Endometriose: saiba como identificar e onde buscar atendimento gratuito
Condição atinge mais de 7 milhões de brasileiras e o atraso no diagnóstico pode chegar a sete anos; instituição oferece avaliação médica sem custos
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Neste 13 de março, dia nacional de luta contra a endometriose, o alerta da comunidade médica é unânime: sentir dor incapacitante não é normal. A doença crônica, que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo — aproximadamente 190 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) —, ainda esbarra na desinformação e na naturalização do sofrimento pelas próprias pacientes.
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio (que normalmente reveste o interior do útero) se desenvolve fora da cavidade uterina, infiltrando-se em órgãos da pelve, como ovários, trompas, intestino e bexiga. No Brasil, estimativas apontam que mais de 7 milhões de mulheres convivam com a patologia.
Os riscos do diagnóstico tardio
Estudos internacionais indicam que o tempo médio entre os primeiros sinais da doença e a confirmação médica pode chegar a até sete anos. Esse atraso está diretamente associado à progressão do quadro, gerando impactos físicos, risco aumentado para ansiedade e depressão, além de afetar a produtividade profissional e a vida reprodutiva.
Os sintomas que exigem investigação médica incluem:
- Dor pélvica crônica e cólicas incapacitantes (que não cedem com analgésicos comuns);
- Dor profunda durante as relações sexuais;
- Alterações intestinais ou urinárias, especialmente no período menstrual;
- Dificuldade para engravidar (dados apontam que a condição pode estar presente em até 50% das mulheres com infertilidade).
O ginecologista Jardel Pereira Soares, especialista em endoscopia ginecológica e autor do livro "Descomplicando a Endometriose", reforça que a banalização das queixas atrasa a busca por ajuda.
“A dor intensa não pode ser considerada normal. Muitas mulheres crescem ouvindo que cólica forte faz parte da vida. Esse entendimento equivocado atrasa o diagnóstico e compromete a qualidade de vida. Informação baseada em evidência científica é fundamental para romper esse ciclo”, afirma o médico.
Caminhos para o tratamento
O cuidado da endometriose exige uma abordagem individualizada, considerando a extensão das lesões, a intensidade da dor e o desejo de gravidez da paciente. O tratamento pode variar desde o bloqueio hormonal com medicamentos até cirurgias minimamente invasivas, como a videolaparoscopia e a cirurgia robótica, que oferecem maior precisão e recuperação mais rápida.
“Quando o diagnóstico é feito precocemente, conseguimos planejar melhor o tratamento, controlar a dor e preservar a fertilidade. O tempo é um fator determinante”, explica Soares.
A ginecologista Maria Carolina Valença, professora de pós-graduação da Afya Educação Médica Recife, complementa que a persistência das dores é o principal indicativo para a busca de um especialista.
“Cólicas incapacitantes, dor durante as relações sexuais, dor pélvica crônica e dificuldade para engravidar são sinais de alerta. Quando esses sintomas aparecem de forma persistente, é fundamental procurar avaliação médica para investigar a possibilidade de endometriose”.
Atendimento gratuito no Recife
Para combater a subnotificação e democratizar o acesso à saúde da mulher, a Afya Educação Médica Recife oferece atendimento ginecológico especializado e sem custos. As consultas são conduzidas por médicos em formação, com a supervisão direta de ginecologistas especialistas.
- Onde: Afya Educação Médica Recife (Av. Engenheiro Domingos Ferreira, 2324/2336, Boa Viagem, Recife).
- Como agendar: o agendamento prévio é obrigatório e deve ser feito pelo telefone ou WhatsApp (81) 92004-5276.
- Público: mulheres que apresentam os sintomas descritos ou que precisam investigar quadros de dor pélvica crônica e infertilidade.