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Para Carlos Mariz, da Academia Pernambucana de Engenharia, silêncio da classe poliica do Nordeste sobre a Chesf custou caro ao Nordeste

Para ele, o sistema elétrico nordestino está frágil e vulnerável ao Sudeste. Essa fragilidade não é só técnica, mas também institucional e política.

Por Fernando Castilho Publicado em 05/11/2025 às 17:00

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O engenheiro Carlos Mariz, fundador da Academia Pernambucana de Engenharia, critica a postura da classe política nordestina que se omitiu — e até colaborou — com a privatização da Eletrobras fazendo a região perder força institucional e política

Segundo ele, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) sempre foi mais que uma empresa de energia. Representou o Nordeste e foi símbolo de desenvolvimento regional. Desde sua criação, levou eletricidade, irrigação e progresso ao Vale do São Francisco, tornando-se um instrumento de integração econômica e social.

Mariz lembra que por décadas, a Chesf funcionou como uma voz do Nordeste junto ao Governo Federal, à Eletrobras e aos poderes públicos e que a sua atuação transcendia o setor elétrico: defendia os interesses de uma região historicamente negligenciada e planejava o futuro com visão regional.

Divulgação
Carlos-Mariz, engenheiro da Chesf; - Divulgação

Por isso, segundo ele, causa indignação ver como a classe política nordestina se omitiu — e até colaborou — durante a privatização da Eletrobras. A Chesf, antes símbolo de autonomia e planejamento, foi entregue à lógica do mercado, perdendo sua identidade e função pública. Pernambuco, sede histórica da companhia, tampouco se mobilizou para defendê-la.

O resultado desse comportamento é muito claro, diz Mariz. O sistema elétrico nordestino está mais frágil e vulnerável do que o do Sudeste. Essa fragilidade não é só técnica, mas também institucional e política. O Nordeste perdeu uma empresa que pensava o desenvolvimento com base nas suas necessidades e potencialidades.

Para ele  a única forma de compensar essa perda será reconstruir uma agenda regional de energia e desenvolvimento, resgatando o espírito da Chesf - uma energia a serviço da população, não apenas do lucro. O Nordeste precisa voltar a ter voz e protagonismo.

"Deixar a Chesf se descaracterizar foi um erro histórico; corrigi-lo é um dever coletivo", avalia Carois Mariz.


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