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O modelo que Romeu Zema oferece ao Brasil ancorado no que fez em Minas Gerais que voltou a pagar suas contas com a União

Governador mineiro afirma que o padrão de gastos da União impede qualquer programa de redução de despesas pela estrutura criada ao longo dos anos.

Por Fernando Castilho Publicado em 27/01/2026 às 0:05

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Na conversa que teve ontem (26) no programa Passando a Limpo, na Radio Jornal, comandado pelo jornalista Igor Maciel, o governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, respondeu a uma questão central sobre como deseja se apresentar como um gestor capaz de comandar o país.

Isso depois de por sete anos liderar um dos três estados com a maior dívida pública entre os entes federativos (R$ 180 bilhões). E que não vem pagando as parcelas mensais dos empréstimos contratados, o que obriga a Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Romeu Zema, porém, disse que deixará o cargo sendo o último governador mineiro a governar Minas Gerais com a corda no pescoço.

Reorganizar as contas

Zema afirmou na sua tarefa de reorganizar as contas de Minas que um dos poucos documentos “que não assinou em sete anos como governador” foi o referente a um empréstimo ou financiamento. E jactou-se de que da dívida que existe em Minas nem um centavo foi adquirido na minha gestão.

Ele não tinha como. Como o seu estado tem classificação D, segundo a avaliação de Capacidade de Pagamentos (Capag) na STN, estava impedido de contratar qualquer nova operação a não ser a que contratou no último dia de 2025 quando aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), formalizado por despacho publicado no Diário Oficial da União e assinado pelo ministro substituto da Fazenda, Dario Durigan.

Adesão ao Propag

Na proposta, o Estado optou por obter abatimento máximo de 20% do saldo devedor, graças à adesão ao Propag, e assim poderá pagar sua dívida com a União em até 30 anos, com juros zerados e correção apenas pelo IPCA. Mas para isso, ele precisou dar garantias que incluíam imóveis, créditos da dívida ativa, recebíveis e participações em estatais.

No contrato com a STN, o Governo de Minas apresentou à União um total de R$ 96 bilhões em ativos (quase o triplo do mínimo exigido de R$ 36 bilhões) que representa 20% da dívida atual do estado.

Bancos estaduais

Na conversa desta segunda-feira na Rádio Jornal, Zema lembrou que a dívida pública começou nos anos 90 com a liquidação de bancos estatais, entre eles o Banco do Estado de Minas Gerais, a Minas Caixa e o Banco de Crédito Real de Minas Gerais, liquidados pelo Banco Central.

Entretanto, o problema dessas dívidas consolidadas é que durante muitos anos, o governo federal cobrou “e não só de Minas, como de todos os estados” um valor de juros abusivo, razão pela qual a questão foi judicializada, já que se transformou numa bola de neve.

Nova administração

Entretanto, o governador mineiro defendeu sua administração. Ele disse o que fez com a folga de caixa que teve por não pagar as parcelas mensais da dívida. “Eu quero lembrar que Minas Gerais é um dos estados do Brasil que mais exporta. Minas, no ano passado, exportou 27 bilhões, sendo o Estado do Brasil que gerou o maior saldo (40%) na balança comercial brasileira de 68 bilhões.

Segundo ele, nenhum Estado do Brasil contribuiu tanto com a balança do Brasil como Minas Gerais. E disse que para isso, os estados que contribuem muito com as exportações, com as reservas do Brasil, com a geração de emprego e precisam fazer investimentos e que fez isso.

Ampliar investimentos

Ele aproveitou para falar da pressão que fez quando organizou o estado para ampliar investimentos em infraestrutura. “Tenho um exemplo da Cemig, que é a companhia de energia de Minas e que não estava entregando mais energia. Esse foi um dos grandes problemas que tive na gestão e que já está resolvido. Mina, que é o maior produtor de energia hidráulica, não tinha disponibilidade por falta de energia elétrica”, disse.

O governador reconheceu que o Estado de Minas, de fato, tem ainda uma dívida grande. Mas com o Propag terá condição de pagá-la em 30 anos. E lembrou que junto com o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro são estados também mais antigos que têm déficit previdenciário muito grande.

