Carnaval: como proteger os joelhos de lesões durante a maratona de blocos
Esforço em terrenos irregulares eleva o risco de entorses e danos ao menisco; especialistas alertam para o perigo de mascarar dores com automedicação
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A maratona de blocos, o ritmo acelerado das danças típicas e os longos percursos em terrenos irregulares transformam o Carnaval em uma prova de resistência física para os foliões. No entanto, o que deveria ser apenas celebração pode resultar em danos severos às articulações.
Entre os membros mais exigidos estão os joelhos, que ficam vulneráveis a sobrecargas e traumas mecânicos decorrentes de horas de atividade ininterrupta.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, durante grandes festividades populares, o aumento na demanda por atendimentos ortopédicos está frequentemente associado a quedas, entorses e esforços repetitivos.
No contexto do Carnaval, a combinação de ladeiras, multidões e o uso de calçados inadequados cria o cenário ideal para lesões que podem variar de inflamações leves a casos cirúrgicos.
Por que o risco aumenta na folia?
O joelho é uma articulação complexa que suporta grande parte do peso corporal e garante a estabilidade do movimento. Durante a festa, essa estrutura é levada ao limite. O médico ortopedista Leonardo Monteiro explica que o esforço contínuo em condições adversas compromete a integridade articular.
“O joelho já trabalha próximo do limite fisiológico no dia a dia. Durante o Carnaval, a sobrecarga aumenta de forma significativa, elevando o risco de entorses, lesões meniscais e ligamentares”, afirma o médico.
Além do impacto físico direto, fatores externos ampliam o perigo. Pisos escorregadios ou acidentados e o empurra-empurra comum em grandes aglomerados aumentam a chance de movimentos bruscos de torção.
Outro agravante é o consumo de álcool: ao reduzir os reflexos e a percepção de dor, a substância faz com que o folião ignore sinais de cansaço, sobrecarregando ainda mais os ligamentos.
Estratégias de prevenção e mitigação de danos
A prevenção começa pela escolha do vestuário e pela preparação básica do corpo. O objetivo é oferecer suporte à articulação e garantir que a musculatura ao redor do joelho esteja pronta para absorver parte do impacto.
Orientações essenciais para o folião:
- Escolha do calçado: priorize tênis com bom sistema de amortecimento e estabilidade. Calçados abertos, sem travas no calcanhar ou com solados muito finos, não absorvem o impacto e facilitam torções.
- Aquecimento prévio: antes de iniciar o percurso, realizar alongamentos leves e movimentos de aquecimento prepara tendões e músculos para a atividade.
- Hidratação constante: a desidratação interfere na lubrificação das articulações e na elasticidade dos tecidos, tornando-os mais suscetíveis a danos.
- Pausas estratégicas: respeitar os limites do corpo e intercalar períodos de descanso ajuda a evitar a fadiga muscular, que é uma das principais causas de desequilíbrio e queda.
O que fazer em caso de dor ou trauma
Um erro comum entre os foliões é o uso indiscriminado de analgésicos e anti-inflamatórios para "aguentar" o restante da festa. A prática é condenada por especialistas, pois a medicação interrompe o sinal de alerta do corpo.
“O uso de analgésico é perigoso porque mascara a dor e pode piorar a lesão. Em situações de dor ou trauma, o ideal é observar o sintoma e procurar assistência médica”, orienta Leonardo Monteiro.
Em caso de pancadas ou desconforto leve, a recomendação inicial é a aplicação de gelo. O procedimento deve ser feito por 15 a 20 minutos, a cada quatro ou seis horas, sempre utilizando uma proteção para evitar queimaduras na pele.
Por outro lado, as massagens no local do trauma devem ser evitadas. Segundo o ortopedista, a manipulação da área atingida pode aumentar a vascularização local, agravando o inchaço e a inflamação.
Caso surjam sintomas como limitação de movimento, estalidos acompanhados de dor ou inchaço imediato, a busca por uma unidade de saúde deve ser imediata.