Entre o sono e as telas: o impacto da luz artificial nos hormônios de crianças e adolescentes

Pesquisadora inglesa apresenta, em congresso de endocrinologia pediátrica, evidências sobre efeitos da exposição a telas no desenvolvimento infantil

Por Cinthya Leite Publicado em 11/11/2025 às 17:52 | Atualizado em 11/11/2025 às 18:12

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Sono, vigília, metabolismo e telas. A vida moderna tem embaralhado esses ritmos e alterado a forma como o corpo reage ao tempo, especialmente na infância. O impacto da exposição à luz artificial e às telas no desenvolvimento hormonal das crianças e adolescentes será um dos assuntos em pauta no 16º Congresso Brasileiro de Endocrinologia Pediátrica (Cobrapem), que acontece de 12 a 15 de novembro no Recife Expo Center, no bairro de São José, Centro do Recife. 

O evento volta à capital pernambucana após 22 anos e tem como tema central o fortalecimento de vínculos entre o pediatra geral e a endocrinologia pediátrica. 

A temática dos ritmos biológicos como sono, vigília e metabolismo será abordada pela pesquisadora inglesa Aarti Jagannath, especialista em cronobiologia. "Essa aula promete ser uma das mais bonitas do congresso. Ela vai explorar por que dormimos, o papel da genética e da fisiologia do sono humano e como a vida moderna tem alterado o relógio biológico das nossas crianças", diz a presidente do congresso, a endocrinologista infantil Jacqueline Araújo.

"Vamos discutir os efeitos da exposição às telas, da falta de sono e da desorganização dos ritmos naturais sobre o crescimento, a puberdade, o ganho de peso e até o risco de doenças como hipertensão, diabetes e câncer", alerta. 

A discussão sobre o impacto das telas, o sono e o desenvolvimento hormonal se soma a outras questões contemporâneas que atravessam o congresso, como o papel da arte, da empatia e da tecnologia no exercício da medicina.

Desafios, escuta e acolhimento

Na quinta-feira (13) pela manhã, durante a abertura do congresso, o pediatra Emanuel Sarinho conduzirá a aula-arte 'Medicina: crônica de uma morte anunciada' e fará um convite à reflexão sobre os desafios e as transformações da profissão médica.

A programação do 16º Cobrapem inclui ainda atividades que convidam à escuta e ao acolhimento, temas que têm ganhado espaço na prática pediátrica.

Na sexta-feira (14), uma peça de teatro dentro do congresso reunirá médicos e atores para discutir variabilidade de gênero. Intitulada 'A vida imita a arte, o teatro imita a vida', a encenação pretende ampliar o olhar do profissional sobre o atendimento a adolescentes e adultos que trazem dúvidas sobre identidade de gênero.

"A peça pretende sensibilizar o público médico a atender, com empatia e acolhimento, o adolescente ou adulto que chega com questionamentos sobre o próprio gênero. Nem todo médico se sente preparado para conduzir esses casos, mas o primeiro contato é essencial e precisa ser humano e acolhedor", frisa a presidente.

A relação entre medicina e arte também aparece em outros momentos da programação. A endocrinologista Berenice Mendonça, professora da Universidade de São Paulo (USP) e referência internacional na área, apresenta a aula 'O que Berenice sabe de Clarice', inspirada na escritora Clarice Lispector, nascida no Recife. A proposta é refletir sobre como a literatura e a emoção atravessam o trabalho científico.

Tecnologia, cinema e cultura local

O congresso também reserva espaço para temas ligados à inovação. Uma das conferências será dedicada à inteligência artificial na prática médica, numa abordagem sobre a forma como o uso dessas ferramentas pode apoiar diagnósticos e decisões clínicas.

Outra sessão especial discutirá como o cinema pode ajudar a compreender dilemas e avanços da medicina. Entre uma mesa e outra, o público será convidado a apreciar manifestações culturais pernambucanas, incorporadas à programação para valorizar a identidade local.

Debates científicos

O encontro reúne nomes nacionais e internacionais e discutirá questões centrais da endocrinologia pediátrica, como: 

  • Crescimento e desenvolvimento, deficiência de hormônio do crescimento e estratégias de acompanhamento;
  • Distúrbios da puberdade e abordagens multiprofissionais;
  • Obesidade infantil e síndrome metabólica;
  • Distúrbios da tireoide e seus efeitos no aprendizado e metabolismo;
  • Transição do paciente pediátrico para o adulto;
  • Avanços no diagnóstico e tratamento de doenças raras e genéticas.

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