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União Europeia encontra no gigante da proteína do Mercosul uma forma de dizer a Trump que tem outra opção para se alimentar

Brasil vira estratégico da União Europeia para fugir das taxações dos EUA, especialmente na compra de proteína animal e commodities agrícolas

Por Fernando Castilho Publicado em 10/01/2026 às 0:05

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Os bebês da Geração Z (Nascidos entre 1997 e 2010) estavam saindo da maternidade quando os presidentes dos países que formavam o Mercosul começaram a falar num acordo com a União Europeia pensando num bloco que pudesse ajudar a Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ter acesso mais barato ao que a rica Europa produzia, consumia e exportava para eles sobre taxados em quase 100% tornando impossível um maior volume de comércio.

Mais de 25 anos depois de negociações, a União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9), o acordo com o Mercosul, abrindo caminho para a criação da maior zona de livre comércio do mundo, embora agora existam várias cláusulas destinadas a acalmar em sua maioria micro e pequenos produtores.

Embaixadores

Uma reunião de embaixadores em Bruxelas dos 27 Estados-membros da União Europeia conseguiu uma maioria qualificada, apesar da oposição anunciada por países como França, Polônia e Irlanda.

Foi uma vitória da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que espera assinar o acordo com os parceiros do Mercosul possivelmente já na próxima semana. A solenidade será em Assunção, já que o Paraguai está na presidência rotativa do Mercosul neste ano.

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Acordo UE Mercosul assinado em Bruxelas na Bélgica. - Divulgação

Maioria qualificada

Ursula von der Leyen conseguiu a chamada maioria qualificada de 55% dos países que representam ao menos 65% da população da União Europeia. São dos dois requisitos para a aprovação do pacto comercial pelos europeus. Uma vitória de sua persistência e disciplina.

A França que teve apoio da Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda agora deve tentar minar o acordo em Estrasburgo. Até abril, segundo estimativas, o Parlamento Europeu precisa ratificar a versão final do documento. Mas com a determinação da Alemanha, Espanha e Itália ficou mais difícil para os agricultores franceses barrarem a decisão histórica.

Lula convidado

E o presidente Lula da Silva, que sonhava até o final de 2025 ser o anfitrião da assinatura do acordo, agora vai ao evento como convidado. Mas ele disse que a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia é um "histórico para o multilateralismo" alfinetando Donald Trump, que cancelou essa palavra em suas redes sociais, embora tenha ajudado muito a que os países da UE decidiram fechar o acordo e sair da dependência dos exportadores americanos.

É perfeitamente compreensível que agricultores em diversos países europeus, como Itália, França e Polônia, estejam furiosos com o acordo. Alegam que o pacto ameaça as áreas rurais da Europa. É perfeitamente previsível que manifestantes bloquearam o anel viário com pneus e entulho despejados por tratores.

UE ganha primeiro

Entretanto, ao menos nos primeiros anos, o acordo vai ser mais vantajoso para os países da União Europeia porque Brasil e Argentina vão poder comprar mais do que esses países produzem na indústria do que suas fazendas poderão entregar.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) , por exemplo, estima que, no Brasil, nenhum setor como um todo deve ser prejudicado: os serviços devem crescer 0,41% no período, a extração mineral, 0,08%, e a indústria de transformação, 0,04%. Mas não para o Brasil ganhar muito no setor de equipamentos elétricos (-1,6%) e de máquinas e equipamentos (-1%). Porque Alemanha, França e Itália têm uma qualidade muito melhor.

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Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, com Donald Trump. - Divulgação

Aves e suínos

Mas é na agroindústria e no segmento de carnes de aves e suínos que será o que receberá maior impulso com o acordo, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que aposta num crescimento de 9,2%.

É esse o maior temor dos agricultores altamente politizados da França, que foi o país que mais reclamou do acordo. Porém, assim como a Alemanha, que tem o maior número de empresas no Brasil fora da Europa, o que os franceses não dizem é que as empresas francesas formam o segundo maior investidor estrangeiro no Brasil e querem ser grandes parceiras comerciais.

Medo do gigante

E o que assusta os agricultores franceses não é o que o Brasil pode vender aos EUA e, consequentemente, à França, mas o tamanho do negócio que o acordo deve proporcionar.

