Pesquisa CNT Rodovias 2025: Qualidade das rodovias brasileiras melhora, mas 62% da malha ainda é considerada deficiente
Levantamento, que completa 30 anos este ano, revela redução de pontos críticos e avanço na gestão privada, enquanto custos operacionais sobem 31,2%
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A malha rodoviária pavimentada do Brasil apresentou sinais de recuperação em 2025, de acordo com a 28ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias. O levantamento, que avaliou 114.197 quilômetros, registrou um aumento na proporção de trechos classificados como ótimos ou bons, que subiram de 33,0% em 2024 para 37,9% neste ano. No entanto, o diagnóstico geral ainda aponta grandes desafios: 19,1% da extensão nacional (21.804 km) permanece classificada como ruim ou péssima, e a categoria regular ainda domina 43,0% das rodovias. Ou seja, 62,1% (70.896 km) da malha ainda é considerada deficiente.
A gestão da malha rodoviária continua sendo um diferencial determinante na qualidade: enquanto apenas 618 km de rodovias concedidas à iniciativa privada foram considerados ruins, nas rodovias públicas esse número salta para 16.594 km. A pesquisa aponta que 67,8% das rodovias concedidas são ótimas ou boas, enquanto apenas 27,2% das rodovias sob gestão pública atingem esse padrão. Nas estradas administradas pelo governo, o estado regular predomina em 47,7% da malha, sinalizando um estágio inicial de deterioração que pode encarecer futuras recuperações.
O estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) também alerta que o impacto dessa precariedade é sentido diretamente no bolso do consumidor, uma vez que a má qualidade do pavimento eleva os custos operacionais do transporte em média 31,2% no País. Em 2024, isso resultou em um desperdício de 1,2 bilhão de litros de diesel, gerando um prejuízo de R$ 7,2 bilhões aos transportadores e a emissão desnecessária de 3,2 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.
Para reverter esse quadro, a pesquisa aponta a necessidade de um investimento total de R$ 101,10 bilhões em reconstrução, restauração e manutenção.
OS NÚMEROS EM DETALHES
De acordo com o estudo, realizado pela CNT e financiado pelo SEST SENAT, 37,9% da extensão pesquisada (43.301 km) está em condições ótimas ou boas, diante de 33,0% em 2024 (36.814 km), representando um avanço de quase 5 pontos percentuais. Já os trechos avaliados como ruins ou péssimos caíram de 26,6% (29.776 km) para 19,1% (21.804 km), uma redução de 7,5 pontos percentuais. A categoria regular manteve proporção semelhante, com 43,0% (49.092 km) neste ano, frente a 40,4% (45.263 km) em 2024.
Classificação - Pavimento - Sinalização - Geometria da Via
Ótimo - 32,5% - 16,8% - 20,8%
Bom - 11,0% - 33,6% - 17,0%
Regular - 37,0% - 33,5% - 28,3%
Ruim - 15,0% - 9,7% - 20,7%
Péssimo - 4,5% - 6,4% - 13,2%
As 10 Melhores Rodovias (Classificação Ótimo/Bom):
BR-478 (SP) – Ótimo
BR-486 (SC) – Ótimo
BR-492 (RJ) – Bom
BR-461 (MG) – Bom
BR-462 (MG) – Bom
BR-448 (RS) – Bom
BR-359 (MS) – Bom
BR-050 (DF, GO, MG) – Bom
BR-365 (MG) – Bom
BR-414 (GO) – Bom
As 10 Piores Rodovias (Classificação Ruim):
BR-434 (PB) – Ruim
BR-410 (BA) – Ruim
BR-120 (MG) – Ruim
BR-155 (PA) – Ruim
BR-307 (AC, AM) – Ruim
BR-317 (AC, AM) – Ruim
BR-451 (MG) – Ruim
BR-474 (MG) – Ruim
BR-475 (SC) – Ruim
BR-498 (BA) – Ruim
A análise técnica da CNT divide-se em três pilares fundamentais:
Pavimento: 56,5% da malha apresenta algum tipo de deficiência. Embora 95,9% da condição de rolamento seja adequada, 63,9% da superfície já apresenta algum nível de desgaste, o que exige manutenção preventiva urgente para evitar a destruição total da via.
Sinalização: 49,6% da extensão nacional está em condições deficientes. Um dado crítico é que em 34,3% das rodovias não há qualquer barreira de proteção (defensas) em áreas perigosas, como barrancos e pontes, elevando a gravidade de possíveis acidentes.
Geometria da Via: Este é o item com pior avaliação, com 62,2% de resultados negativos. A predominância de pistas simples de mão dupla (84,7%) e a ausência de faixas adicionais em 70% dos trechos montanhosos comprometem a fluidez e a segurança.
PONTOS CRÍTICOS DIMINUÍRAM, MAS SEGUEM PERIGOSOS
O número de pontos críticos — degradação das rodovias que gera graves riscos à segurança, como buracos grandes e quedas de barreira — caiu 12,3% em relação ao ano anterior, totalizando 2.146 ocorrências. Apesar da queda, a ausência de sinalização nessas áreas é alarmante: 88,0% dos pontos críticos não possuem nenhum tipo de sinalização, deixando os usuários vulneráveis a graves sinistros de trânsito.
Atualmente, segundo a CNT, o motorista encontra uma dessas falhas graves, em média, a cada 56 quilômetros, uma melhora em relação aos 44 km registrados no ano anterior, impulsionada pelo aumento das concessões e dos investimentos federais.
No entanto, a disparidade entre os modelos de gestão é evidente: nas rodovias sob concessão privada, há um ponto crítico a cada 430 km, enquanto nas vias públicas a frequência é dez vezes maior, com um registro a cada 40 km, sendo que apenas 1,6% desses locais passavam por obras de recuperação durante o levantamento - realizado por 30 dias entre junho e julho de 2025.
Pesquisa CNT de Rodovias 2025 by Roberta Soares
O diagnóstico detalhado revela que a maioria esmagadora dos problemas está ligada a buracos grandes (80,0%) e erosões na pista (11,6%). Regionalmente, o cenário é mais severo no Acre e em Roraima, onde existe uma falha grave a cada 5,5 km, contrastando com o Mato Grosso do Sul, que apresenta a melhor densidade do País, com apenas uma ocorrência a cada 2.500 km. Para solucionar definitivamente essas falhas em nível nacional, a CNT estima ser necessário um investimento de R$ 3,40 bilhões.
Ranking de estados com maior densidade de pontos críticos (piores malhas):
Acre: 18,3 pontos/100 km
Roraima: 18,3 pontos/100 km
Amazonas: 14,3 pontos/100 km
Maranhão: 10,3 pontos/100 km
Amapá: 3,7 pontos/100 km
Pará: 3,7 pontos/100 km
Pernambuco: 1,9 pontos/100 km
Sergipe: 1,7 pontos/100 km
Tocantins: 1,7 pontos/100 km
Ceará: 1,6 pontos/100 km
Ranking de estados com menor densidade de pontos críticos (melhores malhas):
Mato Grosso do Sul: 0,04 pontos/100 km
Distrito Federal: 0,2 pontos/100 km
São Paulo: 0,2 pontos/100 km
Paraná: 0,2 pontos/100 km
Paraíba: 0,4 pontos/100 km
Goiás: 0,4 pontos/100 km
Rondônia: 0,4 pontos/100 km
Espírito Santo: 0,6 pontos/100 km
Bahia: 0,7 pontos/100 km
Minas Gerais / Santa Catarina: 0,8 pontos/100 km (empate técnico)