Para Maersk novo terminal de conêineres em Suape abre perspectivas do etanol para os novos navios da empresa movidos a metanol
Executivo da empresa dinamarquesa detalhou no Sindaçúcar, no Recife, o novo mercado de biocombustíveis para o setor naval para produtores do Nordeste
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Ao falar na tarde desta segunda-feira(26), no Sindaçúcar Pernambuco, sobre o tema Perspectivas de Estreitamento de Relações Comerciais para o Etanol , em Abastecimento de Navios o Diretor de Public Affairs da APMR / Maersk Brasil, Felipe Campos estimulou os empresários do setor sucroalcooleiro do Nordeste a se habilitarem para disputa um novo mercado que está sendo criado com a adição de etanol como combustível completar de navios estimado inicialmente em 35 bilhões de litros que equivale a atual produção brasileira.
Esse é um número inicialmente estimado pela indústria de logística marítima que está começando a se preparar para a transição energética recomendada pela Organização Marítima Internacional (OMI/IMO), a agência das Nações Unidas de regulação do transporte marítimo, considerando a adição de 10% de biocombustíveis aos 350 bilhões de óleo combustível atualmente usado pela frota de navios cargueiros em operação no mundo.
Empresários nordestinos que eles podem se habilitar
Felipe Campos revelou para os empresários nordestinos que eles podem se habilitar a esse possível mercado seja produzindo etanol de cana-de-açúcar ou de milho e ressaltou a posição privilegiada no porto de Suape onde a Maersk está construindo seu mais moderno terminal do mundo que deve iniciar suas operações em julho deste ano, num empreendimento que está custando R$ 1,6 bilhão.
O TUP Maersk está em ritmo acelerado de construção com previsão de conclusão em junho quando serão comissionados os equipamentos do terminal que fica ao lado do sítio do Estaleiro Atlântico Sul. A dragagem do cais do novo TUP entregue pelo governo de Pernambuco em dezembro permitiu que a APM Terminals realizasse as obras de preparação do cais capaz de receber dois supernavios simultaneamente.
Na conversa com produtores de etanol, Felipe Campos traçou um cenário positivo para o setor nordestino, assim como a empresa traçou ano passado para os produtores de etanol do Centro Sul.
Segundo ele, a Maersk fez uma opção pelo metanol como combustível sustentável para sua frota que tem 700 navios em operação no mundo. Atualmente, a Maersk tem 19 novos navios que usam metanol em combinação com óleo combustível já testada com sucesso com 10% de etanol, mas que deverá chegar a 50% e a seguir chegar a 100% de etanol num movimento que a companhia dinamarquesa pretende fazer para fugir da dependência do metanol no futuro.
Ano passado a Maersk apresentou aos produtores do Centro Sul a perspectiva desse novo mercado informando que atualmente os novos navios não estão fazendo as rotas no hemisfério Sul.
Para o executivo, o desafio do Brasil é demonstrar que tem condições de fornecer esse combustível de forma regular a partir do porto de Santos, que é a porta de entrada da navegação do Brasil no mercado global.
Ao traçar o cenário desenhado para Suape, Felipe Campos disse que a condição de operar o terminal mais moderno da Maersk faz do porto pernambucano um possível hub para o novo modelo de negócios que a companhia está implantando onde os super navios aportam em portos específicos recebendo e descarregando milhares de contêineres que são concentrados nele, os contêineres que captura, via navegação de cabotagem.
Novo modelo da Maersk e nova concepção
O novo modelo da Maersk se baseia em uma nova concepção de serviços logísticos que tende a fazer com que a cabotagem seja uma ferramenta estratégica para abastecer os grandes hub-ports definidos pela operadora. O modelo já está sendo usado no hemisfério Norte onde estão operando os novos navios duo-combustíveis.
Ele disse que a futura operação do novo terminal de Suape já está mudando o mercado no setor de carga por contêineres que abre novas possibilidades de adoção no uso de cofres de carga no porto de Pernambuco.
Mas ele fez questão de destacar o potencial de um novo mercado de etanol especialmente pela experiência que os produtores do Nordeste possuem uma vez já exportam há dezenas de anos para diversos mercados de modo que não seria uma nova atividade, mas a ampliação do fornecimento ao mercado que eles já fazem, especialmente através de Suape.
Entretanto, Felipe Campos fez questão de destacar que um eventual mercado de pelo menos 35 bilhões de litros de etanol de cana-de-açúcar ou de milho será disputado por produtores de várias partes do mundo, o que vai exigir uma atuação unificada do Brasil. Isso representa uma excelente oportunidade para o etanol brasileiro, independentemente de ser produzido a partir de milho ou de cana-de-açúcar, disse o executivo.
po do projeto de construção do novo terminal de Suape desenhado para atender às dificuldades de oferta de linhas internacionais no terminal de Pernambuco e no atendimento do mercado de cabotagem no qual Suape é líder no mercado nacional.
Isso não significa que num primeiro momento, os novos navios da Maersk capazes de usar metanol e etanol atracaram em Suape no mais novo e moderno terminal da companhia, mas que o crescimento das operações com contêineres e das operações de etanol poderá ampliar a movimentação do terminal pernambucano.