Brasil | Notícia

Ex-prefeito do Rio Grande do Sul é preso por desvio de verbas federais destinadas às enchentes de 2024

Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado, foi detido em operação da PF que investiga desvio de recursos federais usados após as enchentes de maio de 2024

Por Estadão Conteúdo Publicado em 26/02/2026 às 11:21

Clique aqui e escute a matéria

Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado, no Rio Grande do Sul, foi preso na manhã desta quinta-feira (26) pela Polícia Federal. A ação faz parte da segunda fase da Operação Lamaçal, que apura possíveis desvios de verbas federais repassadas ao município após as enchentes que atingiram a região em maio de 2024.

De acordo com a PF, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Também houve sequestro de veículos e bloqueio de ativos dos investigados.

Irregularidades investigadas

A operação visa apurar o possível desvio de recursos públicos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) repassados à administração municipal de Lajeado em razão das enchentes.

Segundo a PF, as investigações identificaram irregularidades em três licitações da prefeitura envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico contratadas para prestar serviços de assistência social.

"Há indícios de que as escolhas não observaram a proposta mais vantajosa e que os valores pagos estavam acima do preço de mercado", informou a corporação.

Outros alvos e medidas cautelares

Além da prisão de Caumo, a PF decretou o afastamento cautelar de cargos públicos ocupados por dois investigados e a prisão temporária de outros dois. Foram apreendidos três veículos, aparelhos eletrônicos e documentos relacionados aos processos investigados.

Os investigados poderão responder por diversos crimes, incluindo:

  • Desvio ou uso impróprio de fundos públicos;
  • Contratações diretas ilegais
  • Fraude em licitações;
  • Corrupção passiva e ativa;
  • Associação criminosa;
  • Lavagem de dinheiro.

Defesa do ex-prefeito

O advogado Jair Alves Pereira, representante de Caumo, afirmou que a família do ex-prefeito informou sobre a prisão, mas que ele ainda não teve acesso à decisão judicial. "Eu desconheço os fundamentos do decreto", disse, considerando a prisão desnecessária.

Operação Lamaçal

A primeira fase da Operação Lamaçal ocorreu em novembro de 2025. A análise parcial do material apreendido na época reforçou a suspeita de manipulação nos processos de licitação e pagamentos irregulares.

As diligências desta segunda fase ocorreram em Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.

Saiba como se inscrever na newsletter JC

Compartilhe

Tags