Governo encerra Sala de Situação após queda em casos de intoxicação por metanol

O último caso confirmado de intoxicação ocorreu em 26 de novembro de 2025, de um paciente que teve sintomas iniciados no dia 23 do mesmo mês

Por Mirella Araújo Publicado em 08/12/2025 às 12:30

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O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, anunciou, nesta segunda-feira (8), o encerramento da Sala de Situação criada em outubro para monitorar casos de intoxicação por metanol.

A medida foi oficializada pela Portaria nº 9.169, assinada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e publicada no Diário Oficial da União. O último caso confirmado de intoxicação foi registrado em 26 de novembro de 2025, referente a uma pessoa que apresentou os primeiros sintomas no dia 23 do mesmo mês.

Segundo o Ministério da Saúde, diante da expressiva redução no número de novos casos e de óbitos, o cenário atual é de estabilidade epidemiológica.

São Paulo foi o estado mais afetado, com 578 casos notificados — 50 deles confirmados — e considerado o principal epicentro. Pernambuco registrou 109 notificações e 8 confirmações. Também houve confirmações no Paraná (6), Mato Grosso (6), Bahia (2) e Rio Grande do Sul (1). Outros estados tiveram participação menor, mas ainda considerada relevante.

Ao todo, foram confirmados 22 óbitos relacionados à intoxicação por metanol: 10 em São Paulo, 5 em Pernambuco, 3 no Paraná, 3 em Mato Grosso e 1 na Bahia. Outros nove óbitos seguem em investigação — cinco em São Paulo, três em Pernambuco e um em Alagoas. Mais de 20 notificações de mortes foram descartadas após análise.

Coordenação nacional

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o país respondeu “de forma rápida, coordenada e eficaz” ao surto, garantindo diagnóstico, assistência e distribuição de antídotos aos estados. Segundo ele, mesmo com o fim da Sala de Situação, o monitoramento deve continuar. “Seguimos atentos e preparados. O cuidado permanece e a vigilância não sofre interrupção”, disse.

Padilha destaca que hoje todas as unidades da federação contam com estoque de antídotos e estrutura ampliada para diagnóstico. Com o encerramento do grupo emergencial, o acompanhamento volta ao fluxo rotineiro do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

Como surgiram os casos

A Sala de Situação foi criada em 1º de outubro, dias após o alerta inicial emitido em 26 de setembro pelo Sistema de Alerta Rápido da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), vinculada ao Ministério da Justiça.

O grupo reuniu equipes do Ministério da Saúde, Anvisa, Fiocruz, Ebserh, Conass, Conasems, Conselho Nacional de Saúde, Opas e secretarias estaduais. MAPA e MJSP também integraram a força-tarefa na investigação e controle do metanol.

Durante o período de emergência, o Ministério da Saúde enviou 1.500 ampolas de fomepizol e 4.806 unidades de etanol a estados com maior concentração de casos e circulação de bebidas adulteradas. A pasta mantém ainda reserva estratégica de 2,6 mil ampolas do antídoto

“A garantia de antídoto foi fundamental para evitar mais mortes. Atuamos de forma preventiva, reforçando o estoque nacional e ampliando a capacidade de resposta dos serviços de saúde”, ressaltou Padilha

Repressão e fiscalização

Paralelamente à área da saúde, o governo intensificou ações contra a produção e comercialização de bebidas adulteradas. No início da crise, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, determinou a abertura de inquéritos pela Polícia Federal (PF) e criou um comitê de acompanhamento coordenado pela Senacon.

Em 16 de outubro, a PF deflagrou a Operação Alquimia, com foco em 24 empresas do setor sucroalcooleiro e distribuidoras de metanol em cinco estados. Amostras apreendidas estão em análise no Instituto Nacional de Criminalística.

A Receita Federal realizou a Operação Fronteira e apreendeu 215 mil litros de bebidas alcoólicas em depósitos clandestinos no Ceará e no Paraná. No mesmo período, o Ministério da Agricultura fez 137 fiscalizações, apreendeu 793 mil litros de bebidas irregulares — avaliados em R$ 11,8 milhões — e fechou 22 estabelecimentos.

Além disso, a Senacon emitiu orientações a Procons e varejistas para barrar produtos adulterados, enquanto a Senad capacitou peritos e difundiu protocolos técnicos de identificação do metanol.

Cenário epidemiológico

O Ministério da Saúde informou que entre 26 de setembro e 05 de dezembro de 2025, foram registradas 890 notificações relacionadas à intoxicação por metanol. Desse total de casos:

• 73 foram confirmados

• 29 são suspeitos e ainda estão sendo analisadas

• 788 foram descartados, por não haver indício de metanol

 

*Com informações do Ministério da Saúde

 

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