Certamente nenhum agricultor francês vai deixar de vender seus produtos no mercado de maior poder aquisitivo. Mas é possível que a grande indústria de alimentos francesa compre mais carne e produtos agrícolas para incorporar em suas linhas de produção. E isso, no limite, quer dizer que com matéria-prima barata do Brasil e da Argentina a indústria de alimentos da França vai produzir mais.

Alemanha e Espanha

O acordo é uma construção de 27 países, mas quem o lidera de fato foi a Alemanha e a Espanha que têm uma economia mais forte e que também vêm pagando a conta dos problemas da guerra da Ucrânia e dos problemas que Donald Trump trouxe há 10 meses.

Além disso, todos os negociadores concordaram que a volta do presidente Donald Trump à Casa Branca, para seu segundo mandato, deu um empurrão para a aprovação.Ele se lembram da foto de Ursula von der Leyen e do presidente americano onde a soberba de arrogância dele sobre a líder da União Europeia sendo obrigada a aceitar uma taxação de 28%.

O protecionista

Como se sabe, Trump adotou várias medidas protecionistas ao longo de 2025. O tarifaço afetou diversos países e abalou as relações comerciais com a UE, que se viu obrigada a buscar novos mercados. Mas foi a maneira de ele impor sua vontade diante das câmeras de TV que mudou o cenário.

E quando tudo estava muito ruim, veio a invasão da Venezuela e a captura do então presidente Nicolás Maduro, que reforçou a posição de falta de diálogo de Trump com os demais países do globo, que tinha virado demonstração de força do parceiro mais rico. Foi isso que reforçou a urgência de uma reação das nações da União Europeia em defesa de decisões multilaterais.

Discreta vingança

No fundo nesta sexta-feira Ursula von der Leyen deve ter se sentido vingada mostrando a Trump que a UE ainda depende dele para obter as armas para resistir a Putin na Ucrânia, mas agora tem uma opção aos produtos agrícolas norte-americanos. Os novos parceiros do Mercosul.

Quanto aos agricultores da França, eles não poderão ficar eternamente nas margens do Rio Sena e na frente da Torre Eiffel, embora possam praguejar Macron até as próximas gerações.

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Sede do Banco Master no Rio de Janeiro. - Divulgação
 

Os fundos do Master contra aposentados

No meio do debate sobre a atuação do TCU tem uma coisa que tem a ver com os tribunais de contas de vários estados relacionados aos desvios do dinheiro de funda pensão de estados e municípios. Até agora se sabe que ao menos em três estados: Rio de Janeiro com R$ 970 milhões, Amapá com R$ 400 milhões e Amazonas com R$ 50 milhões vão demandar cobranças dos TCEs desses estados.

Mas existem várias cidades já que 18 fundos previdenciários estaduais e municipais têm R$1,86 bilhão, aplicados em letras financeiras do banco Máster, alvo de liquidação extrajudicial por parte do Banco Central nesta semana.

Municípios

São eles: São Roque: R$93,15 milhões, Santo Antônio de Posse: R$7 milhões, Cajamar: R$87 milhões e Araras: R$29 milhões em São Paulo. Também está na lista Angélica: R$ 2 milhões, Campo Grande: 1,2 milhão. Fátima do Sul: R$ 7 milhões, Jateí: R$ 2,5 milhões e São Gabriel do Oeste: R$ 3 milhões em Mato Grosso do Sul. Além de Aparecida de Goiânia (GO): R$40 milhões, Congonhas (MG): R$14 milhões, Itaguaí (RJ): R$59,6 milhões, Maceió (AL): R$97 milhões e Paulista em Pernambuco cujo fundo aplicou R$3 milhões.

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Secretária de Habitação do Governo do Estado, Simone Nunes. - Divulgação

Simone na Ademi

A Ademi-PE abre o calendário de debates deste ano com foco no planejamento urbano. Na próxima terça-feira (13), a entidade recebe a secretária estadual Simone Nunes e José Police Neto (Insper) para apresentar o Laboratório de Cidades Sustentáveis.

O projeto, fruto de parceria entre o Governo de Pernambuco e o Insper, busca modernizar políticas habitacionais e atrair novos investimentos para o setor imobiliário local. O encontro ocorre às 12h30, na sede da associação, no Espinheiro.

