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Chacina de Camaragibe: perícia não identifica oficial da PM na cena de crimes

Laudo apontou que falta de nitidez de imagens e vestimentas encobrindo os corpos dos assassinos prejudicaram conclusão sobre presença de policial réu

Por Raphael Guerra Publicado em 22/12/2025 às 10:31 | Atualizado em 02/02/2026 às 9:31

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Uma perícia concluiu que não é possível comprovar a participação presencial de um oficial da Polícia Militar de Pernambuco na sequência de assassinatos que ficou conhecida como a chacina de Camaragibe, ocorrida em 2023 após as mortes de dois colegas de farda. 

O laudo, obtido com exclusividade pelo Jornal do Commercio, chegou às mãos da Justiça na semana passada. O documento assinado pelo perito criminal Diego Cruz, do Instituto de Criminalística de Pernambuco, descreveu que o vídeo de três minutos e cinco segundos analisado apresentava ausência de nitidez e que não era possível afirmar se o 1º tenente João Thiago Aureliano Pedrosa Soares, um dos réus, estava na cena do crime. 

As imagens periciadas são referente às mortes de  Ágata Ayanne da Silva, 30, Amerson Juliano da Silva e Apuynã Lucas da Silva, ambos de 25, irmãos do vigilante Alex da Silva Barbosa, autor dos assassinatos de dois policiais militares no bairro de Tabatinga, em Camaragibe, no Grande Recife. Segundo denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o trio foi executado a tiros por vingança durante a caçada da PM a Alex. 

Ágata iniciou uma transmissão ao vivo mostrando a chegada dos assassinos e o momento em que as execuções são iniciadas. É justamente esse vídeo que foi analisado pela perícia, a pedido da defesa do 1º tenente que responde por triplo homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e sem chance de defesa das vítimas). Ao todo, são 12 réus

Segundo avaliação do perito criminal, o vídeo estava com pousa resolução e os assassinos que apareciam nas imagens utilizavam balaclavas e vestimentas encobrindo a maior parte dos corpos. O perito apontou ainda a "ausência de objetos na cena do crime que possam servir de referência para aplicação da técnica de fotogrametria forense, no que se refere a ângulo de captura e alinhamento com a pessoa questionada".

REPRODUÇÃO
Transmissão ao vivo em rede social mostrou mortes de três irmãos do vigilante Alex da Silva Barbosa - REPRODUÇÃO

No documento, o perito concluiu que "não é possível constatar se o acusado João Thiago Aureliano Pedrosa Soares está ou não presente no local dos fatos". 

O resultado deve ser usado pela defesa do réu para tentar inocentá-lo no processo, ainda sem data de julgamento. 

Além de João Thiago, também são réus: o então comandante do 20º Batalhão da PM, coronel Fábio Roberto Rufino da Silva; Marcos Túlio Gonçalves Martins Pacheco, que ocupava o segundo posto de comando da inteligência da PM; Paulo Henrique Ferreira Dias, soldado; Leilane Barbosa Albuquerque, soldado; Emanuel de Souza Rocha Júnior, soldado; Dorival Alves Cabral Filho, cabo; Fábio Júnior de Oliveira Borba, cabo; Diego Galdino Gomes, soldado; Janecleia Izabel Barbosa da Silva, cabo; Eduardo de Araújo Silva, 2º sargento; Cesar Augusto da Silva Roseno, 3º sargento.

Fábio Rufino e Marcos Túlio são apontados pelo MPPE como os mentores da operação de caçada a Alex. Diálogos obtidos em celulares de alguns dos réus descrevem a comemoração depois doa assassinatos de vítimas: "Tô feliz, tem que ser assim"

Todos estão respondendo ao processo na 1ª Vara Criminal da Comarca de Camaragibe em liberdade. 

MORTES DE MÃE E ESPOSA DE ALEX AINDA SEM CONCLUSÃO

A chacina teve início na noite de 14 de setembro de 2023, quando o soldado Eduardo Roque Barbosa de Santana, 33, e o cabo Rodolfo José da Silva, 38, foram acionados para o bairro de Tabatinga, onde houve uma denúncia de disparos de arma de fogo.

Ao chegarem no local, os militares foram mortos por Alex durante a troca de tiros. Uma vizinha do atirador, Ana Letícia Carias, que estava grávida, também foi vítima de bala perdida. Ela faleceu semanas depois, mas a bebê sobreviveu.

A partir daí houve a caçada a Alex, resultando nas mortes dos três irmãos dele. Por volta das 9h de 15 de setembro, também foram encontrados os corpos da mãe, Maria José Pereira da Silva, e da esposa do vigilante, Maria Nathalia Campelo do Nascimento, 27, num canavial na cidade de Paudalho, Mata Norte do Estado.

A Polícia Civil e o MPPE, até hoje, não conseguiram concluir quem foram os autores dos assassinatos. O inquérito segue em andamento. 

Já Alex foi morto, na mesma manhã, após uma intensa troca de tiros com policiais militares no bairro de Tabatinga. Esse processo foi arquivado, porque a investigação concluiu que houve legítima defesa. 

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