Pernambucano conquista nota mil na redação do Enem mesmo sem preparação específica
Estudante de ciência da computação na UFPE, Caio Braga, de 18 anos, fez a prova "por fazer" e foi surpreendido com a nota máxima na redação
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Aos 18 anos, o estudante Caio Braga viveu uma surpresa que poucos candidatos ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) experimentam. Aluno do terceiro período de ciência da computação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ele fez a edição mais recente do exame sem preparação direcionada e acabou alcançando a nota mil na redação.
Caio concluiu o ensino médio em 2024 no Colégio Núcleo, onde também atuou como monitor, e ingressou na UFPE em 2025. Já matriculado na universidade, decidiu refazer o Enem sem grandes expectativas. Ao acessar o resultado, veio a surpresa.
“De primeira eu fiquei sem entender. Você acha que o site bugou, que não é normal. Aí eu saí e loguei de novo e continuou o 1000. Então chamei meu irmão e a gente comemorou bastante”, relata.
Apesar do resultado expressivo, o estudante afirma que não pretende trocar o curso nem a instituição. A nota, segundo ele, veio como confirmação de um percurso de estudo consistente, mas sem planejamento voltado especificamente para a prova.
Sem simulados e sem treino de redação
Diferentemente da maioria dos candidatos que buscam altas notas, Caio não seguiu uma rotina tradicional de preparação.
“Eu não me preparei diretamente para a prova. Trabalhei dando aula de matemática e tirando dúvidas de matemática e linguagens, às vezes de física e química, mas não fiz nenhum simulado nem redação alguma”, conta.
Estratégia de prova e controle emocional
Durante o Enem, Caio adotou uma estratégia própria para lidar com o tempo e a ansiedade. “Eu não gosto de levar muita comida porque me distrai, nem comer muito antes, fico nervoso. Isso é bem pessoal”, diz.
Na organização da prova, ele manteve um padrão já testado em outras edições. “Sempre fiz na seguinte ordem: redação, rascunho e passar a limpo; linguagens e humanas. Mas não faço as questões em ordem da prova, faço pensando na TRI (teoria de respostam ao item) e facilidade, favorecendo o ganho de confiança durante a prova”, explica.
A construção da redação nota mil
Na redação, Caio apostou em uma abordagem histórica e cultural para desenvolver o tema proposto. Ele conta que mobilizou diferentes referências para sustentar o argumento.
“Eu falei da perspectiva indígena mostrada em ‘O Karaiba’, de Daniel Munduruku, com os mais velhos como pessoas sábias e de maturidade. Falei da Lei do Sexagenário escancarando a perspectiva da elite escravocrata do envelhecimento como um privilégio, e que a população escravizada não tinha expectativa de vida suficiente para envelhecer bem”, detalha.
Para fechar o texto, o estudante trouxe um exemplo contemporâneo. “Depois falei de ‘Vitória’, o filme de 2025 que mostra uma idosa como protagonista, coloquei como uma perspectiva mais recente”, acrescenta.
Conselho para quem vai enfrentar o vestibular
Ao refletir sobre o resultado, Caio destaca que o diferencial não está em fórmulas prontas, mas na profundidade do aprendizado. “Estude com profundidade. Sempre. O esforço de entender verdadeiramente vale muito e é o diferencial dos alunos de alto rendimento”, aconselha.
Ele também chama atenção para a saúde mental durante a preparação. “É indispensável para um bom desempenho no vestibular. O estudo deve ser equilibrado. O vestibular não é sua vida toda, mas também não é um momento pouco importante. É necessário encarar com disciplina, responsabilidade e tranquilidade, para enfrentar o processo com sucesso e bem-estar”, conclui.