Relatório Derrite suaviza impacto sobre a PF e governistas veem motivo para aprovar

Lula em débito com ambientalistas: não fez força pelo projeto da Autoridade Climática. Base aliada admite: governo sem maioria na Câmara

Por Romoaldo de Souza Publicado em 11/11/2025 às 20:18

Clique aqui e escute a matéria

PÃO DE QUEIJO
Quem conhece as tradições mineiras espera o fim da tarde para uma boa prosa. O tema não precisa, necessariamente, ser combinado antes. É só engatar a conversa. “Chega mais perto e contempla as palavras”, como diria Carlos Drummond de Andrade (1902–1987).

ENSABOADO
Quem já conviveu com o presidente Lula da Silva (PT) sabe que ele costuma dar meia-volta, passar pelo oitão da igreja, antes de ir à missa - para chegar ao tema principal. De hoje para amanhã, Lula vai dizer ao senador Rodrigo Pacheco (PSD) que seu apoio é incondicional na disputa pelo governo de Minas. O que Pacheco deve se perguntar é se Lula tem mesmo todo esse prestígio, numa região onde o ditado popular ensina que uma prosa desaprumada é pior que um pão de queijo mal assado.

O DITO PELO NÃO DITO
Ao declarar apoio a Rodrigo Pacheco na disputa pelo governo de Minas, Lula estará, na verdade, dizendo ao senador que ele não é seu candidato à cadeira vazia no Supremo Tribunal Federal (STF).

PRESSÃO POR TODOS OS LADOS
Do STF, do Congresso, de estudantes da Unicap e da Rede Feminista de Juristas. O ministro André Mendonça, do STF, pediu manifestação do governo sobre uma ação movida pela DeFEMde - uma rede de juristas feministas que defende “mais representatividade” na Corte, com a indicação de uma mulher negra.

SEM ESCAPATÓRIA
Dessa vez, o presidente Lula não terá como escapar. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) definiu uma lista tríplice constituída exclusivamente por mulheres para ocupar a vaga deixada pelo ministro Aloysio Corrêa da Veiga: Margareth Rodrigues Costa é da Bahia e obteve 15 votos; Márcia Regina Leal Campos, do Rio de Janeiro, também recebeu 15 votos; e Maria de Nazaré Medeiros Rocha, do Pará, ficou em terceiro lugar na votação secreta, com 14 votos.

ÁGUA NA FERVURA…
…do líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), e da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Os dois haviam “fechado questão” contra a indicação do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) para relatar o projeto antifacção. “Ele furtou o projeto do governo”, acusou o líder petista.

GATO ESCALDADO…
…o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), pegou a calculadora, somou daqui, diminuiu acolá e, no frigir dos ovos, a “malassada” estava incompleta. Faltava um ingrediente: votos. Guimarães liberou a bancada, até porque, mesmo entre os partidos governistas, prevaleceu o reconhecimento de que é prerrogativa do presidente da Câmara indicar quem quiser para relatar um projeto, sem precisar pedir a bênção do Palácio do Planalto, como queria Gleisi Hoffmann.

PENSE NISSO!
Pode ser que eu queime a língua amanhã, mas até hoje o governo Lula mantém mofando numa gaveta a proposta da Autoridade Climática, aquela mesma que ele anunciou durante a transição de governo, como se fosse a última partícula de carbono orgânico. Tudo lorota.

A proposta chegou ao Congresso Nacional e foi entregue à deputada Socorro Neri (PP-AC), mas nem o Planalto nem a contundente ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, moveu uma palha para fazer a iniciativa andar.

Pensando bem, essa estrovenga não vingou porque uma de suas funções seria justamente “planejar e fiscalizar metas climáticas”. Acabaria sobrando para Marina Silva, que ficaria praticamente sem ter muito o que fazer - e ainda teria de dividir poder com quem comandasse a nova instituição.

Melhor deixar quieto.

Pense nisso!

 

 

 

 

Compartilhe

Tags