Dermatite atópica: setembro reforça alerta sobre doença que afeta milhões de brasileiros
Doença inflamatória crônica da pele afeta milhões de brasileiros, provoca coceira intensa e descamação, mas ainda é cercada de dúvidas e preconceitos
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Para o bom pernambucano, setembro é sinônimo de sol, praia e ares de verão — mesmo que o calendário ainda diga primavera. Mas, no campo da saúde, o mês também carrega um alerta importante: o dia 23 é marcado como o Dia Nacional de Conscientização sobre a Dermatite Atópica, uma doença inflamatória crônica da pele que atinge cerca de 3 milhões de brasileiros e ainda sofre com a falta de informação e estigmas.
O que é dermatite atópica
A dermatite atópica é caracterizada por pele ressecada, vermelhidão, descamação e, sobretudo, coceira intensa, que pode comprometer o sono, o convívio social e a autoestima dos pacientes. Apesar de não ser contagiosa, está ligada a predisposição genética e fatores ambientais como poluição, poeira, clima seco e até estresse.
Segundo a dermatologista Marina Coutinho, a doença é frequentemente confundida com alergias comuns. “A dermatite atópica não é transmissível. O que ocorre é uma predisposição hereditária, muitas vezes associada a outras condições atópicas, como rinite e asma. É fundamental diferenciar, porque estamos lidando com uma doença crônica que precisa de acompanhamento médico”, explica.
Números e impacto da doença
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dermatite atópica afeta cerca de 20% das crianças e 3% dos adultos em todo o mundo. No Brasil, estima-se que entre 2 e 3 milhões de pessoas convivam com a doença.
- Não é contagiosa;
- Pode ser agravada por estresse, poluição e clima seco;
- Não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento;
- O diagnóstico deve sempre ser feito por um dermatologista.
Cuidados diários para reduzir crises
Mesmo sem cura definitiva, a dermatite pode ser controlada com rotina de cuidados que reduzem a frequência e a intensidade das crises. Entre as recomendações estão manter a pele sempre hidratada, evitar banhos quentes e demorados, dar preferência a sabonetes neutros e usar roupas leves de algodão.
“O hábito da hidratação diária é um divisor de águas no controle da doença. Quanto mais protegida estiver a pele, menores as chances de crises inflamatórias e, consequentemente, melhor a qualidade de vida”, reforça Marina Coutinho.
Tratamentos disponíveis
O tratamento varia conforme a gravidade. Casos leves podem ser controlados apenas com hidratação e mudanças de hábito, mas quadros moderados e graves exigem medicamentos tópicos e orais, como corticosteroides e inibidores de calcineurina.
Em situações mais severas, entram em cena as terapias biológicas, que representam um avanço importante.
“Essas terapias modernas transformaram a vida de pacientes que não conseguiam controlar os sintomas com os recursos tradicionais. Hoje conseguimos oferecer mais bem-estar e menos impacto no dia a dia dessas pessoas”, afirma a médica.
Um olhar multidisciplinar
A dermatite atópica integra o grupo das chamadas doenças atópicas, que também incluem rinite alérgica, asma e algumas alergias alimentares. Por isso, especialistas defendem uma abordagem multidisciplinar.
“Não basta olhar apenas para a pele. Muitas vezes, o paciente tem outras condições que precisam ser tratadas em conjunto. O trabalho integrado entre diferentes especialistas contribui para reduzir crises, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida a longo prazo”, conclui Marina Coutinho.