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Excesso de energia precisa ser vista como oportunidade de não como um problema avalia consultor ex-diretor da Aneel e da EPE

Reive Barros avalia que etanol e e-metanol podem se tornar diferencial na economia de Pernambuco com uso em novos tipos de combustíveis

Por Fernando Castilho Publicado em 28/10/2025 às 0:05 | Atualizado em 28/10/2025 às 15:02

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Na conversa que teve ontem, no debate da Rádio Jornal, comandado pela comunicadora Simone Oliveira, o presidente da Acrópolis Energia e coordenador da Conferência Ibero Brasileira (Coniben), Reive Barros, defendeu a proposta de que o Brasil não deve ver o excesso de energia que possui hoje como um problema, mas como uma oportunidade.

Ele esclareceu que o setor elétrico tem uma capacidade instalada da ordem de 215 GW (gigawatts) para uma carga média em torno de 82 GW que caracteriza uma sobreoferta de energia da ordem de aproximadamente 2,6 vezes. Por outro lado, diz Reive Barros, quando se observa a tarifa, temos uma estrutura tarifária que considera os custos de geração, custo de transmissão e custo de utilização, o que resulta em uma energia mais cara a despeito da grande oferta.

Muita Energia

É verdade que temos muita energia. Mas eu acho que isso não deve ser visto como um problema, mas como uma solução. Nós temos a questão de subsídios. E os subsídios são relativamente elevados, o que é uma questão estrutural que também precisa se endereçar. Mas o que devemos buscar é um maior uso para essa energia. Nós precisamos ver que alternativa teríamos para absorver essa energia e atacar essas questões estruturais.

O ex-diretor da Aneel e da Empresa de Pesquisa Energética avalia que os Data Centers podem ser uma solução de curto e médio prazo. Mas advertiu que eles precisam ser localizados no Nordeste.

Nova Indústria

Precisamos defender a proposta de criar uma nova indústria que consuma a energia eólica e solar que o Nordeste produz para não repetirmos o modelo de produzir energia limpa e transferir para as regiões mais desenvolvidas, afirmou Reive Barros.

O CEO da consultoria H2 Verde, secretário de hidrogênio verde do Instituto Nacional de Energia Limpa, Luiz Piauhylino Filho, que também participou do debate, avalisa a proposta de Reive Barros adicionando um novo componente: a produção de hidrogênio verde e seus derivados.

Nordeste no centro

Segundo Piauhylino, o potencial do Nordeste brasileiro é gigantesco. “Quando falamos do Nordeste, nós estamos falando do Piauí, do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e da Bahia. Mas não só da produção de energia limpa na costa litorânea desses estados, como também no interior. Se olharmos o caso de Pernambuco, boa parte da geração eólica é no interior, não é no litoral. Agora, como é que nós vamos consolidar essa indústria no Nordeste? Esse é um novo desafio.

Piauhylino também colocou no debate um tema que está cada vez mais presente no setor elétrico que é transformação de usinas hidrelétricas já em operação em usinas reversíveis (que guardam parte da água que sai de suas turbinas para bombeá-las e gerar novamente energia) lembrando que o Nordeste pode entrar nesse mercado com a Usina Hidrelétrica de Itaparica que fica em Pernambuco.

Parlamentares

Reive Barros defendeu que nossos parlamentares entendam que se temos energia suficiente, o que precisamos é colocar a geração próxima da carga. Porque ao colocar a geração próxima da carga, se reduz o custo de transmissão, custo de perdas e consequentemente melhora a confiança de energia do sistema.

Eu defendo, por exemplo, os projetos que eu estou chamando de projetos integrados. Projeto integrado é aquele que não precisa de ser conectado no sistema de distribuição nacional. É um projeto onde ele tem geração, tem transmissão e tem consumo. Então, está na hora de a gente encontrar uma alternativa para o Nordeste, disse Barros.

Novo etanol

No debate, Reive Barros e Luiz Piauhylino também defenderam o uso do etanol e do e-metanol como base para a produção de energia e de novos produtos. Segundo Barros, o etanol tem se mostrado extremamente competitivo para a produção de energia e não apenas como combustível automotivo e âncora de projetos automotivos.

Ele citou a aplicação do etanol em usinas térmicas como a que está sendo testada aqui numa usina de Suape em Pernambuco e novo uso do etanol para a produção de e-metanol como o que está programado para a fábrica da dinamarquesa European Energy também em Suape, e que a governadora Raquel Lyra conheceu na semana passada.

Nova matriz

Segundo Reive, isso mostra um novo potencial que o etanol tem e como ele está inserido nessa nova linha de produtos para produzir energia por essa nova indústria. O consultor Luiz Piauhylino concorda e acrescenta que o etanol está na cadeia de produção do e-metanol como está o hidrogênio verde.

Ele esclareceu para produção de e-metanol: a European Energy vai precisar de grande quantidade de CO2 biológico e isso está trazendo um novo uso intenso de um produto que está presente na cadeia de produção do etanol, o que vai abrir um novo mercado para usinas e destilarias de Pernambuco. E finalmente lembrou que o CO2 biológico também está na cadeia de produção do SAF, o novo combustível de aviação.

Microgeração

O consultor Reive Barros finalizou sua participação no debate da Rádio Jornal falando sobre a questão da microgeração de energia distribuída, defendendo que o tema seja atacado de frente pelo governo a Aneel e o ONS com uma nova abordagem sobre os subsídios, afirmando que eles precisam ser discutidos.

Reive Barros também defendeu a realização de leilões de capacidade que asseguram o fornecimento nos horários de pico de consumo de modo que se possa usar as usinas hidráulicas e as usinas térmicas como garantia. Ele lamentou que os leilões tenham sido postergados este ano esperando que eles aconteçam.

