Novo capítulo da insulina no SUS: Ministério da Saúde inicia transição de tratamento de diabetes após alertas de desabastecimento
Substituição da NPH para glargina (aplicação única e ação prolongada) começa em 4 Estados. Crianças, adolescentes e idosos são prioridades
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Depois de enfrentar problemas de desabastecimento de insulina e críticas à qualidade de canetas aplicadoras em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) inicia agora a transição da insulina humana para a glargina, um medicamento mais moderno que exige apenas uma aplicação por dia. Milhares de brasileiros com diabetes que dependem da rede pública estão prestes a ganhar esse novo tratamento, que oferece mais segurança e menos risco de hipoglicemia, com uma rotina de tratamento mais simples.
É um passo que combina inovação no cuidado ao paciente com a aposta na produção nacional de medicamentos. O projeto-piloto será realizado inicialmente no Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal, ao contemplar crianças e adolescentes de até 17 anos que vivem com diabetes tipo 1, e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2. A estimativa é que mais de 50 mil pessoas sejam contempladas nessa primeira fase.
"A expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto da importância do fortalecimento do nosso complexo industrial. Depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no País. Isso traz garantia e segurança para os pacientes", reforça o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A glargina é uma insulina de ação prolongada (de até 24 horas, o que facilita a manutenção dos níveis de glicose) e de aplicação única no dia.
A transição será feita de forma gradual, a partir da avaliação de cada paciente. Nos quatro Estados, o Ministério da Saúde tem promovido treinamento para auxiliar os profissionais de saúde da Atenção Primária. Após os primeiros meses, será feita uma avaliação dos resultados para construção de um cronograma de expansão para os demais Estados do país.
O tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250, para dois meses, na rede privada. A ampliação da sua oferta no SUS está alinhada às melhores práticas internacionais.
Desenvolvimento tecnológico e autonomia do SUS
A expansão do uso da insulina glargina no SUS é resultado de Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), com envolvimento do laboratório público Bio-Manguinhos, da Fiocruz, com a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a chinesa Gan & Lee.
A iniciativa prevê a transferência desta tecnologia para o Brasil. Em 2025, por meio desta parceria, foram entregues mais de 6 milhões de unidades do medicamento, com investimento de R$ 131 milhões. A previsão é chegar ao final de 2026 com capacidade de produção de até 36 milhões de tubetes para o abastecimento do SUS.
A autonomia na produção de insulina é fundamental diante de cenário de escassez global deste insumo. Além da parceria para produção de insulina glargina, o Ministério da Saúde promoveu também parceria para a fabricação nacional da insulina NPH e regular, em frascos e tubetes.
A parceria envolve a farmacêutica indiana Wockhardt, o laboratório público Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a Biomm.
A transferência de tecnologia entre as empresas já teve início, com contrato que prevê a produção e entrega de 8 milhões de unidades até 2026. Dessas, quase 2 milhões já foram entregues, com investimento de R$ 142 milhões do governo federal.