Ampliação das escolas de tempo integral e metas de alfabetização marcam Seminário de Educação de Pernambuco
Pernambuco é o estado com o maior número de estudantes matriculados no ensino integral do Ensino Médio: 69,6%, segundo dados do Censo Escolar 2024
Clique aqui e escute a matéria
Com o tema “Educação, mudança e transformação: projetando as metas e desenhando o futuro”, a Secretaria de Educação do Estado (SEE) realizou, nesta segunda-feira (15), o Seminário de Educação de Pernambuco, no Centro de Convenções, em Olinda.
O encontro reúne gestores, educadores e técnicos para discutir o cenário atual da educação no Estado, com foco nas políticas públicas do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Na abertura do evento, a governadora Raquel Lyra destacou o ciclo de investimentos em curso em Pernambuco, que serão fundamentais para desenhar as diretrizes dos próximos cinco anos da educação.
Entre os desafios apontados está a ampliação das escolas de tempo integral, que, segundo a governadora, precisa ser feita “do jeito certo”, com planejamento e estrutura adequada para garantir a implementação eficiente do modelo de ensino, permitindo também que ele seja ofertado nas redes municipais.
Pernambuco é o estado com o maior número de estudantes matriculados no ensino integral do Ensino Médio: 69,6%, segundo dados do Censo Escolar 2024.
“A economia está mudando e precisamos garantir o preparo dos nossos jovens para permitir que eles tenham oportunidades, mas, mais do que isso, para que alavanquem a economia do nosso estado, unindo tecnologia, inovação, preocupação com o meio ambiente, justiça social e, acima de tudo, produzindo para que Pernambuco cresça. O potencial desses meninos é extraordinário”, afirmou a governadora.
Raquel Lyra também defendeu a abertura das escolas da rede estadual nos finais de semana como estratégia de prevenção à violência, promovendo integração familiar e maior engajamento dos estudantes.
“Dá trabalho? Dá. Mas vamos encontrar um jeito de fazer, porque os meninos também precisam da escola aos sábados”, disse. “Queremos garantir que a escola seja o melhor lugar possível da comunidade", completou.
Nesse contexto, o Governo do Estado anunciou a construção de uma nova Escola em Tempo Integral no Recife, com investimento de R$ 10,7 milhões. A unidade será erguida na Avenida Norte, no bairro de Santo Amaro, região central da Capital, e terá capacidade para atender até 630 estudantes em dois turnos ou 315 em período integral, ampliando a oferta de ensino integral na rede estadual. O edital para contratação da empresa responsável pela obra já foi publicado no Diário Oficial do Estado.
Modelo foi criado para romper lógica tradicional
Pela manhã, programação abordou o protagonismo de Pernambuco na implementação do Ensino Médio Integral e os fundamentos que orientam esse modelo. Para a educadora e especialista em políticas públicas Claudia Costin, nenhum país com um sistema educacional de qualidade mantém uma carga horária tão reduzida quanto a predominante no Brasil, de apenas quatro horas diárias no ensino fundamental.
“Com o advento da inteligência artificial, substituindo postos de trabalho em uma velocidade sem precedentes, a educação precisa ensinar a pensar, e não é possível fazer isso com 13 disciplinas concentradas em apenas quatro horas”, afirmou.
Segundo a especialista, a concepção adotada em Pernambuco tem como base a educação interdimensional, desenvolvida pelo pedagogo Antônio Carlos Gomes da Costa no início dos anos 2000, que rompe com a lógica tradicional da escola dividida em turnos estanques.
“Não era um modelo em que, pela manhã, o aluno tem aula de verdade e, à tarde, participa apenas de oficinas. Era, na verdade, um projeto centrado no protagonismo jovem e no projeto de vida do estudante”, explicou.
Dentro desse contexto, Claudia Costin citou mecanismos de exclusão ainda presentes no sistema educacional brasileiro, como a chamada pedagogia da repetência. “Não se iludam, eu não sou a favor da aprovação automática. Acredito que a criança precisa avançar tendo aprendido. Mas a repetência não pode ser uma pedagogia, não pode ser um ‘cuidado, se você não se comportar, eu reprovo’”, afirmou.
Para ela, a reprovação se torna excludente quando o estudante dispõe de apenas quatro horas de aula e não tem acesso a tempo de estudo dirigido ou orientação adequada. “A escola de tempo integral destrava esse mecanismo de exclusão”, concluiu.
Por fim, Claudia Costin, que é cofundadora e presidente do Instituto Salto — organização voltada à disseminação de boas práticas educacionais no Brasil — reforçou a importância do regime de colaboração com os municípios para que a política de tempo integral não se restrinja ao Ensino Médio.
“Falei disso com o secretário de Educação, Gilson Monteiro. Precisamos avançar nessa agenda também”, disse.
A mesa contou ainda com a mediação de Ana Laudemira, gerente-geral de Políticas Educacionais do Ensino Médio da SEE, e a participação da estudante Maria Laryssa Tenório Torres, de 16 anos, aluna do 2º ano da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) da Fraternidade Palmarense, localizada no município de Palmares.
Criança Alfabetizada, Anos Finais e Técnico também no debate
À tarde, a programação seguiu com as mesas temáticas sobre o fortalecimento do regime de colaboração na alfabetização, destacando os resultados obtidos nos últimos anos.
Pernambuco teve 60,79% de crianças alfabetizadas em 2024, o resultado foi abaixo da meta de 62,4%, mas acima da média nacional, de 59,2%. Durante sua participação no Seminário, a governadora Raquel Lyra afirmou que a meta para o próximo ano é que 80% das crianças de 7 anos estejam alfabetizadas com as habilidades esperadas para essa etapa.
O evento também incluiu o presente e o futuro das políticas voltadas aos anos finais do Ensino Fundamental e à Escola das Adolescências, além dos desafios da Educação Profissional, com foco nas economias do futuro, nas transformações no mundo do trabalho e na inclusão produtiva dos estudantes.
“Tudo do seminário é importante. Trabalhamos os Anos Iniciais, com a alfabetização na idade certa, e também as creches, por meio do regime de colaboração com os municípios, para sabermos que tipo de estudante chega aos Anos Finais e ao Ensino Médio. O Estado naturalmente cuida da última etapa, mas também atuamos em escolas do Ensino Fundamental e queremos oferecer uma base sólida, sem descuidar do que já temos hoje”, afirmou o secretário Gilson Monteiro.