VIOLÊNCIA | Notícia

Desativação de penitenciária não é solução: crime organizado segue firme em Itamaracá

Apesar da expectativa do retorno do turismo ao antigo cartão-postal do Litoral Norte de Pernambuco, segurança pública precisa ser ampliada na região

Por Raphael Guerra Publicado em 02/04/2025 às 14:32

Mal foi anunciada a desativação da Penitenciária Professor Barreto Campelo, na Ilha de Itamaracá, e a expectativa cresceu entre moradores e empresários do ramo do turismo por melhorias e investimentos no antigo cartão-postal do Litoral Norte de Pernambuco. 

Mas, sob o aspecto da segurança pública, é preciso ter em mente que o fim da penitenciária não é a solução para acabar com a violência e imediatamente trazer de volta os turistas à ilha. O crime organizado segue firme em Itamaracá - inclusive com integrantes da Trem Bala, facção que também atua fortemente na praia de Porto de Galinhas, no Litoral Sul do Estado

O reforço de policiamento e de investigação é fundamental para extinguir os grupos criminosos da ilha.

Um promotor de Justiça, em reserva, reforçou, inclusive, que os crimes que ocorrem em Itamaracá são determinados, em sua maioria, por líderes de facções que cumprem pena no Presídio de Igarassu- devido à disputa por territórios. 

"Os líderes estão ali dentro, com acesso a telefone e ordenando mortes, comandando o tráfico [de drogas]", pontuou. 

De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), 23 pessoas foram assassinadas em Itamaracá no ano passado. A taxa é de 90,1 mortes por 100 mil habitantes - considerada uma das mais altas do País. 

No mesmo período de 2023, a polícia somou 29 assassinatos no município. 

TREM BALA

A Trem Bala é conhecida pela violência extrema com que age contra rivais. Os integrantes sequestram, torturam e enterram as vítimas em mangues.

Para a polícia, o grupo é bem organizado, com estrutura hierárquica e divisão de tarefas entre os membros: há "olheiros", vendedores de drogas, gerentes do tráfico, homicidas, "laranjas" que emprestam contas bancárias para a lavagem de dinheiro, chefias e líderes da organização.

Mesmo com frequentes prisões, a facção avança por municípios pernambucanos. Já atua em Ipojuca (onde Porto de Galinhas está localizado), Cabo de Santo Agostinho, Sirinhaém, Escada, Jaboatão dos Guararapes, Goiana, entre outros.

Investigadores identificaram que o grupo tem ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e com o Comando Vermelho. 

GUERRA ENTRE FACÇÕES RESULTOU EM MORTES EM MEDO EM 2024

Em fevereiro do ano passado, a guerra entre facções pelo domínio do tráfico de drogas resultou em mortes de inocentes e medo para os moradores do bairro do Pilar, em Itamaracá. 

No dia 17 daquele mês, criminosos fortemente armados invadiram uma casa e mataram o bebê Gael Lourenço França do Carmo, de nove meses. A mãe a avó dele também ficaram feridas.

Cinco dias depois, em represália, um grupo rival destruiu a porta de uma residência e atirou em três crianças. Uma delas, Jackson Kovalick Dantas Silva, de 10 anos, morreu.

Compartilhe