Primeira ressonância anticlaustrofobia com IA começa a funcionar no Recife

Aparelho tem abertura mais larga, bloco interno mais curto e ruído reduzido. Real Hospital Português é o primeiro hospital do País a instalar máquina

Por Cinthya Leite Publicado em 10/12/2025 às 15:49 | Atualizado em 17/12/2025 às 15:39

Clique aqui e escute a matéria

Quem já precisou passar pelo exame de ressonância magnética conhece bem a cena: ambiente fechado, barulho intenso e a sensação de estar dentro de um cilindro apertado. Para pessoas com ansiedade ou claustrofobia (medo ou desconforto de espaços fechados), isso vira um verdadeiro desafio médico. Agora, pacientes do Recife começam a experimentar uma versão menos desconfortável desse exame

A unidade de Boa Viagem do Real Hospital Português (RHP), na Zona Sul da capital pernambucana, acaba de instalar a uMR 670 (tecnologia inédita no Brasil). O aparelho, fabricado pela United Imaging Healthcare, tem abertura mais larga (70 cm), bloco interno mais curto e ruído reduzido.

Juntos, esses elementos diminuem a sensação de aprisionamento, uma das principais queixas em exames tradicionais.

"A chegada da uMR 670 é um marco para o Real Hospital Português e para o diagnóstico por imagem no Brasil. Estamos trazendo uma tecnologia que não apenas melhora a qualidade das imagens, mas também transforma a experiência do paciente, tornando-a mais confortável e segura", afirma o gerente médico do Real Imagem, João Eduardo da Fonte.

Além do espaço interno maior, o equipamento monitora a respiração sem necessidade dos sensores e correias normalmente presos ao corpo, outro ponto que costuma gerar desconforto, principalmente em crianças, idosos e pacientes oncológicos.

RHP/DIVULGAÇÃO
Máquina também adota algoritmos de inteligência artificial para agilizar as etapas do procedimento: do posicionamento ao processamento das imagens - RHP/DIVULGAÇÃO

Mais especialidades médicas atendidas

O novo equipamento pode ser usado em diferentes especialidades, como neurologia, oncologia e musculoesquelética. Para o hospital, a instalação abre espaço para fortalecer o atendimento de alta complexidade no Recife, sobretudo na Zona Sul.

"Ser pioneiro na adoção dessa tecnologia reforça nosso compromisso com a excelência e a inovação. Estamos investindo para que nossos pacientes tenham acesso ao que há de mais avançado no mundo, com diagnósticos mais rápidos e confiáveis", ressalta o superintendente ambulatorial do RHP, Islan Moisalye.

Inteligência artificial entra na sala de exames

A máquina também adota algoritmos de inteligência artificial para agilizar as etapas do procedimento: do posicionamento ao processamento das imagens. Na prática, o exame tende a ser mais rápido e a entrega diagnóstica, mais precisa.

O investimento, de R$ 4,5 milhões, integra o projeto de ampliação da unidade Boa Viagem do RHP, que agora passa a operar como um polo com emergência 24h, consultórios e centro diagnóstico.

Inovação acelera debate entre fabricantes e operadores

Seis dias após a publicação desta matéria (ou seja, em 16 de dezembro), a assessoria de comunicação da Siemens Healthineers, a Burson Brasil , entrou em contato com esta coluna para informar que "equipamentos de ressonância magnética com abertura de 70 cm e funcionalidades de IA já operam no Recife". 

A cidade, segundo a nota, "conta atualmente com 11 equipamentos de ressonância magnética com abertura de 70 cm, somente da Siemens Healthineers (sem considerar outras marcas)". 

Sobre a abertura de 70 cm, a nota destaca que isso "proporciona uma experiência mais acolhedora, especialmente para pacientes que apresentam ansiedade ou desconforto durante os exames, garantindo maior bem-estar. Além disso, a diversidade de modelos disponíveis permite atender a diferentes necessidades clínicas com agilidade e precisão, reforçando nossa dedicação à eficiência operacional e à excelência diagnóstica". 

A assessoria de comunicação acrescenta que, "no portfólio da Siemens Healthineers, os sistemas de ressonância magnética MAGNETOM Altea, Sola e Flow.Elite contam com abertura de 70 cm e incorporam soluções avançadas baseadas em inteligência artificial, que otimizam a reconstrução de imagens e automatizam fluxos de trabalho, o que garante maior eficiência e precisão diagnóstica". 

Nesse contexto, destaca a o modelo mais recente, MAGNETOM Flow.Elite, que "foi oficialmente apresentado durante a Jornada Paulista de Radiologia (JPR) 2025, realizada em abril deste ano". 

RHP sustenta que equipamento reúne soluções ainda não disponíveis no Brasil

Em resposta às ponderações feitas pela Siemens Healthineers, o Real Hospital Português (RHP) afirma que o caráter inédito da nova ressonância magnética anunciada não está na largura do túnel (característica já presente em outros equipamentos em operação no Recife), mas no conjunto de tecnologias embarcadas.

Segundo o hospital, a uMR 670 reúne recursos que ainda não estão disponíveis de forma integrada no País, ao combinar inteligência artificial aplicada a todas as etapas do exame, monitoramento respiratório sem contato e redução significativa de ruído, com impacto direto na experiência do paciente e na precisão diagnóstica.

"A abertura de 70 cm não é exclusiva e já está presente em outros equipamentos, inclusive no próprio RHP. No entanto, essa característica não define a inovação anunciada. O diferencial da uMR 670, desenvolvida pela United Imaging Healthcare, está em um conjunto de recursos inéditos no Brasil, que vão além da dimensão física do túnel", destaca, em nota, o RHP. 

Entre os recursos, o RHP destaca a "Plataforma uAIFI Technology, que utiliza inteligência artificial para otimizar todas as etapas do exame, desde posicionamento à reconstrução das imagens, garantindo maior precisão e agilidade; o monitoramento respiratório sem contato, dispensando sensores e correias, o que aumenta o conforto do paciente, especialmente crianças, idosos e pacientes oncológicos; e a redução significativa de ruído, tornando o exame menos desconfortável para pessoas com ansiedade ou claustrofobia". 

Esses diferenciais, aliados à cobertura clínica ampliada, segundo o RHP, "tornam a uMR 670 uma solução única no País. Por isso, reafirmamos que o Real Hospital Português é o primeiro hospital do
Brasil a instalar a ressonância uMR 670, que já conta com todos os componentes citados
acima instalados de fábrica, reforçando nosso compromisso com inovação e cuidado
humanizado". 

Por fim, o hospital acrescenta que "a Siemens Healthineers é uma parceira importante do RHP em outras soluções de diagnóstico por imagem, o que evidencia nossa estratégia de trabalhar com diferentes líderes globais para garantir sempre o melhor para nossos pacientes". 

*Matéria atualizada em 17/12/2025, com notas da Siemens Healthineers e do RHP.

Compartilhe

Tags