Inadimplência de aluguel atinge o menor nível em sete meses no Brasil
O levantamento, que analisou dados de mais de 600 mil locatários em todo o país, aponta que o movimento de queda foi abrangente, mas com variações
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A inadimplência locatícia no Brasil encerrou o ano de 2025 em trajetória de queda, atingindo em dezembro o seu patamar mais baixo nos últimos sete meses. De acordo com o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), divulgado pela Superlógica, a taxa nacional fixou-se em 3,44%, representando um recuo em relação aos 3,69% registrados em novembro. O resultado também mostra uma ligeira melhora na comparação interanual, sendo 0,02 ponto percentual inferior ao índice de dezembro de 2024.
O levantamento, que analisou dados de mais de 600 mil locatários em todo o país, aponta que o movimento de queda foi abrangente, mas com variações significativas entre diferentes perfis de imóveis. No segmento residencial, os imóveis de luxo — com aluguéis superiores a R$ 13 mil — registraram a segunda queda consecutiva, baixando para 6,04%. Por outro lado, as faixas de preço intermediárias, entre R$ 2.000 e R$ 5.000, apresentaram os melhores índices de adimplência do mercado, com taxas abaixo de 2%. No setor comercial, a maior redução foi observada nos imóveis com aluguel de até R$ 1.000, que viram a inadimplência recuar de 9,57% para 8,06% em apenas um mês.
Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica, avalia o cenário com otimismo cauteloso. Segundo o executivo, a tendência de queda pode ser um indicador positivo para o início de 2026, embora ressalte a necessidade de monitorar as projeções de juros. O comportamento das taxas de juros é um fator determinante, pois influencia diretamente o endividamento das famílias e a capacidade financeira dos inquilinos de honrarem seus compromissos.
RESULTADO NO NORDESTE
O estudo também revela disparidades regionais acentuadas. O Nordeste manteve a liderança do ranking nacional de inadimplência, com uma taxa de 5,23%. Já o Norte e o Centro-Oeste apresentaram contramão à tendência nacional, registrando leves altas e ocupando a segunda e terceira posições, respectivamente. Na base oposta, a região Sul consolidou-se com o menor índice do país, fechando dezembro em 2,68%, seguida pelo Sudeste, que registrou 3,15% após uma queda expressiva no último mês do ano.
Metodologicamente, o Índice Superlógica considera inadimplentes os boletos com atraso superior a 60 dias. O grupo, que detém metade do mercado condominial brasileiro e mantém parcerias tecnológicas com a OpenAI, utiliza esses dados anonimizados para traçar um panorama preciso do setor imobiliário, que movimentou dezenas de bilhões de reais no último ano.