das comunicações entre advogados e clientes, protegido pelo Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994), pela Lei de Execução Penal e pela Constituição Federal. 

O presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, indeferiu o pedido na semana passada. Ele afirmou, na decisão, que não se verifica, no caso, "ilegalidade manifesta nem situação de urgência capaz de justificar a concessão da medida excepcional". 

Inicialmente, as gravações foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) por 180 dias, atendendo a um pedido do Ministério Público Estadual, que pontou que a unidade prisional abriga líderes de facções, e a gravação das conversas teria como objetivo impedir que fossem repassadas ordens a integrantes desses grupos.

O mérito do pedido da OAB-CE ainda será analisado pela Sexta Turma, sob a relatoria do ministro Rogerio Schietti Cruz.

PERNAMBUCO SILENCIA SOBRE MEDIDA

A coluna Segurança questionou se o governo de Pernambuco pretende adotar medida semelhante no Presídio de Itaquitinga, na Mata Norte, classificado como de segurança máxima e que abriga líderes das principais organizações criminosas com atuação no Estado.

A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) não informou se há estudos nesse sentido, gerando suspeitas de que, em breve, o Estado possa solicitar ao Poder Judiciário autorização semelhante à concedida ao Ceará, com o objetivo de ampliar as ações de segurança.

"A Secretaria de Administração Penitenciária informa que, por medida de segurança, não repassa informações", disse a pasta estadual em nota oficial. 

Todos os cinco presídios federais do País contam com equipamentos de gravação de áudio e vídeo nos parlatórios. 

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