Contas da Cemig

E por que isso aconteceu? Porque por influência da política Cemig foi investir em Belo Monte, Santo Antônio, no Norte do Brasil, na Light, na Renova, no Sul da Bahia e esqueceu-se de investir em Minas Gerais e seu parque foi sucateado. Foi preciso uma negociação enorme para a empresa voltar a ter disponibilidade para as nossas empresas.

A partir desse momento, Romeu Zema aproveitou para se apresentar como candidato afirmando que o governo federal gasta mal o dinheiro do contribuinte e que poderia ser eleito para gastar melhor.

Poucas pastas

Quando eu assumi, eram 21 secretarias; nós reduzimos para 14. É o Estado do Brasil que tem o menor número de secretarias. Com 14 secretarias você tem condição de colocar todo mundo numa mesa com 39 ministérios como lá em Brasília, não tem como, conclui.

Como candidato do Novo, Romeu Zema disse que pretende fazer como fez em Minas Gerais e levar ferramentas de gestão, de todo mundo ter metas, ter acompanhamento de todos os secretários para discutir como as coisas estão indo e ensinar, por exemplo.

Exemplo número 1

Romeu Zema criticou o volume de gastos do governo federal como a estrutura administrativa que custa caro e acaba se transformando numa forma de não permitir transparência. “Eu, como governador do estado, preciso ser o exemplo número 1”. E lembrou o comportamento do seu antecessor Fernando Pimentel (PT) que morava num palácio com 32 empregadas, cozinheiras, governantas, garçons e que ficou conhecido por ir e voltar para o trabalho todo dia de helicóptero.

“Como eu estou governando um estado quebrado que só agora conseguiu criar condições de se reorganizar e não dou exemplo? Eu estou lá para servir e não para ser servido, concluiu o governador que lembra que os seus secretários foram selecionados por um escritório de talentos e que não nomeou nenhum parente para a administração.

Miguel Ângelo / CNI
Faturamento da indústria sobe, mas emprego cai pelo terceiro mês em 2025 - Miguel Ângelo / CNI

Com juros de 15% na Selic, indústria não reage em 2025

O índice de evolução da produção industrial caiu 3,5 pontos, passando de 44,4 pontos em novembro para 40,9 pontos em dezembro. Com isso, o indicador registrou o pior resultado em dezembro desde 2018, mostra a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (26).

O emprego industrial também caiu mais do que o usual para o período. O índice de evolução do número de empregados ficou em 46,9 pontos em dezembro. Por estar abaixo dos 50 pontos, o indicador mostra que houve queda na quantidade de postos de trabalho do setor em relação a novembro.

Capacidade Instalada

O desempenho da Utilização da Capacidade Instalada reforça a percepção dos empresários quanto à desaceleração da indústria. A UCI recuou 4 pontos percentuais entre novembro e dezembro, chegando aos 66%, patamar mais baixo para o mês desde 2017.

Para aprofundar a análise do desempenho industrial brasileiro, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) construiu, a partir da base de dados da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), um ranking para os resultados da produção industrial de um conjunto de países, destacando a posição do Brasil.

Desaceleração industrial

Deste conjunto de países, tomada a comparação frente ao mesmo período de 2024, o Brasil ocupou a 65ª colocação. A desaceleração industrial que tem acontecido no país, sob o peso das elevadas taxas de juros, fez o país descer 5 posições em contraste com o lugar ocupado no 2º trimestre/25.

O retrocesso é ainda mais notável, em contraste com o 3º trimestre/24, quando ocupamos a 21ª colocação do ranking formado pelos mesmos 80 países, ou seja, uma queda de 44 posições.

Em contraste com o mesmo período do ano passado, também com correção sazonal, como faz a UNIDO, o desempenho do setor no mundo foi de +3,9%, dando prova de notável resiliência, dado que este resultado vem se mantendo desde o início de 2025. O contraste com o Brasil é nítido, ao passar de +2,4% no 1º trimestre /25 para -0,6% no 3º trimestre /25.

