No jogo de apostas em torno de Jorge Messias no STF, o único derrotado é o Brasil

Boicote de presidentes da Câmara e do Senado ao ato no Planalto; sabatina de Messias ao STF; e silêncio de prefeitos sobre as aposentadorias especiais

Por Romoaldo de Souza Publicado em 26/11/2025 às 21:08 | Atualizado em 27/11/2025 às 8:23

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A INDICAÇÃO NÃO CHEGOU, AINDA

No Senado, corre à boca miúda que o “pulo do gato” no episódio da indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, é que, se de um lado o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pretende impor um prazo apertado para a sabatina e a votação do nome, por outro, o documento oficial com a indicação ainda não chegou à mesa do senador.

SEM DÚVIDAS

O presidente Lula da Silva (PT) não tem dúvidas de que seu nome é Messias, mas, em função dos atropelos, do calendário apertado e do clima de torcida contra, a indicação pode ficar para o ano que vem. Desde Frederico de Barros Barreto, o bolo de rolo não faz parte do cafezinho dos ministros do STF. Nomeado por Getúlio Vargas, ele integrou o Supremo entre 1939 e 1963.

MAIS POBRES NA MIRA

Lula ignorou o “boicote” dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre, na solenidade no Planalto em que assinou a lei que isenta do pagamento do Imposto de Renda os contribuintes que recebem menos de R$ 5 mil mensais. “O pobre não quer muita coisa. Quer garantia de que vai ter comida, estudo, moradia, emprego”, afirmou.

DADOS ASSUSTADORES

Pesquisa realizada pelo DataSenado revela que 3,7 milhões de brasileiras “sofreram violência no último ano” e que, “na maioria dos casos de agressão presencial, os filhos foram as testemunhas”. Os dados estão na Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, lançada nesta quarta-feira (26).

SOMENTE LEWANDOWSKI

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, insiste em manter, na PEC da Segurança Pública, o artigo que atribui exclusividade à Polícia Federal para conduzir investigações contra organizações criminosas. O presidente da Adeppe, Diogo Victor, disse à coluna que a insistência do ministro ocorre por ele “desconhecer a realidade fática das polícias estaduais na pressão às facções criminosas e, mesmo reconhecendo que a PF não tem efetivo para tanto, insiste nessa tese”. Além de Diogo Victor, participaram do encontro nacional das Polícias Civis, em Brasília, a vice-presidente da entidade, Claudia Molina, e o delegado Antônio Cândido.

ESTADOS E MUNICÍPIOS É QUE PAGAM

Há um certo receio das entidades de governadores e prefeitos e prefeituras, mas a conta vai chegar. Caso a Câmara aprove na próxima semana o projeto que concede aposentadorias especiais para agentes de saúde e de combate a endemias poderá causar um rombo no caixa da Previdência Social estimado em R$ 24,7 bilhões, tende a ser “diluído” nas contas federais e nos fundos de participação de estados e municípios.

TÊTE-À-TÊTE…

…o tradicional frente a frente dos governistas que tanto criticaram o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), já tem data marcada: 3 de dezembro. A CPI do Crime Organizado quer ouvir Castro sobre a Operação Contenção, que culminou com a morte de cinco policiais e 117 integrantes de facções criminosas.

PENSE NISSO!

Ou o presidente Lula tem uma carta na manga — e ele tem — ou Lula é muito cabeça dura — e o é — para manter o nome do advogado Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal.

Quando se diz: “ah, o clima não é para aprovação”, há um certo realismo fantasioso nisso tudo, como em Cem Anos de Solidão, do colombiano Gabriel García Márquez (1927–2014), quando Remédios, a Bela, sobe aos céus: “Uma personagem, devastada de tristeza, ascende aos céus em pleno dia, enquanto estende lençóis no quintal, como se fosse o acontecimento mais natural do mundo”.

Vamos aos fatos: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tinha tanta certeza de que “dobraria” Lula que apostou todas as fichas no afilhado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e perdeu. Lula preferiu Messias.

Qualquer senador ajuizado, incluindo governistas, não esconde que Messias não teria mais que 35 votos, se a votação [secreta] fosse hoje. São necessários pelo menos 41 apoios. Mas Lula dobrou a aposta.

Há uma investigação em curso envolvendo a tramóia do Banco Master, e o Planalto sabe que alguns políticos com mandato de senador tomaram champagne praticamente na mesma taça do dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero.

“Lula sabe o que faz”, adverte um senador que vez ou outra toma café com o presidente. A ver!

Pense nisso!

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