Traição e assassinato: polícia diz que mulher incentivou marido a matar amante no Recife
Operação policial prendeu cinco suspeitos, incluindo o casal, por envolvimento no crime, ocorrido no bairro do Totó em 2024. Outro homem está foragido
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Um operação da Polícia Civil, nesta quarta-feira (14), prendeu cinco pessoas suspeitas de envolvimento na morte de um homem numa churrascaria localizada no bairro do Totó, na Zona Oeste do Recife. Segundo as investigações, o crime teve motivação passional.
Os investigadores afirmaram que Marlon Alexandre Neto de Araújo, de 34 anos, foi morto porque era amante de uma mulher presa na operação. Ela teria incentivado o marido para que o crime fosse cometido, após ele perceber que estava sendo traído.
"Um dos executores estava desconfiando que a vítima tinha um caso extraconjugal com a esposa dele, o que acarretou nesse crime após alguns meses. Para que eles se reconciliassem, virassem a página e voltassem a ficar bem no relacionamento, ela instigou e incentivou que ele [marido] cometesse o crime", explicou a delegada Mariana Martins, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
O assassinato de Marlon foi filmado por câmeras de segurança da churrascaria. As imagens mostraram o momento em que quatro homens armados invadiram a churrascaria e atiraram contra a vítima, que morreu na hora.
O marido que estava sendo traído dirigiu o carro até o local, de acordo com a investigação.
A polícia revelou que a vítima vinha sendo ameaçada.
"Quando colhemos depoimento da família, eles relataram que, após ele [marido] descobrir o relacionamento extraconjugal, passou a proferir ameaças. Ao ser interrogado, ele negou, mas constatamos que isso ocorreu", disse a delegada.
Todos os envolvidos no crime seriam integrantes de uma organização criminosa especializada em homicídios, tráfico de drogas e roubo de cargas, com atuação forte no município de São José da Coroa Grande, Litoral Sul de Pernambuco.
"O grupo era muito estruturado e a diversidade de crimes chamou a atenção da polícia", pontuou o delegado Diego Jardim, que também participou das investigações.
Ele ressaltou que a vítima do homicídio não tinha antecedentes criminais, mas conhecida pessoas do grupo.
Na operação Pacto de Sangue, como foi denominada, a Polícia Civil cumpriu os mandados de prisão contra o casal no Arquipélago de Fernando de Noronha. Marido e mulher curtiam dias de descanso desde a segunda-feira, e foram surpreendidos com a chegada dos policiais nesta quarta.
Dois irmãos suspeitos de participação no assassinato estão presos desde o ano passado. Os mandados contra eles foram cumpridos no Presídio de Igarassu, no Grande Recife. Outro suspeito de ser executor foi preso no Recife. E mais um segue foragido.
Os nomes e idades dos suspeitos presos não foram revelados pela polícia.
ARMAS, DINHEIRO E CARTÕES APREENDIDOS
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, a polícia apreendeu três armas de fogo, mais de R$ 44 mil em dinheiro e mais de 100 cartões, o que chamou a atenção dos investigadores. Todos os materiais foram encaminhados para perícia.
Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos pela Primeira Vara do Tribunal do Júri da Capital. A operação mobilizou 60 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães.
As investigações foram assessoradas pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil (Dintel), com o apoio operacional da Gerência de Inteligência e Segurança Orgânica da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização.