O direito de saber ler bem
Para um dos mais celebrados autores para adolescentes no país, o Brasil está melhor, mas ainda saem muitas crianças não letradas da escola
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Autor de vários livros que se tornaram clássicos da literatura infantojuvenil brasileira, Pedro Bandeira concedeu breve entrevista à coluna Literária do JC, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. “No século 21, se você não for capaz de decifrar tudo o que está escrito, você não tem vez, não conseguirá ser nada na vida. Por isso, nós, escritores e educadores, estamos lutando para que não saiam mais crianças da escola sem saber ler bem. Não dá para deixar o mau aluno continuar mau aluno. É preciso esforço para compreender bem geografia, história. Tudo está escrito em português, e se ele não ler bem, não irá bem em matéria alguma, e não irá bem na vida”, afirmou, lembrando que o Brasil já foi muito pior nessa questão.
O autor de “A droga da obediência” citou Machado de Assis como exemplo, apontando que a tiragem de livros de Machado era de apenas trezentos exemplares, e hoje, os livros do autor de “Dom Casmurro” vendem muito mais. “Quando Machado escrevia, somente 5% da população era capaz de ler um livro, e todos no Rio de Janeiro. Quando eu nasci, na metade do século 20, metade da população brasileira não tinha escola nem para ser alfabetizada. Hoje, temos dificuldades, ainda sai muita criança não letrada, e temos que lutar contra isso. Cem por cento dos brasileiros têm o direito de saber ler bem. E treinar a leitura é gostoso. Se você quiser treinar piano, é chato, até poder tocar uma música. Ler, não. Os livros são gostosos, cheios de aventura, de humor, de amor”, compara.
O vídeo com o depoimento completo de Pedro Bandeira está no Instagram @livronewsnoinsta.
O mistério de Capitu
Ainda este mês, chega às livrarias o novo romance de Pedro Bandeira para adultos: “Sherlock Holmes investiga: A traição de Capitu”, em publicação da Rocco. Perguntado sobre o mistério de Capitu, Pedro Bandeira responde: “Eu não sei. Quem escreveu foi Dr. Watson, grande amigo de Sherlock Holmes, testemunha de todas as histórias do detetive. Quando foi publicado “Dom Casmurro”, o Sherlock leu, e resolveu interrogar os personagens para saber. Quem sabe é o Dr. Watson!”, brinca.
Dois anos de livraria
Tem início neste domingo, 13, a programação especial em comemoração aos dois anos da Livraria Pós de estrelas, no Recife. Haverá contação de história de “Olha, mamãe!”, de Rocío Araya, com Rosa Cardozo, às 4 da tarde. No próximo domingo, 20, a agenda festiva terá um piquenique de boas-vindas à primavera, com roda de leitura, a partir das 3 da tarde. Confira a programação completa no Instragram @livraria.podeestrelas.
Edichão
A partir das 8h da manhã deste domingo, 13, acontece mais uma “Edichão”, feira de livros, revistas, coleções, vinis, CDs, DVDs, quadros e outros achados, nas calçadas da Av. Guararapes, no centro do Recife. Realização de sebistas, o evento vai até às 13h, e também é voltado “para encontrar gente, garimpar histórias, trocar ideias, ouvir poesia e música popular nordestina e celebrar essa coisa maravilhosa que é o sebo”, como divulgado no Instagram @sebo.aldeia.
Saudades de Carrero
A Academia Pernambucana de Letras (APL) faz sessão especial nesta segunda, 14, em homenagem a Raimundo Carrero, falecido em junho. A acadêmica da APL, Flávia Suassuna, e Thiago Medeiros, da Academia de Letras de Caruaru, participam do evento, que também contará com a presença da viúva, Marilena Carrero, e outros familiares do escritor. A partir das 3 da tarde, na sede da entidade, no Recife.
Os seres queridos
Publicado no Brasil pela Arquipélago, o livro da espanhola Berta Dávila será lançado nesta segunda, 14, em Brasília, com a presença da autora. “Os seres queridos” venceu o Prêmio Xerais de Novela, e conta a história de uma mulher que, cinco anos após o nascimento do primeiro filho, se questiona se deve ter ou não uma segunda criança. A mediação do encontro será de Paulo César Thomas. No Instituto Cervantes, a partir das 7 da noite, com apoio da Livraria Circulares.
Talvez falte um poema
Alexandra Maia lança seu novo livro de poesia na terça, 15, no Rio de Janeiro. Antes dos autógrafos, haverá bate-papo da autora com Ana Kiffer. A publicação é da Janela + MapaLab, e o evento será na Janela Livraria do Shopping da Gávea, a partir das 7 da noite.
Relatos inspiradores
Será lançado na quarta, 16, no Recife, “Relatos Inspiradores – 60 anos da Profissão da Administração”, produzido pelo Conselho Federal de Administração (CFA). O livro reúne histórias de profissionais da área, de diferentes regiões do país. De Pernambuco, participam com artigos Gildo Galindo, coordenador de Pós-Graduação da UniFafire, e Alex Fernando Nascimento. O lançamento será na Assembleia Legislativa, a partir das 18h.
Jurandir Freire no Recife
Para celebrar os 45 anos da instituição, o Centro de Psicanálise e Linguagem (CPPL) promove encontro na sexta, 18, no Recife, com o psiquiatra e psicanalista Jurandir Freire Costa. A abertura será com uma conferência de Ana Elizabeth Cavalcanti, sócia do CPPL. No Cais do Sertão, a partir das 18h, com inscrições através de link no Instagram @cpplrecife.
Ainda não
A Livraria Megafauna, em São Paulo, recebe no sábado, 19, o lançamento de Natália Zuccala pela Todavia, em bate-papo com Jeferson Tenório a partir das 18h, seguido de sessão de autógrafos. O romance “Ainda não” narra um dia na vida de Adriano, um adolescente bolsista que estuda em colégio de elite. Segundo a divulgação da editora, a obra apresenta “personagens sufocados pela violência das relações escolares, atravessados pelo racismo e pelo medo de não haver um futuro possível”.
Falar dos livros
Em entrevista a Bruno Inácio para o Jornal Rascunho de setembro, Natalia Timerman trata de seu novo livro, “Antes que apague”, publicado pela Companhia das Letras. E faz reflexões sobre o ofício contemporâneo de uma escritora. “Aprendo a falar dos meus livros depois de escrevê-los”, conta, afirmando gostar muito da troca com leitoras e leitores. “Mas há algo de paradoxal na figura do escritor no palco, lugar de performance, de atuação, já que a escrita acontece primordialmente em silêncio. Imagino que ótimos escritores que não se sintam confortáveis diante de uma plateia corram o risco, hoje, de serem lidos por menos gente, o que é uma pena”.