Fernando Castilho
Bacalhau, processamento de salga em Portugal - Fernando Castilho

Emprego em Portugal

O Instituto do Emprego e Formação Profissional que faz estudos sobre o mercado de trabalho de Portugal revelou que 31% dos desempregados colocados nas empresas pelos centros de emprego eram estrangeiros, uma percentagem que mais do que duplicou face a 2022. Naquele ano, os imigrantes representaram 12,9% das colocações e, no ano passado, já correspondiam a 30,9% das 76.703 pessoas que conseguiram emprego com o apoio do IEFP.

Varejo físico reage

Em tempos de e-commerce o movimento do varejo físico brasileiro surpreende e cresce 2,9% em 2025, conforme aponta a variação acumulada anual do Indicador de Atividade do Comércio da Serasa Experian.

O resultado confirma a expansão da atividade comercial, mesmo em um ano marcado por juros elevados e maior seletividade do crédito, sobretudo no segundo semestre. “Material de Construção” com alta de 4%, “Combustíveis e Lubrificantes” (3,7%) e “Móveis, Eletrodomésticos, Eletroeletrônicos e Informática” (3,5%) e “Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios” (3,1%).

Agora vai

O secretário de Infraestrutura e Mobilidade juram de pés e mãos que até o final do mês o DNIT vai soltar o edital de licitação na obra da alça da BR-101 em Vitarella. O projeto foi pago pelo Grupo Atitude que o enviou ao órgão para validação desde o ano passado. Se for publicado, é o começo da resolução de um problema que desde o governo Jarbas Vasconcelos vem sendo reivindicado.

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Miguel Zaidan deixa Masterboi depois de 25 na empresa - Divulgação

Zaidan e Masterboi

Após mais de 25 anos de atuação executiva na Masterboi, o executivo Miguel Zaidan encerra, dia 30 de janeiro, um dos ciclos mais ricos de trajetória profissional numa companhia brasileira. Sua saída do cargo faz parte de uma transição planejada e alinhada à estratégia e à cultura da organização, marcando o fortalecimento da sucessão, da maturidade institucional e do respeito à nossa história.

Ao longo desse período a presença de Miguel Zaidan se confunde com o mesmo sentido dos fundadores Nelson e Guilhermina Bezerra na construção de uma empresa que saiu de um açougue no bairro de Afogados, virou uma distribuidora de alimentos e a seguir um frigorífico industrial com três plantas industriais, uma charqueada, além de dois centros de distribuição que hoje têm forte presença no mercado nacional e internacional em mais de 100 países. Ele continuará colaborando com a empresa como membro do Conselho Consultivo.

Boston Innovation

A unidade do IEL em Pernambuco terá a missão de operar a 4ª edição do Programa IEL Educação Executiva Global, em parceria com a BIG – Boston Innovation Gateway, em Boston (EUA). A imersão, que acontecerá de 23 a 27 de março, é voltada para empresários e inclui, além das atividades no MIT – Massachusetts Institute of Technology e na Universidade de Harvard, visitas técnicas a empresas como a Amazon. Os interessados podem se inscrever no iel.org.br.

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Reunião de fornecedores de cana de Pernambuco. - Divulgação

Ajuda fornecedor

Levados pelos deputados Antônio Moraes, France Hacker, Nino de Enoque e de Henrique Filho, lideranças da Associação Estadual dos Fornecedores de Cana (AFCP), juntamente com as do Sindicape, Sindaçúcar e de sindicatos dos trabalhadores rurais têm uma conversa amanhã na Casa Civil de Pernambuco onde vai pleitear ao Túlio Rodrigues aquisição e entrega de adubo para reduzir os custos de produção da matéria-prima do açúcar, etanol e da cachaça.

Em contrapartida, o setor apresentou uma proposta de contrapartida onde beneficiará o ramo e a arrecadação do Estado através da maior produção de etanol anidro, uma vez que Pernambuco o produz pouco em comparação a outros estados e esse combustível tem melhor tributação.

Feira de Casamentos

De 5 a 7 de fevereiro no Novotel acontece a 10ª edição da Feira de Casamentos. Até que enfim com expectativa de um aumento de 15% no volume de negócios fechados durante os três dias de feira em 2025.

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