Enfrentar a questão

Temos que enfrentar a questão dos subsídios da microgeração distribuída porque no fundo, quanto mais a MGDD cresce, mais o consumidor regulado (aquele que compra obrigatoriamente da distribuidora) paga a conta dos subsídios, conclui Reive Barros.

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governadora Raquel Lyra aceitou a proposta da APM Terminals de antecipação da segunda fase do terminal de contêineres. - JC Imagem

Compromisso social, segundo JCPM

Na entrevista no programa Passando a Limpo, o presidente do Grupo JCPM, João Carlos Paes Mendonça, falou do compromisso da companhia com o que define como compromisso social. Responsabilidade social é responsabilidade social, inclusão e meio ambiente. Agora, uma fundação como a nossa não é responsabilidade social, é compromisso social, é gostar de gente e respeitar as pessoas.

Ele também destacou sua atenção com o IJCPM onde 11.200 jovens já foram inseridos no mercado de trabalho e revelou que no ano passado foram investidos R$ 18 milhões, mantendo uma média que se mantém por mais de uma década. O investimento social não é compensado por nenhum tipo de benefício fiscal.

Ele também se queixou da ineficiência de políticas sociais. Depois de tantos anos que se fala em pobreza e fome, não resolvemos o problema. Entra governo, sai governo e não se resolve. Não temos planejamento de como fazer crescer essas pessoas, de como a gente desenvolve para não ficar pedindo toda hora que me ajude, ajude projetos sociais. Será que isso é bom? Será que isso é o correto? Será que é justo? Será que é humano? Humano é as pessoas não dependerem de ninguém e depender de si próprias. Política para servir e não para ser servido. Precisamos incentivar novos políticos, concluiu o empresário.

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Plano de Desenvolvimento Imobiliário. O projeto com 543 mil m2 de área disponível para investimentos. - Divulgação

Aena Logística

A Aena programa ir rapidamente ao mercado de investidores para oferecer o seu Plano de Desenvolvimento Imobiliário. O projeto com 543 mil m² de área disponível tem investimentos inicialmente estimados em R$ 580 milhões, a serem realizados por operadores logísticos e imobiliários.

Serão ofertados três módulos, o primeiro já nas próximas semanas não só no Brasil, mas junto a parceiros da empresa na Espanha. O conceito é de construção sobre o solo sob concessão do aeroporto de galpões Tipo AAA por operadores com serviços com conexão tanto aérea como rodoviária.

O diretor-presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, aposta que pela localização e centralidade a oferta das áreas adjacentes à estação terá disputa por operadores. A prefeitura prometeu construir avenida suspensa de acesso ao complexo em função do terreno alagadiço que vai exigir investimentos estimados em R$ 100 milhões ainda a serem captados. Num segundo momento a companhia programa oferecer áreas onde hoje estão os terminais de carga para hotel, empresarial e estacionamento.

Revisão da Cbic

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou de 2,3% para 1,3% a projeção de crescimento do setor em 2025. A retificação reflete os efeitos do ciclo prolongado de juros altos, que tem limitado o ritmo das atividades da construção.

O PIB do setor recuou 0,6% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, na comparação com os períodos imediatamente anteriores. A produção de insumos típicos da construção ficou praticamente estável entre janeiro e agosto, enquanto o varejo de materiais registrou leve alta de 0,7%.

Visita da embaixada

Ontem foi dia de visitas da governadora e da vice-governadora de Pernambuco a embaixadas. A governadora Raquel Lyra foi recebida na Embaixada do Brasil em Copenhague e visitou o Danish Technological Institute (Instituto Tecnológico da Dinamarca – DTI), em Copenhague. Já a vice-governadora Priscila Krause foi recepcionada por Mônica Tambelli, ministra conselheira da embaixada, e Mariana Parra, chefe do setor de promoção turística da representação.

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Raquel Lyra aceitou a proposta da APM Terminals de antecipação da segunda fase do terminal de contêineres. - Divulgação

Novo TUP Maersk

Numa conversa nesta segunda-feira (27) na sede do Grupo Maersk, em Copenhague, a governadora Raquel Lyra aceitou a proposta da APM Terminals de antecipação da segunda fase do terminal de contêineres que a companhia está implantando no Complexo Industrial Portuário de Suape.

Os dirigentes da Maersk detalharam o cronograma do investimento, que já supera R$2 bilhões, e pediram a área contígua ao terminal em construção. Essa área fica ao lado do cais que a empresa deve construir vizinha ao Estaleiro Atlântico Sul, objeto de dragagem nos serviços de aprofundamento do canal interno. Mas a nova área também deve precisar de dragagem, o que poderá deixar o novo TUP como até quatro cais.

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Paulista North Way Shopping - Divulgação

North Way 10 anos

Nesta sexta-feira (31), o Paulista North Way Shopping completa 10 anos de operação, consolidando-se como um dos principais centros de compras, lazer e convivência da Região Metropolitana do Recife. Projeto do empreendedor Avelar Loureiro, que atua no setor imobiliário, ele foi Inaugurado em 2015, com uma estrutura moderna, dividido em 3 pisos, o mall conta com 15 lojas âncoras com as principais marcas do varejo nacional, 168 lojas satélites, estacionamento de para 1.400 veículos.

João da construção

O prefeito do Recife, João Campos, vai hoje (28), às 12h30, à sede do Sinduscon-PE, na Ilha do Leite para uma reunião conjunta com a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-PE) com o objetivo de apresentar e discutir ações estratégicas do setor habitacional que serão implementadas ao longo do seu segundo mandato.

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