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Motociclistas por aplicativo fazem protesto e se desentendem com parte da categoria que não aderiu ao ato no Recife

Manifestações na Agamenon Magalhães e na Avenida do Forte travam o trânsito; divisão na categoria, bloqueios e passageiros prejudicados marcam ato

Por TV Jornal Publicado em 27/03/2026 às 8:39 | Atualizado em 27/03/2026 às 15:31

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Motociclistas por aplicativo realizaram protestos na manhã desta sexta-feira (27) nas avenidas Agamenon Magalhães e Abdias de Carvalho, no Recife. As mobilizações provocam bloqueios na via, conflitos entre os próprios profissionais e transtornos para passageiros.

Protesto em pontos diferentes

Na Avenida Agamenon Magalhães, os manifestantes se concentram nas proximidades do Classic Hall. Já no bairro dos Torrões, o ponto de paralização é no cruzamento da Estr. do Forte do Arraial Novo do Bom Jesus.

A mobilização foi iniciada por integrantes da categoria, sem convocação sindical. O trânsito já foi liberado em todos os pontos.

Bloqueio na Agamenon

A equipe da TV Jornal acompanhou a situação diretamente da Agamenon, onde o grupo ocupou a pista e provocou engarrafamento em um dos principais corredores viários da cidade.

Inicialmente marcado para as 7h, o protesto teve baixa adesão e só veio começar de fato próximo às 8h, quando os próprios manifestantes passaram a abordar motociclistas que trafegavam pela avenida, pedindo que parassem para aderir ao ato.

Com a recusa de parte dos trabalhadores, o grupo avançou para o meio da via e passou a impedir a passagem, agravando o trânsito na região. Um passageiro que precisou descer do veículo contou que estava a caminho do trabalho, mas se atrasou por causa do protesto.

"Infelizmente a gente tem que descer, porque o movimento não está organizado. Paguei a corrida e estava a caminho do trabalho, já atrasado. Quem sofre é a população", disse. 

Discussões dentro da classe

A falta de consenso dentro da categoria está gerando discussões e momentos de tensão. A TV Jornal flagrou motociclistas sendo impedidos de continuar as corridas, inclusive com passageiros.

Um dos manifestantes defendeu a paralisação: "A gente vai batalhar sozinho? Não. Mas essa é a realidade do motociclista de Pernambuco, está desacreditado".

Ele aproveitou, ainda, para criticar a desunião da classe: "essa categoria tem que ser mais unida. O pessoal está aproveitando que boa parte estão parados, para pegar mais corridas e fazer dinheiro. Mas essa luta é por eles mesmos".

Por outro lado, trabalhadores que não aderiram reclamam da forma como o protesto está sendo conduzido, especialmente pela tentativa de impedir o direito de ir e vir. "Eu tenho que pagar a moto, tenho que continuar a corrida", disse um deles.

Ato na Abdias

Já na Avenida Abdias de Carvalho, no bairro dos Torrões, a Rádio Jornal acompanhou de perto. O trânsito ficou lento tanto para quem seguia em direção à BR-232 quanto no sentido contrário.

Durante a manifestação, os motociclistas chegaram a atear fogo em objetos na pista para impedir a passagem de veículos. O ato também gerou conflitos entre a própria categoria e motoristas que tentaram atravessar a barreira, com pequenas agressões de ambos os lados.

Em depoimento à equipe, o motociclista Adaias Cabral explicou as principais reivindicações: insegurança nas ruas, aumento do valor da gasolina, taxas consideradas altas pelos aplicativos e a exigência da placa vermelha em Pernambuco.

"A gente vai ser taxado para fazer o curso e taxado também pelo Detran para poder rodar. Então, assim, é uma das coisas que a gente não quer e a gente está reivindicando hoje", disse.

Equipes da CTTU e do Corpo de Bombeiros estiveram no local para monitorar e controlar o trânsito.

Protestos continuam na segunda

Representantes dos motociclistas foram até o Palácio do Campo das Princesas na tentativa de dialogar com as autoridades sobre as reivindicações que estão sendo feitas pela classe. Porém, segundo alguns protestantes, eles não tiveram resposta.

A previsão é de que voltem a se mobilizar na segunda-feira (30), realizando protestos no centro da cidade, além de ir novamente ao Palácio para entregar um documento com as reivindicações.

O Governo de Pernambuco informou, por meio de nota, que "ficou concordado que os representantes vão formalizar as reivindicações apresentadas que cabem ao Estado." A carta de reivindicações deverá ser protocolada e entregue nos próximos dias.

Assista à reportagem da TV Jornal

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