Enquanto Alcolumbre faz cera, a CPI do Crime Organizado avança na quebra de sigilos e nas convocações

Irmãos de Toffoli terão de ir à CPI; família Coelho diz que operação da PF tem viés político, e Lula fica inquieto: Lulinha pode sair chamuscado

Por Romoaldo de Souza Publicado em 25/02/2026 às 21:26

Clique aqui e escute a matéria

OS TOFFOLIS NA CPI
Uma vez que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), faz corpo mole para instalar a CPMI do Banco Master, a CPI do Crime Organizado deu uma rasteira nos aliados do governo Lula da Silva (PT) e aprovou a quebra de sigilos da empresa Maridt Participações, além da convocação dos irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

TAYAYÁGATE
O padre Carlão, como é chamado o cônego José Carlos, e o irmão José Eugênio Dias Toffoli terão de prestar depoimento sobre a transação que envolve a empresa Maridt e o grupo Tayayá, que administrou um resort em seus nomes, em Ribeirão Claro (PR), até a aquisição pelo Master. É muito rolo em uma família só.

HOMENAGEM À PESQUISA
O deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) apresentou pedido de homenagem à cientista brasileira Tatiana Sampaio, que “devolveu a esperança de cura para pacientes com lesão medular”. À coluna, Dudu da Fonte disse que, além dos “milagres” alcançados pelo trabalho da pesquisadora, o país “precisa saber quem são seus verdadeiros heróis”.

O FALSO ROLEX
Vendo fotos com caixa repleta de relógios Rolex, um dos mais cobiçados do mundo, recordei uma cena, em março de 2003. O deputado José Carlos Martinez (1948–2003) chamou no canto o então ministro José Dirceu, chefe da Casa Civil do primeiro governo Lula, e lhe deu de presente um Rolex prateado — “lindo, lindo!”, disse Dirceu. Uma semana depois, o ministro ligou para Martinez dizendo: “Martinez, te enganaram. O Rolex que você me deu de presente é falso”. Martinez morreu seis meses depois, em um acidente aéreo, e Dirceu passou adiante o relógio falso.

VIÉS POLÍTICO
A nota dos filhos Coelho diz que “Pernambuco foi surpreendido” com a operação, usando a retórica do “não é comigo”. Segundo Fernando Filho e Miguel Coelho, o “alvo principal é o crescimento da cidade de Petrolina (PE)”. Para eles, a decisão do ministro Flávio Dino, do STF, torna “impossível não destacar o viés político desse tipo de operação”. O pai não se manifestou sobre a operação da Polícia Federal.

É FIXINHA
A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25), apontando empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL), nem de longe é a maior dor de cabeça do presidente. Ex-dirigentes do INSS fecharam acordo de delação premiada e citaram Fábio Luís, filho mais velho do presidente com Marisa Letícia (1950–2017). Lulinha teria participação em esquema de desvio de recursos surrupiados de aposentados e pensionistas do INSS.

OU VAI OU RACHA
Em outra investigação — na CPMI do INSS — o relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), disse que, “nas próximas votações”, se deputados e senadores não aprovarem a quebra de sigilos de Lulinha, ele pedirá à Polícia Federal e ao ministro do STF, André Mendonça, o compartilhamento dos dados do filho do presidente.

SURFANDO NA ONDA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já tem um propósito que divide opiniões: acabar com a reeleição de prefeitos, governadores e presidente da República. Ainda na fase de coleta de assinaturas, a proposta já valeria para a próxima gestão. O candidato ao Planalto não fala em esticar o mandato para cinco anos.

FUGINDO DO CONTROLE
Derrotado nas votações de aprovação do projeto de lei antifacção, o governo vira suas baterias para garantir que a PEC da Segurança Pública não seja desfigurada.

PENSE NISSO!
Não tenho absoluta certeza de que faltem leis para enquadrar usuários de colarinho branco que se enrolam até a medula em processos fraudulentos, no uso de recursos do contribuinte — do pagador de impostos.

Em boa parte desses episódios, há um certo clima de desculpa na ponta da língua, para dizer que tudo não passa de perseguição política.

Do outro lado da avenida, percebe-se os tribunais abarrotados de denúncias, de processos em andamento e de investigações inconclusas. Onde a procrastinação campeia, a única certeza é a impunidade.

Menos leis e mais ações, já que caráter está em falta.


Pense nisso!

Compartilhe

Tags