O dilema das redes sociais e a coragem de dizer não aos seus filhos
É possível proteger a infância na era digital? Jaime Ribeiro, CEO do Educa e especialista no tema, compartilha a chave para um "não" consciente

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Para muitos pais de estudantes do ensino fundamental e médio, a pergunta ecoa pelos corredores de casa: "Como dizer ao meu filho que ele não pode ter redes sociais se todos os amigos têm?".
Este é um dos maiores desafios da parentalidade moderna, e a resposta, segundo Jaime Ribeiro - CEO e cofundador da Educa, palestrante e especialista em relações humanas na era digital -, reside na consciência e na coragem, e não na rigidez.
A pressão do "Todo Mundo Tem"
A frase "todo mundo tem" não afeta apenas os filhos; ela ressoa nos próprios pais, gerando dúvidas e o receio de que o filho se sinta excluído. "Seu filho também vai sofrer pressão dos colegas, vai ouvir que está por fora, que ninguém mais vive sem isso", explica Ribeiro.
Além disso, a preocupação com o julgamento alheio pode ser um fardo: "Outros pais vão olhar atravessado, questionar, sugerir que você está sendo rígido". Contudo, o especialista enfatiza que o fundamento para a decisão dos pais deve ser a consciência dos riscos, e não a imposição arbitrária.
Perigos invisíveis para mentes em formação
Jaime Ribeiro alerta que as redes sociais são ambientes complexos e desafiadores, especialmente para crianças e pré-adolescentes. Ele descreve as plataformas como um "ambiente de comparação, de validação externa, de vícios, perigos invisíveis".
A mente de um jovem, em pleno desenvolvimento, "não está pronta ainda para lidar com tudo isso", o que justifica a necessidade de proteção parental contra essas influências.
O "Não" que protege: autoridade com amor
A grande questão é como comunicar essa decisão sem soar autoritário. Ribeiro sugere uma abordagem que combina empatia e clareza sobre o papel protetor dos pais. "Filha, eu sei que parece injusto e não é fácil para mim também, mas meu papel aqui não é te dar tudo que você quer, é te proteger do que você Você ainda não consegue ver", orienta o especialista.
A comunicação deve abrir espaço para um diálogo futuro, quando a criança estiver mais madura: "Quando você estiver preparada, a gente conversa de novo". A chave é sustentar essa postura de cuidado: "Eu vou sustentar esse cuidado que eu tenho com a sua vida".
A coragem de ser exceção
Reconhecer que o caminho da proteção nem sempre é o mais fácil é fundamental. "E sim, vai doer, vai ser difícil, vai dar vontade de ceder", admite Jaime Ribeiro. No entanto, ele encoraja os pais a resistirem à pressão da maioria, lembrando que "educar não é seguir a multidão, é ter coragem de ser exceção quando for preciso".
Embora a decisão possa gerar insatisfação no presente, a longo prazo, o impacto é positivo. "Seu filho pode não gostar agora, mas lá na frente ele vai perceber que teve sorte de ter alguém que escolheu cuidar em vez de ceder", conclui o especialista, reforçando a importância de um cuidado que transcende o desejo imediato da criança.
Sobre o JC Educação
No próximo dia 11 de setembro, Jaime Ribeiro estará no evento JC Educação, onde vai tratar desses e de outros temas para a comunidade escolar do Recife.
O encontro vai ocorrer no auditório do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife.
O evento será apresentado por Mirella Araújo, titular da coluna Enem e Educação do JC. Além de Jaime, também estarão presentes:
- Rossandro Klinjey - Psicólogo, palestrante e consultor em Educação e Desenvolvimento Humano.
- Gilson Monteiro - Secretário de Educação de Pernambuco.
- Cecília Cruz - Secretária de Educação do Recife.
Para mais informações: (81) 99161-9043.