Notícias | Notícia

Pedro Corrêa relembra prisão, Mensalão e bastidores da política em entrevista à TV Jornal

Ex-deputado falou sobre Lava Jato, Sergio Moro, Congresso Nacional e cenário político de Pernambuco durante participação no "João Alberto na Jornal"

Por JC Publicado em 30/05/2026 às 20:00

Clique aqui e escute a matéria

O ex-deputado federal Pedro Corrêa afirmou que “cadeia é uma escola do crime”, ao relembrar o período em que esteve preso por desdobramentos do Mensalão e da Operação Lava Jato. A declaração foi dada durante entrevista ao programa “João Alberto na Jornal”, da TV Jornal, exibido neste sábado (30).

Na conversa, Corrêa revisitou diferentes momentos da trajetória política e pessoal, falou sobre os anos em que atuou na Câmara dos Deputados, comentou a convivência com figuras centrais da Lava Jato e avaliou o cenário político atual de Pernambuco e do Brasil.

Ao recordar a entrada na política, o ex-parlamentar afirmou que inicialmente não pretendia disputar cargos eletivos e que a decisão acabou acontecendo por influência familiar após um acidente sofrido pelo irmão, que seria candidato.

“Eu era filho de político e não queria me meter em política. Sabia o que era a vida de político. Médico, ganhando dinheiro, sete clínicas. Meu irmão era quem estava sendo preparado para isso, mas sofreu um acidente gravíssimo, ficou meses em coma e nunca mais se recuperou. Aí a família terminou me empurrando para a política”, disse.

O ex-deputado também comentou a passagem pela Câmara Federal e disse sentir saudade do ambiente político daquela época, embora avalie que o perfil do Congresso mudou ao longo dos anos.

“Hoje um médico, um advogado, um engenheiro, não consegue mais disputar uma eleição para deputado federal. O custo ficou absurdo. Você precisa de muito dinheiro para competir com as estruturas que existem hoje”, declarou.

Bobby Fabisak/JC Imagem
Clóvis Corrêa se encontra com primo Pedro Corrêa no IML - Bobby Fabisak/JC Imagem

Mensalão, prisão e Lava Jato

A entrevista acontece anos após Corrêa cumprir pena por condenações relacionadas ao Mensalão. Em 2023, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), extinguiu a punibilidade do ex-deputado na Ação Penal 470, ao reconhecer que ele já havia cumprido a pena privativa de liberdade e não tinha condições econômicas de quitar a multa aplicada no processo, na época fixada em R$ 3,6 milhões.

Durante o programa, Corrêa descreveu a experiência no sistema prisional e afirmou que o ambiente carcerário brasileiro favorece a criminalidade. “Cadeia é uma escola do crime. O sujeito entra ali como ladrão pequeno e sai sequestrador, assaltante de banco. O sistema não recupera ninguém. Pelo contrário, o cara aprende a cometer crimes mais graves”, declarou.

O ex-deputado também relatou a convivência com presos ligados à Lava Jato na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Entre os nomes citados por ele estão Marcelo Odebrecht, José Dirceu, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e Antonio Palocci.

Segundo Corrêa, alguns empresários tiveram dificuldade para se adaptar ao ambiente prisional. Ao comentar sobre Marcelo Odebrecht, ele afirmou que o empreiteiro passava grande parte do dia fazendo exercícios físicos para lidar com a situação.

“Marcelo era um príncipe, criado como príncipe. De repente vai para um negócio daquele. Ele passava o dia inteiro fazendo exercício para tentar suportar aquilo”, afirmou.

Relação com Sergio Moro e avaliação política

Pedro Corrêa também comentou a relação que mantinha com o então juiz Sergio Moro, atual senador da República pelo partido Liberal, durante a Lava Jato. Segundo ele, havia respeito pessoal entre os dois mesmo durante os processos.

“Eu sempre tive uma boa conversa com Sergio Moro. Outro dia encontrei com ele, e ele disse: ‘Pedro, nunca foi nada pessoal’. Nós tínhamos uma relação respeitosa”, contou.

Na parte final da entrevista, o ex-deputado avaliou o cenário eleitoral de Pernambuco e afirmou que a disputa entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), tende a ser equilibrada em 2026.

“A Raquel está fazendo um bom governo, muito bem avaliado, mas João Campos é muito forte politicamente e muito bom de rua. Vai ser uma eleição muito disputada”, disse.

Apesar de afirmar que continua acompanhando os bastidores políticos e mantendo contato com dirigentes partidários, Corrêa descartou disputar novas eleições. “Eu não tenho mais saúde, nem dinheiro para disputar eleição. Hoje campanha custa uma fortuna”, afirmou.

Ao longo da entrevista, Pedro Corrêa alternou relatos pessoais, bastidores da política nacional e críticas ao sistema prisional e eleitoral brasileiro, em uma conversa marcada por memórias sobre ascensão, prisão e reaproximação com a vida pública.

Clube Internacional e vida social no Recife

Pedro Corrêa também relembrou o período em que presidiu o Clube Internacional do Recife e citou eventos tradicionais do carnaval pernambucano, como o Bal Masqué e o Voo do Frevo. Segundo ele, a época marcou uma fase de grande movimentação social no Recife.

“Era uma festa extraordinária. O pessoal fazia de tudo para participar. As mulheres mais conhecidas do Recife queriam fazer parte do júri do Bal Masqué. A gente chegava perto do carnaval e precisava se esconder em casa porque o telefone não parava de tocar pedindo convite”, afirmou.

Compartilhe

Tags