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Moradores de favelas enfrentam falta de bueiros, vias sem pavimento e obstáculos nas calçadas, aponta Censo 2022

Infraestrutura precária atinge 16,3 milhões de brasileiros; mais da metade vive em ruas sem bueiros, e 96% enfrentam calçadas com obstáculos

Por Estadão Conteúdo Publicado em 05/12/2025 às 11:38

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Mais da metade (54,6%) dos moradores de favelas ou comunidades urbanas no Brasil vive em trechos de vias sem bueiros ou bocas de lobo.

Os dados são do Censo 2022, divulgados nesta sexta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e expõem a precariedade enfrentada por 16,3 milhões de pessoas nesses territórios.

Segundo o levantamento, o Brasil registra 12.348 favelas ou comunidades urbanas, distribuídas em 656 municípios.

A maior concentração está na região Sudeste (48,7%), onde estão algumas das maiores comunidades do País, como Paraisópolis, em São Paulo, e a Rocinha, no Rio de Janeiro.

Ao todo, esses territórios abrigam 6,5 milhões de domicílios, o equivalente a 8,1% da população brasileira, número similar à soma das populações de São Paulo, Fortaleza e Salvador.

Características urbanas do entorno dessas áreas 

O Censo avaliou características urbanas do entorno dessas áreas, como:

  • circulação e pavimentação das vias;
  • existência de bueiros;
  • iluminação pública;
  • pontos de ônibus;
  • sinalização para bicicletas;
  • calçadas;
  • rampas para cadeirantes e arborização.

As calçadas aparecem como um dos problemas mais críticos: 96% dos moradores de favelas vivem em trechos de vias com obstáculos que dificultam a mobilidade, porcentagem que, embora também alta fora desses territórios (77,6%), é significativamente menor do que nas comunidades mais vulneráveis.

A pavimentação também reflete essa desigualdade. Nas favelas, 21,7% dos moradores vivem em vias sem pavimento, enquanto em outras áreas urbanas essa condição atinge 8,2% da população.

Já a circulação de veículos é profundamente limitada: 19,2% dos moradores de comunidades só têm acesso por moto, bicicleta ou a pé. Fora desses locais, o índice é de apenas 1,4%.

Transporte público 

A oferta de transporte público também é considerada insuficiente. Apenas 5,2% dos moradores – cerca de 836 mil pessoas – vivem em trechos de vias com ponto de ônibus ou van.

Fora das comunidades, a proporção é mais que o dobro (12,1%). O IBGE ressalta, no entanto, que o dado considera trechos específicos de vias, e não a cobertura total dos sistemas de transporte.

Outros indicadores

A iluminação pública é um dos poucos indicadores mais positivos: 91,1% dos moradores de comunidades vivem em áreas iluminadas, embora o índice siga inferior ao das demais regiões urbanas (98,5%).

A arborização também é desigual: 35,4% das pessoas em favelas vivem em trechos arborizados, contra 69% fora desses territórios.

Os equipamentos urbanos mais raros são rampas para cadeirantes e sinalização para bicicletas, presentes em apenas 5% e 1% dos trechos das comunidades, respectivamente, dados que evidenciam a quase ausência de infraestrutura acessível e segura.

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