Coisa demorada

A Secretaria de Ordem Pública e Segurança da Prefeitura do Recife iniciou, nesta terça-feira (6), o processo de demolição do imóvel de 12 pavimentos localizado na rua da União, nº 515, no bairro da Boa Vista, Centro da cidade. Vai custar R$ 1,6 milhão que será devolvido à Prefeitura através da penhora do terreno. O problema é que a demolição vai durar 10 meses. Dá tempo para fazer outro prédio usando a tecnologia de parede de concreto.

Novo teto

Com a entrada em vigor das novas regras do Minha Casa, Minha Vida, que elevou o teto de imóveis para as faixas 1 e 2 do programa, a MRV amplia a atuação nesse segmento em Pernambuco. Com os valores atualizados, mais 300 unidades da construtora no Grande Recife passam a enquadrar-se na modalidade.

Viagens corporativas

Esqueça as reuniões apenas pelo Zoom e pelo Teams. As viagens corporativas estão voltando com força. As projeções para 2026 apontam para um dos anos mais movimentados da última década para as viagens de negócios no Brasil. Um relatório da Alagev indica o Brasil como o 10º maior mercado de viagens e despesas corporativas do mundo, movimentando cerca de US$ 30,5 bilhões ao ano.

A Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas revela que o setor faturou R$ 1,21 bilhão em agosto de 2025 - 2,41% a mais do que no mesmo mês de 2024. Serviços aéreos representaram quase 60% desse volume (R$ 722 milhões), seguidos pela rede hoteleira (R$ 368 milhões), reforçando que o ecossistema da mobilidade corporativa vem movimentando a economia de forma consistente.

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Projeto da Masterboi em Canhotinh foi primiado pela Fiepe. - Divulgação

ESG Masterboi

O Projeto que transforma efluentes industriais em biofertilizante fechando o ciclo do uso responsável da água ao transformar efluentes em compostos de elevado valor orgânico, minimizando possíveis impactos negativos e ampliando a eficiência produtiva deu a Masterboi, o Prêmio ESG Fiepe 2025, na categoria Grande Empresa pela experiência desenvolvida na unidade de Canhotinho, no Agreste pernambucano. O sistema adotado garante que toda a água utilizada no processo industrial passe por tratamento rigoroso antes de ser reaproveitada.

O projeto de fertirrigação circular surgiu a partir da definição sobre a destinação adequada dos efluentes tratados. Além dos ganhos ambientais, a iniciativa traz benefícios diretos à produção. As áreas fertirrigadas apresentam pastagens mais nutritivas e produtivas.

Com expectativa é que o evento receba um público estimado em 60 mil pessoas, o Shopping Boa Vista sedia, até 15 de janeiro, a Arena Universitária, evento que reúne estudantes, pais e responsáveis em busca de qualificação, orientação profissional e oportunidades educacionais. Montada na Praça de Eventos terá a participação de seis instituições de ensino superior e técnico: Uninassau, UniFG, UniFBV, Faculdade Esuda, Faculdade Central do Recife (Facen) e Grau Educacional.

Despesas médicas

A CrowdCare, uma plataforma de financiamento coletivo para despesas médicas, com sede em Deerfield Beach, na Flórida, e que opera nos Estados Unidos desde maio de 2025, anuncia o início de suas operações no Brasil. O modelo de negócios da CrowdCare é como um crowdfunding tradicional, mas com foco exclusivo no financiamento de despesas médicas em geral, incluindo consultas, exames, cirurgias e demais procedimentos hospitalares e clínicos.

Seguro de carro

A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) estima que mesmo diante dos efeitos da cobrança do IOF nos planos de Previdência Aberta, o Setor Segurador brasileiro deverá crescer 8% em 2026. A estimativa considera todos os segmentos, exceto a Previdência Aberta, que ainda não dispõe de parâmetros suficientes para cálculo em razão da mensuração do IOF

Iquine IClub’s

A Tintas Iquine encerrou o projeto Iquine IClub’s em 2025 com mais de 12 mil profissionais da pintura em 29.986 treinamentos, consolidando-se como uma das principais iniciativas de capacitação e valorização desses profissionais em todo o país. Lançado em abril de 2022, o Iquine IClub já impactou mais de 25 mil profissionais da pintura em todo o Brasil, consolidando-se como um importante hub de capacitação e relacionamento.

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Formação de profissionais no Projeto Iquine IClub’s - Divulgação

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